Sobre expressões e juízo de valor



Olá!
Já faz um tempo que estou com esse post pronto... eu estava em dúvida se postaria ou não, na verdade, mas as questões que abordo aqui me bateu outra vez esses dias, e acabei resolvendo postar..

Bom, a Saori não tem nada a ver com o post, mas decidi colocar a foto dela aí mesmo assim u.u

Na verdade, eu queria falar sobre arte, mas para uma pessoa um tanto leiga (não creio que o tantinho que já estudei sobre o assunto me dê alguma propriedade para falar sobre esse tema ainda) falar sobre isso é complicado, no meu ponto de vista. Posso acabar dizendo uma grande bobagem. Então, vou falar aqui sobre expressão, que é algo que todo mundo aqui manja. De uma forma ou de outra, todos se expressam, certo?

Vocês concordam comigo que algumas pessoas se expressam melhores do que outras? Que há aqueles que se expressam tão mal, que não entendemos o que aquela pessoa quer nos dizer (ou que, no mínimo, ficamos em dúvida)? E vocês concordam que, quando a gente diz que "você não sabe se expressar" (por mais agressivo que isso soe), estamos fazendo um juízo de valor? Afinal, estamos atribuindo uma qualidade a sua maneira de se expressar. A pessoa se expressa bem, ou mal. O que essa pessoa está nos dizendo transmite uma mensagem clara, ou não. E se a mensagem está clara, ela tem boa qualidade, certo? Bem, sintam-se livres para me contestar, pois o intuito desse post é desenvolver o raciocínio sobre o assunto mesmo.

Mas, voltando... O juízo de valor é algo que faz parte da nossa sociedade desde que o homem se entende por gente, e é graças a ele que as coisas ou andam para frente, ou caminham para trás (acredito eu). Por exemplo, se ninguém tivesse reclamado que viver todas as noites à base de luz de velas fosse ruim (juízo de valor), ninguém teria criado a luz elétrica. Se ninguém dissesse que as metodologias de ensino no passado eram ruins — em que os professores colocavam alunos de joelhos sobre milho —, ainda estaríamos com filas e mais filas nos ambulatórios só para tratar problemas nos joelhos das crianças, por exemplo (entre outros tantos problemas que há com um método como esse). Isso se ainda tivéssemos hospitais, caso ninguém reclamasse que tratamentos domiciliares não fossem ruins para os médicos e pacientes, por não disporem de aparelhos melhores para tratamentos... Conseguem ver como o juízo de valor é importante?

Mas porque estou misturando expressão e juízo de valor?

Bom, foi aberta uma discussão no grupo da Arte das Mina, há uns dias, sobre fazer críticas aos trabalhos de quem quisesse (e parece que teve gente que não se deu conta de que ninguém seria obrigado a isso) submeter seu trabalho para receber crítica. Houve todo tipo de resposta a favor e contra, como esperado, mas o que me surpreendeu foram alguns comentários que, até certo ponto, eu concordei com os argumentos. Mas, depois, fiquei me perguntando mais sobre eles...

Teve gente (não vou citar nomes, mas se quiserem que eu coloque, é só dizer que edito o texto :) ) dizendo que a critica é uma forma de colocar a mulher (porque, no caso, o grupo é só de mulheres) contra si mesmas. Mas esse argumento descartei porque o intuito é fazer crítica construtiva, e críticas construtivas servem para ajudar, e não destruir ou diminuir! Existe até métodos de como se fazer uma crítica construtiva sem que fira o orgulho e a honra do próximo (se quiserem, posso falar mais sobre isso em outro momento)...

Outros já contestaram porque consideram julgamentos algo muito "academicista". Afinal, quem tem o direito de julgar um trabalho? Eu, você, a academia, ...? e, segundo a moça que começou com esse argumento, disse que ficar "taxando" trabalho é algo muito da academia. E foi esse argumento que mais me pesou. Por que, se por um lado, há todo esse debate que estamos vendo se desenvolver sobre inclusão e igualdade, por outro, há essa questão sobre o valor do juízo de valor.

Sobre o meu humilde entendimento e ponto de vista, é o juízo de valor que faz a sociedade se mover. Como citei mais acima, se as pessoas não fizessem julgamentos e contestamentos acerca da qualidade e valor das coisas, muito provavelmente, não estaríamos onde estamos, e tanto em termos de tecnologia, quanto sociológica e filosoficamente... Sobre o meu humilde entendimento e ponto de vista, é claro.

Mas, talvez, quem esteja sendo extremista seja eu, ao sair do campo da expressão, para outras áreas. No entanto, acredito que voltamos ao que eu havia questionado no início, que pessoas se expressam melhores do que outras. E levando em conta de que o que fazemos, "a nossa arte" (sempre fico com dúvidas sobre essa expressão), é o nosso modo de expressão, é nosso modo de ver o mundo e nos posicionarmos...uma posição pode ser equivocada também, é claro. Certo? Um modo de ver o mundo também pode ser equivocado.... ou alguém vai me dizer que o modo que psicopatas assassinos veem o mundo é certo?

Sei que o conceito de bem e mal, certo e errado, foram coisas criadas pelo homem. E como eu disse num post anterior, acredito que tudo o que foi criado pelo homem é passível de contestamentos... Mas também me pergunto se isso não é simplesmente uma maneira fácil de ter o que queremos nas nossas mãos. Se não é apenas um modo simples de conseguir o que queremos. E se não é simplesmente querer jogar no lixo a intelectualidade, de rebaixar o pensamento crítico a zero? E digo isso, sim, me referindo sobre artes...

Também sei que isso é um tema complexo e complicado, que não há apenas uma resposta para isso, mas quis deixar aqui as minhas dúvidas, porque é mais uma daquelas coisas que têm me coçado a trás da orelha... Porque eu, uma pessoa que se expressa com papéis e cores, fico, sim, me questionando o tempo inteiro sobre a qualidade e valor do que faço, mesmo isso sendo algo subjetivo. E digo isso no sentindo mais amplo. Eu tento melhorar o que faço, melhorar o modo como vejo as coisas, melhorar quem eu sou...e acredito que só conseguimos nos aprimorar através dos estudos e questionamentos...E aí, quando vejo alguém (e ali no grupo não foi a primeira vez que vi alguém afirmar isso!) dizendo que a academia é algo que nos encaixota, fico mesmo na dúvida...Afinal, para quê servem, então, as teorias, as críticas? Será que não servem pra nada mesmo? Será que servem só para sabermos que elas existem? D:

Bom, deixo aí o questionamento. Espero que, pelo menos, tenha dado pra entender o que eu quis dizer. Espero que eu tenha me expressado bem! haha T_T

Obrigada por acessar o blog! ♥ 
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Comentários

  1. Olha, eu, com minha opinião de não entendida, tá? Eu acredito que a academia sirva sim para alguma coisa. Todo tipo de fenômeno na natureza, tanto humana como material é digna de estudo. Claro que a arte e formas de expressões artísticas são passiveis de estudo. Sabemos que houve épocas na humanidade em que a arte era padronizada, que deveria seguir certos conceitos para ser considerada como tal. Nos tempos de hoje, pós moderno, não existe, a meu ver, mais esses conceitos definitivos. Como estamos na era da comunicação, a mente é a nossa guia, não regras. Sendo assim, qualquer expressão pode ser artística se ela causa alguma sensação na pessoa que vê, ou faz. É muito íntimo, subjetivo, entendemos que a nossa memória afetiva tem muito a nos influenciar. Acho que a "academia" hoje tem a função de fornecer MAIS informações sobre e não CONDICIONAR ninguém. Acredito no fim das regras e liberdade total de expressão e entendimento da obra.

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    1. Oi, Nathy! Então, tu concordas que julgar um trabalho é, de certa forma, errado, por ser "academicista"? Me corrija se eu entendi errado... Concordo contigo que os tempos hoje são outros, e que a arte caminha junto com o tempo. Só não entendi muito bem a relação que fizestes entre a nossa mente com o fato de estamos numa "era da comunicação". Mas sei que existe uma corrente que acredita, sim, que a arte é "tudo aquilo que causa alguma emoção". Aliás, esse não é um pensamento novo..se não me engano, foi o próprio Kant quem disse isso. E não discordo disso, embora não conheça muito a fundo outros pontos de vista a respeito... Eu ouvi sobre essa teoria numa aula de história da arte na faculdade de design, e desde então fiquei com isso na cabeça, porque achei maravilhoso e me pareceu fazer muito sentido...mas, depois, pensando na subjetividade disso, me perdeu um pouco o sentido...por que, afinal de contas, uma obra pode causar alguma emoção numa pessoa, e em outra não. Então, sob esse ponto de vista, a obra é arte para uns, e lixo para outros? E o valor da obra fica onde? Só na cabeça de quem sente algo? E será que isso também, de certa forma, não banaliza o trabalho do artista?

      Eu gosto da ideia de liberdade de expressão, sim, mas me pergunto se devemos mesmo misturar as coisas, e classificar qualquer forma de expressão como arte...Porque aí entramos naquela questão de que se uma criança fizer um risco na parede, ela está se expressando, e aquilo deve ser chamado de arte?

      ai, eu sei que é um tema complicado, e já to começando a me arrepender de ter postado isso, até porque eu também não sou expert no assunto... auiehaiuehaeuiahi T___T

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  2. Excelente a tua reflexão, Bia. Acredito que é importante esse tipo de debate, até mesmo porque a internet anda bastante vazia de autocrítica. Eu tenho um posicionamento bastante firme com relação à dinâmica dos grupos no Facebook, por isso deixei de participar de vários.

    Penso que, quando mostramos nosso trabalho na internet, a tendência natural é procurar pares que dialoguem conosco e tenham algo a acrescentar. Ao participar de um grupo, nós (teoricamente) sentimos afinidade e um certo conforto com aquelas pessoas, e nos abrimos ao diálogo. Aí é que eu vejo dalguns fenômenos acontecerem:

    1. a pessoa pede uma opinião sobre seu trabalho e é execrada pelos outros membros;
    2. a pessoa vive pedindo opinião e fica em função disso, não consegue se desvencilhar do que os outros acham que ela deveria fazer;
    3. a pessoa não quer opinião, quer confete;
    4. os demais membros do grupo não possuem tato ou background para fazer uma crítica construtiva;
    5. a pessoa tá no rolê porque gosta de desenhar, mas não quer se profissionalizar, então pra ela tanto faz;
    6. a pessoa quer se profissionalizar, mas acha que ninguém ali tem algo a contribuir;
    7. a pessoa acha que é profissional e que não precisa melhorar.
    E por aí vai...

    O que eu quero dizer é que acho ok ter críticas construtivas dentro dos grupos, principalmente se as pessoas têm consciência de como fazer. E essa consciência vai vir, invariavelmente ou do conhecimento acadêmico ou da experiência no mercado de trabalho, quando não dos dois, ela não surge do nada.

    O que me preocupa em si é gente que se diz profissional, que age como amador e não aceita que outra pessoa diga que ela precisa melhorar. É o caso de quem vende original feito com material de baixa qualidade pelo mesmo preço de quem usa material profissional, que tem uma durabilidade maior.

    E sobre o academicismo, bom... é preciso conhecer para desconstruir. Como é que eu vou me propor a falar sobre artistas renascentistas se eu nunca estudei renascimento, não sei o que veio antes nem o que isso impactou na humanidade? Isso é outra coisa que noto acontecer muito nos grupos, a desvalorização do conhecimento como um todo, não importa se a pessoa estudou onde for, a partir do momento que ela não concorda comigo ela está desautorizada a opinar ¯\_(ツ)_/¯

    Vou parar por aqui porque já fiz textão hahaha, mas só queria deixar registrado que é muito importante sim esse tipo de reflexão, por que se nós não fizermos, quem vai fazer por nós, né?

    Beijão!

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    1. Eu ando refletindo sobre essas páginas no facebook, porque já me dei conta de algumas dessas dinâmicas também... :/ e acredito muito nessa teoria da desconstrução. Também acredito que seja importante conhecer bem as regras para quebrá-las. E isso vale para qualquer coisa na vida! E, pensando bem, acho que isso é o que faz mais sentido nessa questão todo papel da academia mesmo. E aí entra a questão da "propriedade da fala"; também não vejo sentindo em alguém que opina sobre algo que não tem conhecimento (e isso é o que mais vemos na internet, né). Apesar de que, por outro lado, eu consigo enxergar algo bom nisso, quero dizer, se a pessoa está opinando, ao meu ver, é porque ela tem algum (mínimo que seja) interesse no assunto, e através da discussão pode buscar mais informações. Acho que essa é uma das coisas boas da liberdade de expressão. Enfim, acho que é por aí também, se não fizermos esses questionamentos, quem fará? T_T

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  3. Oi, Bia! Acho q críticas podem ser úteis as vezes... mas nem sempre. Um exemplo que acho legal é o grupo do 2 Minds (onde a galera até ensina a pedir críticas e tal)... ou quando um profensor te ajuda a se aperfeiçoar em algum aspecto técnico da sua arte q vc tá querendo melhorar ou te dá um toque em algo que você não se tocou ainda é aquilo te ajuda de alguma forma. Mas eu acho q críticas as vezes refletem um gosto pessoal (e até preconceitos) com relação a questões subjetivas e aí que pode atrapalhar. Acho q algumas críticas podem deixar a gente travado, sei lá. E não deveriam. Outro dia mesmo vi uma quadrista (aquela do navio dragão que tá fazendo uma catarse) falando q recebia umas críticas super duras na faculdade de artes como se o trabalho dela não prestasse... e hje ela é bem reconhecida faz um trabalho massa e tal... e a gente sempre ouve esse tipo de coia. Então acho q a academia serve pra coisas acadêmicasão... ensinar história, falar de aspectos mais técnicos... mas pra crítica, muitas vezes mais atrapalha que ajuda (e vejo isso até pela minha faculdade de arquitetura... tb rolava um lado crítico que considero mais destrutivo que construtivo). Agora, quanto a palavra 'juízo de valor' sempre pensei que fosse uma coisa ruim. Acho qué tenho que pesquisar a respeito. Beijos e obrigada por compartilhar suas reflexões. :) Ps. Consegui mudar meu domínio! Finalmente!

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    1. Oi, Lili! É, eu entendo que a academia tende a ter uma olhar mais rígido pra coisa. Mas é preciso ter em mente que, por exemplo, uma coisa é você estudar belas artes, e outra é você pensar em trabalhar para o mercado. A belas artes é voltada para as belas artes, para a crítica mesmo! Já o mercado de trabalho é voltado para o lucro, para as massas, para o capitalismo mesmo! Acho que há uma certa dificuldade em separar essas coisas por parte de algumas pessoas (tanto de quem está na academia, quanto quem está fora). Mas acho que uma crítica mal feita, mesmo que positiva, pode ser destrutiva, sabe? Por que só dizer que o trabalho está lindo e maravilhoso, não agrega nada e impede de a pessoa evoluir. Acho que é uma questão de amadurecimento. Receber críticas é inevitável. Nós somos avaliados o tempo inteiro, em tudo o que fazemos, quer queiramos ou não. E as vezes, nós mesmos nos criticamos sem nem perceber... Sei que há uma corrente de pensamento rolando por aí, que diz que devemos nos cercar só de coisas boas, mas, sei lá, isso não me parece muito saudável também, né. Imagine que tipo de adulto se tornaria uma criança que passou sua infância inteira só recebendo elogios. Acho que uma dose de negatividade na nossa vida é necessária, sim. Como diz o ditado, nós aprendemos muito mais através dos nossos erros do que pelo acerto, né? Então, querer nos blindar contra críticas, não é bem a solução. O que precisamos é ter consciência e maturidade para saber sobre quais críticas nós vamos aceitar, e quais não vamos, e ponto. Acredito eu. Por que, afinal de contas, nós também temos o poder de negar uma critica, né? Tem um estudioso (Paulo alguma coisa, depois eu vejo direito o nome dele) que diz que nas críticas, por mais metódicas que sejam, em um ponto, elas acabam fazendo juízo de valor, sim. Isso é inevitável. Tem um método de critica que acho muito justo e sensato, que é através da justificativa do autor. Tipo, ele desenvolve o seu trabalho, e depois de pronto, ele deve ter o direito de justificar o porquê do seu resultado. Ele deve ter o direito de dizer porquê fez o que fez, quais eram os seus objetivos, qual foi o seu método de desenvolvimento...E a partir disso é que se faz a crítica. A partir disso se diz se o cara alcançou o objetivo pretendido ou não. Mas nisso, por si só, já é um juízo de valor, e pode entrar o gosto pessoal, e seus preconceitos... Mas como eu disse, nós temos o direito de também não dar bola para as críticas que julgamos não nos agregar em nada...

      Ah, preciso visitar o teu blog, ando meio por fora ultimamente. T_T to devendo uma visita a um bando de gente T___T Mas eu apareço lá, assim que der. bjsss :**************

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    2. Verdade! Tem críticas e críticas... mas na internet acho q o povo busca mais confete e poucos tem método pra pedir críticas e ser criticados. E, embora eu ache sim q a gte deve evitar chafurdar em más notícias e negatividade... q é algo fácil de acontecer pelas redes sociais e internet, com certeza a gente aprende muito com os erros e com críticas de alguém que a gente confia e respeita. Acho que o problema é o vitimismo e mimimi, mas claro a vida não é só feita de acertar e cor de rosa... tem vários lados mesmo. Por isso acho importante a gente continuar estudando sempre... de preferência tendo orientação de alguém com mais experiência e que a gente goste e confie (nem que seja de vez em quando). Quanto as visitas, não se preocupe... tb ando sumida lá do blog até por essas bad vibes políticas/sociais/e internéticas... ando meio bloqueda pra escrever. Mas tentando voltar. :* Ps. Desculpa tantos erros no comentário anterior! Escrevi no celular e obviamente não revisei direito. T_T

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    3. "na internet acho q o povo busca mais confete" sim, tem isso também. :/ ms por outro lado, eu vejo esses posts de "critique-me" como uma solução para aqueles que não têm a quem pedir por essa luz, digamos assim. Eu, por exemplo, não conheço ninguém mais experiente do que eu que se disponibilize a isso. Mas, realmente, tem muita gente que só quer receber elogios. Apesar, também, de que hoje em dia é muito mais fácil de conseguir material pela internet pra conseguirmos estudar e melhorar nossa própria percepção sobre o nosso próprio trabalho, mesmo. T_T Mas alguém que nos dêem uma luz mais pontual mesmo, alguém que nos diga "ah, tu tens que melhorar nesse pontinho específico aqui" também faz falta...e agora acho que estou me repetindo aiuehaui mas é complicado mesmo.
      Ah, tamos todos nessas bad vibes mesmo :/ mas não podemos perder a força e o foco na piruca! T___T bjsss :***************

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  4. Oi Bia. Não tinha visto sobre essa discussão no grupo, pois sempre sou desligada das coisas. (risos), mas fui lá dá uma espiada depois do seu post.

    Então, não escreverei um textão pois não sou super especialista nesse assunto de crítica artística. Sobre o site postado no grupo, achei válido, tudo o que você compra, automaticamente passa por uma avaliação, mesmo que a gente não perceba.
    A arte é algo extremamente difícil de se julgar, ela pode ser interpretada de diversas maneiras, deixar o sentimental de lado e construir um olhar analítico é bem complicado, pois a arte surge de um sentimento, um momento, um tempo cultural.

    Eu, por exemplo, sou apaixonada pela arte rupestre, já parou para olhar os traços? Minha percepção artística é praticamente um gosto particular. A arte realista não me agrada, acho ela uma cópia exata do mundo. Qual é a graça daquilo ser o mais próximo possível da realidade? Acho que concordo com Platão, quando ele fala sobre o mundo das ideias.

    Meus desenhos são aquilo que gosto, uma má interpretação, será dito que não sei desenhar. Como já ouvi pessoas dizerem: "Você desenha tão bem, pq está fazendo esse rabisco?" Acho que toda arte tem um fundamento, um influencia cultural.

    Concordo com você, é necessário sim uma avaliação, uma crítica construtiva, pois a arte de criar não só em pegar um lápis e fazer um risco, o artista estudou cada linha linha para colocar na tela, e aí vem um desentendido e diz " Meu irmão de 1 ano faz isso". A crítica construtiva serve tanto para mostrar que aquilo não é simples traço de uma criança de 1 ano, e serve também para melhorar a qualidade de seu traço.

    Não sei se fui clara, pois é realmente um assunto difícil de ser discutido.
    bjs
    Iza.

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    1. Oi, Iza! Então, existe muitas teorias a cerca da construção da arte. Uma delas, diz que toda arte é fruto de um conjunto de saberes, de conhecimentos. Os próprios artistas canônicos faziam o quê? Retratavam momentos culturais, como tu bem dissestes. O trabalho deles era uma construção sociológica, política, cultural, e sei lá mais o quê... Outros, no entanto, acham que a arte vem de algum lugar sublime, geralmente associado aos sentimentos. Geralmente, quem trabalha com o surrealismo e abstracionismo pensam assim, embora haja artistas dessa linha que trabalham com questões históricas também, como o próprio Dalí, né. Particularmente, eu gosto de pensar que ela vem de um casamento entre os dois, embora, acredito eu, o conhecimento vem acima de tudo. Por que, veja só, quando vamos colocar alguma coisa no papel, nós já temos uma ideia pré concebida na nossa mente do que queremos desenhar. Mesmo que ela não esteja 100% pronta, é claro. Essa ideia vai se montando na medida em que vamos colocando no papel. Mas a questão é que essa ideia vem de algo que nós já conhecemos préviamente. Como diz o ditado, nada se cria, tudo se transforma. E ainda tem outra questão, que é a da produção da obra, em si. Nós colocamos nosso conhecimento técnico na construção da nossa obra. Então, me parece meio falho dizer que a arte vem puramente do sentimento. Mas isso, sou eu que estou dizendo, né... também não sou expert no assunto.
      Sobre a crítica, como eu comentei, há métodos de fazer críticas. É bem certo que nem todo mundo conhece esses métodos, inclusive gente que está na academia não conhece, e é algo pra se ter consciência sobre isso. Nós somos criticados e julgados o tempo inteiro quando estamos fazendo um trabalho para um cliente, quando vamos no supermercado, quando saímos para fazer um pagamento no banco...onde quer que haja outras pessoas a nossa volta, com certeza seremos julgados, de uma forma ou de outra. Então, não querer receber uma crítica por que tem medo do mau julgamento, me parece algo meio sem sentido. Eu acredito que um pouco de negatividade nos fortaleça. Claro, tem coisas que realmente machucam o nosso ego, mas acho que também devemos ter maturidade para saber encarar essas coisas na nossa vida, e seguir adiante. Pois como eu disse, todo mundo é julgado o tempo inteiro, em qualquer lugar. E tem outra coisa, né, nós temos o direito também de nos negar a "ouvir" certas críticas. Nós não somos obrigados a tomar tudo o que nos dizem como verdade, justamente porque, primeiro, tem muita gente sem conhecimento nenhum dando pitacos à loca. Segundo que muita gente faz críticas com base em si mesma, sem saber o que o artista, no caso, tinha em mente. Por isso, eu acredito que, sem o direito de nos explicarmos, de dizer porque fizemos tal coisa assim ou assado, também não devemos creditar críticas. Nós temos o direito de nos justificarmos. E isso se aplica a qualquer coisa que façamos na vida, né. Mas eu acredito também que a crítica, justamente, serve pra isso, sabe?! Tanto para nos educarmos, quanto para educar os outros, os que não tem conhecimento nenhum sobre o assunto. Serve para eles verem que o nosso trabalho não é um mero rabisco. ;)

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  5. Acho que não tenho conhecimento suficiente pra opinar rs, mas gostei muito do seu questionamento e do feedback nos comentários.
    Acho muito complexo essa parada de críticas, pois do mesmo jeito que a pessoa tem que saber dar, o outro tem que saber receber, só assim ela vai ser construtiva. Ainda mais no mundo egocêntrico das artes isso é bem difícil de lidar. Enfim... gosto muito das suas reflexões... ;)

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    1. é, tecnicamente, também não tenho esse conhecimento não! T__T aiehaiuehaui mas acho que é isso mesmo, saber dar e saber receber, pq realmente a coisa é bem egocêntrica, como tu dissestes. Mas de certa forma faz sentido esse egocentrismo todo, se pararmos pra pensar que o nosso trabalho é a nossa maneira particular de nos expressarmos, né. É a forma como nos posicionamos no mundo, e nos expomos também. Então, acho que é natural nos agarramos meio que cegamente ao que fazemos. Mas é isso, um pouco de desapego é bom também. T__T auiehaueih
      obrigada pela visita, Thaty!!! <3

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