Falando em valores...


Olá!
Hoje acordei com a pulga coçando atrás da orelha, mais do que de costume... Mas a minha ideia aqui não é estabelecer o que é certo ou errado, nem justificar nada, mas apenas expor algumas coisas que andam me incomodando a respeito deste assunto e, quem sabe, com os comentários de vocês, esclarecer alguns pontos que estão conflituosos na minha cabeça. Pois desde a minha experiência lá no evento, isso tem me martelado. Yes!

Sei que falar em valores é um assunto complicado, talvez até chato, tanto para cliente, quanto para o produtor de serviços/produtos. Tem gente que não gosta nem de citar números, de tão desagradável (ou deselegante?) que acha isso. Sinceramente, não vejo nada demais... Não deveria ser constrangedor dizer o quanto se ganha ou perde. Às vezes, acho que as pessoas tomam essa questão como se isso também lhe atribuísse seu próprio valor. Ou pior ainda, pela posição que os números possam colocá-lo na sociedade, hoje. Se isso é bobagem ou não, não sei. Só sei que são apenas números, e que números não deveriam determinar nada (além da conta que tu pode pagar ou não). E números é uma convenção criada por homens... e acredito que qualquer coisa criada por homens seja passível de contestações e reflexões contrárias. Mas enfim...

Valores é uma coisa que eu sempre tive dificuldade em atribuir a tudo o que eu faço. Não apenas meus trabalhinhos artísticos aqui, como até na minha própria vida. Nunca soube "valorizar" corretamente (mas o que seria esse "correto", também não sei!) coisas simples da vida. Estou sendo sincera! E note que não estou afirmando que valorizo para menos essas coisas. Talvez, eu valorize até demais! O que estou dizendo é que valorizar é complicado.

Até nos meus trabalhos de design gráfico, por exemplo, sempre tive dificuldades. Lembro-me de que, na faculdade, os professores sempre diziam coisas do tipo: "valorizem-se!", "Não entrem na concorrência desleal", alguns até diziam "Cobrem caro, porque o seu trabalho vale isso". Aham. Mas também tinham aqueles que diziam "Cobrem o justo!". E aí eu sempre ficava com tudo isso na cabeça, me perguntando como aplicar tudo isso, porque me parece tudo meio contraditório um do outro, sabe? Cobrar caro, é cobrar justo? Será que cobrar o que eu valho também é justo?

E aquele "valorizem-se", é o mais complexo de todos. Porque, vejam só, na faculdade havia alunos com trabalhos excelentes, sim. Mas também havia aqueles com trabalhos bem pecaminosos e que, mesmo assim, passaram pela banca (com trabalhos tenebrosos — comentados não só pelos colegas quanto pelos próprios professores que os analisavam!) e conseguiram seu diploma. O que, convenhamos, acontece em qualquer faculdade, né?! E vamos falar sério, né, qualidade de trabalho existe! Qualidade de material existe, qualidade de produto existe, e qualidade de serviço existe. Não me venham com história sobre estilos, maneiras e gostos, porque não cabe nesse caso!

E aí me pergunto, mas será que eles têm consciência sobre a qualidade do seu próprio trabalho? E como adquirir essa consciência?

Sinceramente, acredito que com experiência, sim, mas também com orientações. De quem? De todos! Professores, colegas de aula, colegas de trabalho, clientes... e por aí vai. Não vou entrar no mérito das falhas do sistema acadêmico brasileiro, porque acabaria me estendendo demais aqui... Mas sabemos que existe, certo? Então, vou deixar que vocês inferirem o que quero dizer com isso, e pular para as tabelas de preços, porque também acredito estarem bem falhas.

Para quem não estudou artes, para os autodidatas, as tabelas de preço servem como uma boa base, mas, no geral, boa parte dos profissionais a seguem bem à risca. Principalmente os iniciantes. E é aí que entra o meu questionamento. Como determinar quem é iniciante, levando em conta a qualidade do seu trabalho. E como qualificar o seu trabalho, já que, como vimos, apenas a academia não garante isso?

E tem mais! Será que o "preço justo", citado pelos meus professores, entre outros tantos profissionais, deve ser justo somente para mim? E o cliente, como fica? Pois não vamos esquecer de outros fatores que engloba toda esse sistema de valorização, como a situação financeira dos clientes, os preços (absurdos!) dos materiais de arte cobrados pelas empresas aqui no Brasil, e o fato de que aqui não se consome arte (que soma aos cliente sem condições de pagar por arte, porque boa parte do Brasil tem prioridades mais relevantes em termos de consumo)! Ok, eu posso direcionar o meu trabalho para um público específico, para aqueles que têm mais condições por pagar o meu preço, mas, assim, não estaria eu excluindo o acesso aos outros? Sem falar que, se eu cobrar 10 pila, pensando no cliente, não recebo de volta nem o valor dos materiais que uso. Mas se eu cobrar 50, já não tenho cliente. Mas, de novo, como valorizar o meu trabalho, sendo um iniciante e de trabalhos de qualidade duvidosa (falando no geral!)?

O problema da tabela de preços, ao meu ver, veja bem, é que ela coloca todo mundo num mesmo patamar. E igualdade, em certos casos, olha só, não é justo!

Essa imagem é perfeita! Via.





Porque aquele cara iniciante tem menos experiência, tem menos técnica, menos cursos, do que o outro que fez faculdade, trabalha antes mesmo de entrar na facul com aquilo e... E será que o cliente está mesmo preocupado com essas questões? Quero dizer, ok, todo mundo gosta de consumir coisas de qualidade, bem feitas. Mas será que ele está mesmo preocupado com o processo que antecedeu à concepção do produto/serviço que ele vai consumir? Sei que eles gostam de ouvir todo esse blablabla, que agrega valores...Mas se tiver que pagar por 80 pila por algo que, para eles, é apenas um pedaço de papel colorido, será que eles vão mesmo considerar mais?

Sei que os profissionais também tem o papel de educar o seu cliente, bem como sei que esse não é um papel fácil. Demanda esforço, tempo e alguns fios de cabelo a menos... E aí já penso na solidão dos artistas independentes e autorais, que precisam, sozinhos, fazer todo esse trabalho de educação dos seu clientes... E será que os clientes vão mesmo mesmo ouvi-los?(tive poucos, até agora, para estabelecer um parâmetro sobre isso).

(suspiro)
Continuo vendo isso tudo como uma roda, que fica sempre dando voltas e voltando ao ponto inicial desse giro, sabe?

Bom, espero que tenha ficado claro que tudo isso foi apenas um desabafo (bem confuso, eu sei) sobre questões que não sei responder, talvez um "call for help", por que, pelo que tenho visto, a coisa anda bem caótica e, o que é pior, desorganizada! Vejo gente morta boa cobrando barato, e gente ruim cobrando caro...E, sim, eu ainda me vejo sem saber para onde ir! Pretendo ir a um evento mais voltado para artistas independentes aqui, no final do ano (isso vai depender de ser selecionada pelos organizadores) e, por isso, continuo pensando sobre isso. Sou dessas que fica se remoendo em cima de um assunto, até que tudo fique muito bem resolvido e esclarecido. T__T Mas sei que provavelmente não tereis tudo isso esclarecido, simplesmente porque não deve haver apenas uma única resposta a isso t.t, mas, de qualquer forma, era algo que eu precisava por para fora...e nada melhor do que desabafar para colegas desenhistas (descobri a diferença entre desenho e ilustração!) que enfrentam os mesmos dilemas. 

Enfim, obrigada aos que leram até aqui o meu mimimi — acho tão fofinha essa expressão! :D
Na verdade, já tenho pronto dois outros posts com mais mimimi, um sobre juízo de valor e outro sobre direitos autorais (este segundo é uma tradução que fiz sobre o assunto), mas deixarei para postar na semana...

E boa páscoa, pessoal! <3


Obrigada por acessar o blog! ♥ 
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Comentários

  1. Todas essas questões ainda me tiram o sono. Vez ou outra me pego pensando se estou cobrando muito barato ou muito caro pelo meu trabalho, mas 90% do problema foi resolvido quando calculei minha hora trabalhada nesse site aqui: http://www.minhahora.entreoutros.com
    Eu indico sempre porque foi o que realmente me ajudou. Pude estipular quantas horas trabalharia por dia, o próprio site faz o cálculo de custos com equipamento e dá o valor da minha hora. A partir disso, posso ver quanto tempo demoro pra fazer um serviço e oferecer um valor justo para mim e para o cliente.
    Por exemplo, se a tua hora trabalhada gira em torno de R$ 100, e tu levas 2h para finalizar uma ilustra, o preço final não pode ser abaixo de R$ 200. Fica bem fácil entender depois disso.
    Quanto às tabelas, acho que varia muito de região para região. Morar no interior do RS não é o mesmo que morar em São Paulo - SP, então eu sempre procuro me contextualizar também. Claro que eu tenho a tabela da SIB aqui para consulta, mas é só pra não cobrar um preço muito diferente ou fora da casinha.
    Mas faz isso da hora no site, dá até pra baixar a planilha depois e, de ano em ano, refazer o cálculo.
    Beijos!

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    1. Ahh, tens razão, ainda tem essa questão da regionalidade, que varia...isso é outra coisa estranha...mas, bhaaa, adorei esse site! ♥ Não conhecia ele. obrigada pela dica! ♥

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  2. Oi, Bia! Acho que esse assunto é um desafio para 9 em cada 10 artistas! No curso de empreendedorismo que eu fiz, aprendi que valor é diferente de preço... valor tem várias dimensões (ex. um produto pode ser extremamente útil pra pessoa, fazer com que ela sinta que tem um determinado status, fazê-la se sentir bem... e tudo isso são valores) e só o consumidor pode dizer o valor que o produto vai ter pra ele! Pelo que aprendi também (e pra mim isso faz muito sentido) o consumidor paga um determinado preço por algo, quando esse algo tem mais valor(es) pra ele do que manter seu dinheiro. Concordo com a Lidy que a gente tem que aprender a calcular o preço mínimo para que valha a pena o tempo e outros recursos que investimos... e nesse momento podemos considerar tabelas, valores cobrados por outras pessoas no mercado (e acho que faz mais sentido nos comparar com pessoas que cobram preços que consideramos justos). Sinceramente as vezes acho que o preço que certas pessoas cobram é muito alto... mas acho que o pior é quando as pessoas não cobram nem o material que gastam. Enfim... É uma questão complexa!!! Ps. Fiquei curiosa com o q vc descobriu sobre a diferença entre desenho e ilustração. Essa é uma dúvida que tenho.

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    1. interessante essa questão do valor, que dissestes, Lili. Acho que faz sentido mesmo dizer que valor é uma coisa pessoal, que vai de cada um...mas de qualquer forma, acho que fica a dúvida sobre qual o verdadeiro valor das coisas...a não ser não que haja um verdade sobre isso, considerando que valor é algo subjetivo mesmo... isso até se contrapõe com um outro post que eu estava escrevendo sobre juízo de valor... mas, enfim, trocando a palavra valor por preço, deste post, a dúvida ainda permanece...como qualificar o preço das coisas? T__T mas também concordo, sim, com o ponto da Lidy... realmente é complicado T__T
      Ahh, sobre desenho e ilustração, de maneira bem simples, ilustração é aquele desenho que acompanha um texto. Por exemplo, em livros, o que temos é ilustração...já esses que fazemos e postamos no instagram, por exemplo, são apenas desenhos, por que não são acompanhados por um texto, que complementa a mensagem da figura. Há uma teoria meio filosófica mais cabeluda por trás desses conceitos, que não entendi muito bem, mas simplificando a coisa, é só isso. :)

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    2. Acho que é mesmo uma questão subjetiva... tanto que vc pode cobrar um preço diferente por um mesmo desenho dependendo do propósito que ele vai ter... tipo: se a gente fizer uma bonequinha e vender um print dela, o preço que a gente vai cobrar vai ser menor do que se a gente ceder os direitos de reprodução dessa bonequinha pra uma marca pequena usar num produto... e se a gente ceder esse direito pra uma grande marca... a tendência é que o preço seja bem mais alto. Por quê? O valor gerado pra quem vai adquirir o nosso desenho, nos 3 casos, é diferente. Ainda que o desenho seja o mesmo. Um exemplo que não é só uma qualidade funcional que determina o valor/preço de alguma coisa... Se não fosse assim não se pagaria uma diferença tão grande por um iPhone...

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    3. Ah, gostei de saber a diferença de desenho e ilustração. Obrigada!

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    4. sim, sim...essa questão de cobrar de acordo com o objetivo do comprador eu "to ligada", apesar de não ter considerado mesmo aqui, no meu desabafo, hehe. Mas sei lá, ainda fico com meus receios em relação aos números, na questão da qualidade x preço...principalmente sobre como qualificar de maneira justa. T_T

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  3. Nossa, valores pra mim são também de arrancar os cabelos e entra no que você disse: tem gente boa cobrando barato e gente ruim cobrando caro. Ai acho que é o que querem dizer com valorize-se, mas ai entramos na roda que você falou =/ Eu cobro por hora, assim eu faço os cálculos com base nas minhas contas de casa e tempo que gasto pra fazer algo, acho assim mais "justo", mas nunca sei se tá bom também rsss

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    1. acho que todo mundo passa por esse sufoco mesmo T_T mas pelo que tenho visto, esse é o caminho mesmo. Cobrar por horas, com base nas contas de casa mesmo, como o site que a Lidy sugeriu faz. :)

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