Comentários: Mangás da L&PM



Olá!

Faz tempo que não falo sobre mangás aqui, então, resolvi trazer essa coleção que consegui há um tempo, e só agora consegui terminar de lê-los. o/

Já fazia um tempo que eu queria ler esses clássicos, mas como sabia que a linguagem deles não era nada fácil, eu sempre ia deixando de lado para um momento em que eu estivesse mais "preparada" para eles... Acredito que certas leituras dependem do nosso amadurecimento para serem bem compreendidas... Mas quando vi que a L&PM estava lançando uma versões destes clássicos, corri pra adquirir elas! E não me arrependi nadica. São muito, muito bons. São histórias que nos faz pensar e rever alguns conceitos que temos a cercas das coisas. São obras de difícil leitura e que a L&PM está trazendo para facilitar o entendimento e dar mais acesso a essas obras que, então, infelizmente, poucos têm acesso.

Mas antes de falar sobre eles, é preciso ter em consideração de que eles são adaptações mesmo. E que isso significa que não são a obra original por completo. Afinal, estamos agora falando sobre um outro tipo de mídia, os mangás. Aliás, eu nem os chamaria de mangá, por não obedecerem a regra japonesa (e o mangá é quadrinho Japonês!) de leitura, de trás pra frente e da direita pra esquerda. Talvez por medo, a L&PM resolveu manter o padrão ocidental de leitura, não sei...mas como eu ia dizendo, para fazer adaptações é preciso levar em considerações várias aspectos que dependem tanto da obra de origem, quanto da mídia de chegada, além das especificações dos produtores (aqui, no caso, seria a L&PM quem determina essas especificações — baseadas em seu público e mercado).

Tô falando nisso por que a primeira coisa que meu namorado disse, quando leu o mangá da Metamorfose (ele já tinha lido o livro - também da L&PM) foi: "mas tá faltando coisa aqui, e acrescentaram coisa aqui!"

Tipo, sim, claro! Isso ocorre na maioria das adaptações. Já vi filmes adaptações de livros, alguns (poucos) fieis à obra, e o resto não. Provavelmente porque o livro tinha elementos de fácil adaptação e correspondentes ao mercado. Adaptação não é uma coisa fácil. Tanto que há livros e mais livros sobre estudos a respeito disso. Adaptação é um troço complicado mesmo. Mas o bom de se ler essas adaptações "facilitadoras" é que elas tornam a compreensão da obra original mais clara. Mas elas servem como uma pré-leitura, uma leitura de "esquentação" para o livro original.

Então, antes de julgar as adaptações, é preciso estar ciente dessas coisas....

Outra coisa que preciso dizer aqui é que o meu intuito não é discutir política, hein! Muito menos sair pregando ideologias, ou qualquer coisa parecida. Não quero prestar este blog pessoal para isso. Só estou trazendo uma recomendação minha de mangás e histórias que eu gostei que, por acaso (ou não, né?!) têm a ver com o tema... Vou tentar ao máximo ser imparcial aqui, relatar apenas o que li, o que entendi das obras, e nada mais...  Os comentários que faço são apenas breves observações dessa leitura, da minha interpretação pessoal, enfatizando que há inúmeros modos de ver a mesma obra, né. ;)

Vamos então ao que interessa! 

Lembrando que, a partir daqui, haverão spoilers, hein!



Bom, vou começar pelo Manifesto do Partido Comunista, que foi o último que li. Ele mostra bem como o Comunismo, em sua teoria, não é essa coisa horrorosa que muita gente têm exposto por aí. Pelo contrário, é uma ideologia que visa a igualdade social, diferentemente do capitalismo que visa os lucros. No entanto, o livro mostra como é difícil de conseguir alcançar um ideal como esse, simplesmente (a curto e grosso modo) porque sempre vai existir pessoas que olham somente pro seu umbigo. E até mesmo dentro do próprio comunismo. Tanto é que, no final, ele finaliza dizendo que o comunismo mesmo só dará certo quando as pessoas tiverem mais amor no coração (e eu acrescentaria educação também), para poder olhar mais para os lados, enxergar o outro como ser humano ao invés de uma simples mão de obra.



Os irmãos Karamázov é muito interessante também, porque mostra como a sociedade que visa somente o lucro pode afetar as relações familiares também. Nele, temos um pai ganancioso, e três irmãos: um religioso, outro ateu, e um ex soldado de temperamento forte. O pai é tão ganancioso (mas porque teme falir e ficar pobre, sem nada na vida) que nem se importa de passar por cima dos próprios filhos para conseguir o que quer. E aí tem toda a questão do irmão religioso que se nega a ver a "realidade", que acredita piamente que as pessoas podem viver em paz, sem lutas e brigas, enquanto o ateu (que tem o diabo no corpo — como de certa forma é visto por muitos) acha que ele é um ingênuo. Mas o interessante dessa parte é que o livro acaba confundindo o conceito de realidade, no sentido, "mas o que é real? aquilo o que eu vejo ou o que você vê?". E nos faz pensar, né...

E o ex soldado, um tanto tão ganancioso quanto o pai, vive brigando com ele porque seu pai roubou a herança de sua falecida mãe, e ainda "roubou" a mulher do próprio filho...E a partir disso tramas são articuladas, trapaças e esquemas de traição...



Já O Contrato Social é mais leve. Ele mostra como a sociedade é formada, e porque se forma. Por que temos necessidade em viver em sociedade...É igualmente interessante pensar em como estamos todos presos a essa coisa maior que nos envolve sem nem que a gente se dê conta no nosso dia-a-dia...Em como somos seres individuais (e somos milhares no mundo!) e ao mesmo tempo, unidos, podemos formar uma coisa só.



A Metamorfose é um pouco mais denso. Nele, o enfoque fica no personagem principal. Ele, como membro de uma família de proletariados, se vê obrigado a sustentar a família, e mostra como isso pesa no consciente do individuo. Como o trabalho árduo o escraviza e o massacra. Como essa obrigação de ter que trabalhar para ganhar dinheiro pode ser algo sem sentido. Ele tinha sonhos e desejos, mas não pôde concretizar nada para se sujeitar ao trabalho, à obrigação de ganhar dinheiro para sobreviver. É uma coisa bem triste, mas que, ao meu ver (e aqui vai a minha opinião pessoal mesmo...), faz muito sentido, porque sempre me perguntava qual é o sentido que algumas pessoas têm em declarar com orgulho que trabalha? Como se trabalho fosse apenas uma coisa boa! Como se trabalho não trouxesse desgaste físico, mental e emocional; como se essa forma de trabalho que temos hoje não fosse algo imposto... :/



O Grande Gatsby, que vocês já devem ter visto o filme (e eu ainda não vi T_T) mostra o outro lado da sociedade. A sociedade glamourosa, que têm dinheiro. Mas como todo esse glamour pode ser apenas uma ilusão dentro dos conflitos internos e familiares. E é interessante ver como, afinal de contas, todos temos! Tanto gente que tem dinheiro como gente que não tem, podem ter os mesmo problemas.



Em Busca do Tempo Perdido mostra a história de um jovem sonhador que faz de tudo para entrar na "alta sociedade" e viver como tal. Ele anseia em provar "desse mel". Mas, quanto mais ele ia percebendo como as coisas funcionavam apenas por trocas de interesses, ele ia ficando apático, ia perdendo o sentido de sua vida, até não conseguir mais amar o próximo, pensando apenas em si mesmo. Ele acaba transformando os ideais dos outros como ideais dele próprio. Mas o interessante aqui é que ele mostra um interpretação do próprio personagem com relação aos outros. De certa forma, ele generaliza, interpreta o que vê, e age de acordo.

Enfim, é isso. Essa não é a coleção completa de adaptações da L&PM. Ainda faltam o Hamlet, que como eu já li o original, resolvi não comprar...e falta o Interpretações de Sonhos do Freud, que não achei em lugar nenhum! T__T Mas são leituras que recomendo a todos de olhos fechados! 

Ah, acho que poderia falar também sobre a arte... Todos foram ilustrados pela mesma equipe, a East Press, mas dá pra ver que todos eles passaram por mãos diferentes. O traço que mais me agradou foi o dos Irmãos Karamázov. É um traço um pouco mais refinado e proporcional (alguns tem problemas de proporção terrível!), mas não é nada que atrapalhe a leitura ou o próprio prazer de ler. Depois de algumas páginas, a gente sempre acaba se acostumando ao traço mesmo... ;)

Obrigada por acessar o blog! ♥ 
Me encontre também aqui: 

Comentários

  1. Ah, eu adoro esses mangás *--* Também fico me perguntando por que a L&PM não quis seguir a orientação de leitura japonesa, mas tudo bem. Acho um material bem digno! E as adaptações são muito boas para o público leigo entender essas obras. Eu tenho Hamlet (meu 1º favorito), A Metamorfose, O Grande Gatsby e A Arte da Guerra (meu 2º favorito). Quero ler Em Busca do Tempo Perdido e Assim Falou Zaratustra, mas por aqui também está difícil de achar.
    Trocando de editora, vc já leu Feridas e Só Você Pode Ouvir? Eu amei esses!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ah é, esqueci de mencionar o arte da guerra e o Assim falou Zaratustra, que fazem parte da coleção e quero também *_* bha, se aqui tá ruim de achar esses, imagino que aí deve ser mais complicado ainda mesmo T__T E, sim, eu tenho esses dois também! E tem também o Tsumitsuki (espirito da noite), que é do mesmo autor e igualmente bom! :) Eu ando na "vibe" dos oneshots ultimamente! Tem saído bastante mangá bom assim por aqui!

      Excluir
  2. Que legal! Fiquei com vontade de ler o Em busca do tempo perdido! É um dos livros favoritos da minha mãe, mas ela mesma já me desaconselhou de ler pq diz ela q não acontece nada a maior parte do tempo na looonga série. Ahaha! Suponho que optaram pela leitura ocidental pra atingir um público que não é leitor de mangás...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ahhh imagino que o livro seja mais massante mesmo, já que nessa adaptação mesmo tive essa sensação numas partes. haha Mas, sim, deve ter sido por isso também, que optaram por esse modelo de leitura... obrigada pela visita e pelo comentário, Lili! <3

      Excluir

Postar um comentário

Agradeço aos que reservarem um tempinho para comentar! ♥
Ah!, se tiver alguma sugestão de post ou quiser mandar alguma dúvida, ou qualquer mensagem, vou amar receber *-*

Postagens mais visitadas