domingo, 18 de junho de 2017

Ausente, mas seguindo em frente...


Já estamos em Junho, e este é o meu primeiro post do ano. Só para dar uma breve noção do que aconteceu nesse meio tempo, resolvi voltar aqui. E também por sentir falta de escrever algo que não fosse científico/técnico. Vou explicar...

No final do ano passado, resolvi me focar nos estudos para passar na prova de mestrado, o que, felizmente, consegui! Fiquei em segundo lugar! o/ Os dois últimos meses de leituras e resenhas valeram a dor (sim, foi uma dor, mas que se tornou em prazer (bendito Freud!) quando vi minha classificação). Fora isso, também estive preparando o meu lattes (participando de oficinas, palestras, eventos acadêmicos) para a seleção... E aí, quando me dei conta, já estava frequentando as aulas. Para mim, a fase de transição da graduação para o mestrado foi doloroso. Também. Na primeira semana de aula, eu cheguei a passar dois dias com as mãos tremulas, a ponto de não conseguir segurar uma xícara de chá. Meu pescoço trincava em tensão, e eu não conseguia mover a cabeça para os lados, tão nervosa fiquei (e isso nunca tinha me acontecido antes). Foi terrível mesmo. O rigor do que o mestrado tinha se apresentado para mim, foi uma coisa assim, assustadora mesmo, porque, vejam só, nos primeiros dias de aula, a coordenação do curso fez terrorismo conosco dizendo que a turma deveria (preparem-se para a lista): 

*submeter dois artigos por ano; 
*participar de eventos acadêmicos; 
*frequentar aulas;
*ler dois livros por semana; 
*escrever resenhas; 
*escrever relatórios a cada semestre; 
*entregar um artigo para cada disciplina (e não pode tirar menos que conceito B); 
*ler outros artigos e livros para fazer esses artigos; 
*fazer parte de grupos de estudos,
*e fazer as atividades propostas; 
*apresentar trabalhos em aula;
*planejar sua dissertação, 
*e ler artigos e livros relacionados a ela; 
*assistir palestras onde tiver, 
*e se lembrar de que precisa respirar e dar conta de tudo... 

A impressão que tive foi de que eles estavam querendo criar monstros com titulação de mestre, só. Além disso, aguentar a pressão psicológica (subliminar, mas que existe) de que, se você desistir, é porque é fraco, não está preparado para o mundo acadêmico, intelectual (uhum). E se não fizer um bom trabalho, não tecer bons comentários durantes as aulas e ainda apresentar resenhas meia boca, você também está fadado ao fracasso intelectual. Sim. Então, a impressão que eu tinha era de que havia dois olhinhos me perseguindo, me observando, me avaliando. O. Tempo. Todo.
Passei várias noites mal dormidas, entre crises de enxaquecas, que há anos não tinha...

Não sei se isso se aplica a todos os cursos de mestrado (o namorado disse que não sentiu isso quando fez mestrado em ciência da computação), talvez por eu estar num mestrado em letras, em que temos aulas de nível filosófico (tipo #hardcore — passando de Cassirer, à Platão, Walter Benjamin, e Zumthor — e fora isso, você já deveria ter lido algo de Foucault, Derrida, Barthes, Kant, Eco...) e psicanalítico (Freud, Vigotski, Piaget, Bahktim...), a coisa é super tensa. Principalmente para quem nunca tinha lido nada, ou quase nada, desses defuntos. Então, eu lia aqueles textos, e eles não me diziam quase nada. E eu ia ficando desesperada, lamentando a minha própria condição de ignorante, iletrada. Fui me sentindo um peixinho minúsculo, cada vez menor, no meio de tubarões (colegas e professores) que conseguiam acompanhar o raciocínio desses autores... Resisti em admitir isso, mas pensei em desistir várias vezes, sim... T_T Pensei muito sobre o motivo de estar fazendo mestrado, e tentei colocar algumas coisas na balança, para ver o que valia e o que não valia à pena... E resolvi me deixar levar, pelo bem de planos futuros.

E aí o sufoco foi passando, conforme as aulas foram acontecendo. E fui vendo que a coisa não era tão terrível quanto imaginei que seria. Percebi que muita coisa era só imaginação minha, aquela coisa de quem se autocritica demais, de quem se compara com os outros demais. Pois eu tinha caído nessa cilada, sim. Ainda sinto um pouco daquilo tudo,  na verdade, mas em um nível bem mais ameno. Acho que consegui me colocar num nível mais realista da coisa... Graças aos depoimentos dos colegas que relataram sentir o mesmo, também... Então, fiquei mais tranquila em saber que eu não era a única. Mas certas posições sobre certas coisas e pessoas permanecem, é claro. Algumas percepções minhas não mudaram, mas agora já não me importo tanto.

Não sei quem mais aqui conhece a dor e sofrimento que é fazer um mestrado, mas aprendi que fazemos parte de uma academia, propriamente dita, apenas com a pós-graduação mesmo. Pelo menos, essa é a impressão que estou tendo, conhecendo um pouco os bastidores da coordenação dos curso, conhecemos melhor os professores... E os colegas também, aos poucos vão se mostrando mais... Talvez por estamos num grupo menor e mais fechado, os conflitos emergem mais do que na graduação. Na graduação, tudo era bonito e maravilhoso, a galera (a maioria) só queria pegar seu canudo, e pronto. Agora, no mestrado, não. A coisa é mais séria! Você está lá para um propósito maior, com um foco maior...

Mas olha só... Porém, contudo, entretanto, todavia, não posso dizer que tudo foram dores. Aprendi muita coisa, e passar por tudo isso tem sido um grande aprendizado também, e, no fim das contas, estou conseguindo curtir o mestrado agora. :) 

Sobre a minha dissertação, como tenho especialização em estudos da tradução, planejo seguir pela linha da adaptação, e trabalhar com a tradução de algum quadrinho, mesmo (e não fugir tanto de outra área de interesse que é a ilustração). Ainda preciso discutir mais o assunto com a minha orientadora, de modo que não posso dar muitos detalhes a respeito ainda. Mas se tudo der certo, vai dar certo! hehe.

Apesar disso tudo que contei aqui, sempre que consigo uma folguinha, eu volto a desenhar e aquarelar. Sigo postando no instagram, de vez em quando. Até mesmo porque, né, ninguém sobrevive só pensando no mestrado. É preciso uma válvula de escape para descarregar o estresse. Tenho praticado corridas, também, o que tem me ajudado muito...

Bom, era isso. Não quero abandonar o blog, não vou desistir dele, que fique claro. Só estou em hiatos, por um ou dois anos... T_T o que significa que a minha velocidade estará bem reduzida nas mídias sociais. Mas eu precisava desabafar um pouco mesmo. Segundo Freud (olha só como aprendi - assim espero t.t), o ser humano precisa mesmo desabafar para se aliviar, e escrever é uma das melhores maneiras. Não é à toa que o se humano escreve o que pensa. :) Para não nos afogarmos em nossas próprias angústias, o ser humano precisa expor o que pensa e o que sente, de alguma forma. É meio óbvio isso, mas às vezes a gente esquece de desabafar, e acabamos guardando muita coisa... :/ Então, desabafem, desabafem, desabafem. Desejo muitos desabafos a todos! xD


Obrigada por acessar o blog! ♥ 
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4 comentários

  1. Biaaaa, que show, querida! Meus parabéns, valeu a pena todo o esforço. Percebi que suas bonequinhas diminuíram o ritmo e evoluíram também. Parabéns por tudo, e muito sucesso ;)

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    1. Oi, Marianita! Muito obrigada pela força de sempre! ♥ ♥ ♥

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  2. Oi, Bia! Q bom saber de vc e q qs coisas tão melhor! :) Tb estou num hiato no blog (acho q tb só escrevi uma vez esse ano tb)... mas tb por conta de outras prioridades ou questões q não fazem parte do meu controle. Boa sorte pra vc no mestrado e q vc possa continuar crescendo e se expressando! 😘

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    1. Oi, Lili!!! Obrigada por dedicar um tempinho teu pra comentar aqui. imagino que as coisas estejam meio corridas pra ti, mesmo. Tenho acompanhado teu sucesso pelo face ♥ ♥ ♥ Sucesso pra nós, e que consigamos continuar crescendo e nos expressando! ;) ♥ beijão!

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