quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Um pouco sobre poética


Olá!
Como vocês sabem, eu não sou formada em Artes. Já pensei em entrar para o curso, até tentei o vestibular no ano passado, mas acabei desistindo depois de alguns concelhos que recebi e alguns comentários que li a respeito do curso. Mas ainda assim me interesso pelo tema, e gostaria muito de poder me aprofundar nisso.

Uma das coisas que tenho mais buscado ultimamente é construir um conceito. Acho que trabalhar com conceitos torna o trabalho mais consistente, mais sólido, mais substancial. Até cheguei a trocar algumas palavrinhas sobre isso com a Lili ♥, que ainda me deu algumas ideias muito boas a respeito disso, como "pensar no que eu gostaria de transmitir com o meu trabalho e também analisar que elementos já aparecem naturalmente/inconscientemente nele e que eu mais gosto... e tentar reforçar isso. (...) pensar coisas que eu gosto de outras áreas da vida e testar como elas poderem ser incluídas." 

Aí, lendo e relendo isso, me lembrei que existe essa coisa chamada Poética dentro da arte, que mais ou menos deve transmitir todas essas ideias. Então, resolvi dar mais uma pesquisada sobre o assunto para ver se, assim, quem sabe, uma luz aparece no final do túnel. :)

Bom, minha pesquisa começou pelo básico, o Wikipédia, que dá uma boa definição sobre o que é a poética. De acordo com o site,
"a poética é o estudo das obras literárias, particularmente as narrativas, que visa esclarecer suas características gerais, a sua literalidade, criando conceitos que possam ser generalizados para o entendimento da construção de outras obras. Além disso a poética também pode indicar um ato em si, como uma resignifcação semântica de determinados elementos, normalmente ligados à palavra e seu significado dentro de um contexto, mas passível de ser aplicável também a qualquer outro objeto ou entendimento onde se possa resignificar um valor já atribuído, dando novos sentidos. Esse processo está intimamente ligado ao imaginário, onde a atribuição de significados é uma constante. (...) a função poética, que é sempre subordinada à linguagem, estabelece no seu exercício de significação e perversão da realidade. Assim as funções da linguagem não se limitam a nomear o mundo, mas na sua prática justamente conferir existência à realidade."
Acho que a curto e grosso modo, resumindo de uma maneira beeeem simplificada, podemos dizer que a poética é a interpretação que fazemos de um trabalho, desde que essa interpretação seja refletida em algum aspecto da realidade. Como diz aquele famoso ditado (que parece ter vindo do próprio Aristóteles), pois "a arte imita a vida". O infopédia traz mais esclarecimento sobre isso, dizendo que a poética deve reproduzir "apenas o real, mas pensa ser preferível a captação imaginativa daquilo que é mais verosímil do que verdadeiro e mais universal do que particular. (...) deve moralizar e não apenas causar prazer."

Pelas minhas pesquisas, foi Aristóteles mesmo o primeiro a pensar sobre o tema, e definir conceitos que a poética pode abordar. Como, por exemplo:
  1. Mimesis ou "imitação", "representação".
  2. Catharsis ou "purgação", "purificação", "esclarecimento".
  3. Peripeteia ou "reversão".
  4. Anagnorisis ou "reconhecimento", "identificação".
  5. Hamartia ou "erro de cálculo" (entendida no Romantismo como "falha trágica").
  6. Mythos ou "roteiro", "argumento".
  7. Ethos ou "caráter".
  8. Dianoia ou "pensamento", "tema".
  9. Lexis ou "retórica", "fala".
  10. Melos ou "melodia", "música".
  11. Opsis ou "espetáculo".
Na época em que ele pensava sobre isso, Aristóteles se referia somente à arte escrita, pois, até então, era a única forma de arte considerada. Foi somente mais tarde que passaram a ver pinturas e esculturas como arte, e, aí, todo o conceito sobre poética que ele havia elaborado sofreu distorções. "A Poética passou a ser tratada como um cânone que determinava estilos que deveriam ser seguidos ou combatidos por várias correntes estéticas, como o Classicismo e o Neoclassicismo." Achei isso bem interessante porque eu nunca tinha parado para pensar no Barroco ou o Art Nouveau como poética (e agora faz muito mais sentido! duh). Sempre achei que fosse apenas um período na arte, derivado do pensamento filosófico e do momento histórico da época que, por acaso, seguiam um mesmo padrão. Que inocente!

Dentro disso, fiquei me perguntando qual seria o padrão da arte Contemporânea, que sempre foi um mistério para mim. Nunca consegui compreender bem, desde a época em que eu estudei história da Arte no curso de Design, o que diabos era, de fato, a Contemporaneidade. Os professores sempre mostravam trabalhos como os do Andy Warhol que, para mim (veja bem, PARA MIM), nunca disseram muita coisa. E com a chama da curiosidade sobre esse assunto acesa de novo, :D resolvi buscar mais algum esclarecimento com o nosso amigão Wikipédia que "diz" que os estudiosos consideram que
"a arte contemporânea, em seus estilos, escolas e movimentos, tenha surgido por volta da segunda metade do século XX, mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial, como ação de ruptura com a arte moderna. Depois da guerra, os artistas mostraram-se voltados às verdades do inconsciente e interessados pela reconstrução da sociedade. Sobrepôs-se aos costumes, a necessidade da produção em massa. Quando surgia um movimento na arte, este revelava-se por meio das variadas linguagens, através da constante experimentação de novas técnicas. (...) A efervescência cultural começou a questionar a sociedade do pós-guerra, rebelando-se contra o estilo de vida difundido no cinema, na moda, na televisão e na literatura." 
Ou seja, ela toda é embasada na crítica do mundo comercial em que vivemos hoje, pois os avanços tecnológicos também entram nessa receita. Aí, comecei a me lembrar de trabalhos como estes, que são puramente críticos.
"A consciência ecológica e o reaproveitamento de materiais são temas recorrentes, que se popularizaram no final do século XX. Em paralelo, a revolução digital e a consequente globalização, por meio da internet, formam o período mais recente da contemporaneidade."
Com isso em mente, fiquei me lembrando de trabalhos como os da Velonyca, da Maruti, da Stephanie, da Lauren, a Ania e a própria Lili  (entre tantos outros artistas) que me parecem trabalhar com a subjetividade do inconsciente, mas mais voltado para o espírito das coisas (do eu próprio, da natureza, do espaço...), me perguntando sobre qual seria o próximo movimento. E tem se falado tanto em autoconhecimento, em paz interior, em buscar um olhar mais transcendental para as coisas a nossa volta, né?! Inclusive tem aquela teoria sobre a nova era profetizada pelos povos Maias, que mais ou menos se refere a isso também. Bom, talvez eu esteja falando uma grande bobagem aqui, hehe, mas esse tema foi algo que me fez refletir a respeito disso.

Nesse pequeno artigo, escrito por alunas de especialização da FASETE, consta que
"pensar a linguagem poética é antes de tudo refletir sobre o “estranhamento” provocado pela mesma diante da configuração e significação que envolve o seu desenvolvimento. (...) a poesia, enquanto linguagem é uma forma eminente da experiência e da expressão da própria realidade, já que é na linguagem que se dá a abertura do mundo, que se dá o “ser” das coisas. (...) O dizer diferente identificado na linguagem poética leva ao leitor possibilidades para pensar a língua e sua carga expressiva, que, de acordo com Michelitti (2000, p.22-23) o conduz a uma reflexão mais ampla que envolve desde questões existenciais até o posicionamento do sujeito leitor no seu grupo social." 
Bom, falando em questões existenciais (que inclusive a Lili tinha comentado sobre a questão do autoconhecimento também, para a elaboração do conceito), para finalizar o textão, encontrei uma definição bacana sobre Poética Pessoal que me parece ser mais voltado para o trabalho do indivíduo como indivíduo, e não como sociedade, como a maioria dos trabalhos são vistos. Ali, ele diz que essa tal de poética pessoal é
"o modo singular de comunicar-se pela linguagem da arte. Se a aproximação da Arte-Público é um caminho de múltiplas direções, a obra do artista é seu coração e a poética, o que o faz bater. Mais do que conhecer uma ou outra obra, perceber a poética de seu produtor é conhecer a aventura de seu processo criador, seus repertórios pessoal e cultural, suas escolhas, inquietudes e procedimentos. Cada pessoa possui uma poética que é adquirida com suas experiências, estudos, convívio com outras pessoas, etc.. A Poética de cada um influencia seu modo de ver, sentir, pensar e fazer arte. (Proposta Curricular 2009, Secretaria da Educação SP, Caderno do Professor)"
Inclusive, mais abaixo ele dá uma dica muito interessante de criar um mapa mental (um diagrama) fazendo uma análise de si mesmo, aquela coisa do autoconhecimento, para depois descrever dentro desse diagrama as nossas preferências, nossos gostos. E isso me remeteu de volta ao conselho da Lili! Acho que tem tudo a ver, e fiquei morrendo de vontade de fazer isso, para tentar descobrir com quais conceitos devo me ater, embora eu já faça ideia de algumas coisas. Então, vou deixar para mostrar para vocês esse mapa outra hora, quando eu conseguir finalizá-lo, pois acredito que vá levar algum tempinho...

Enfim, obrigada aos que tiveram saco para ler até aqui! T__T

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4 comentários

  1. Caramba, Bia! Que reflexão interessante e profunda você fez! Fiquei com vontade de imprimir seu texto e ficar estudando ele, fazendo anotações! Ahaha! Me senti muito chique de ser citada, obrigada por isso e por compartilhar o que você andou estudando e pensando. Me enriqueceu muito (e provavelmente vai enriquecer mais quando eu imprimir seu texto e estudá-lo mais a fundo... se for o caso volto aqui pra comentar mais). Gostei de saber dos conceitos que a poética pode abordar... Nunca tinha pensado muito nisso em termos de artes visuais, só um pouco nas aulas de literatura na escola... mas realmente é algo bacana que podemos aplicar pra outras formas de arte. Acho que essa de fazer um mapa mental pode ser uma boa ideia mesmo! Algo que tb achei muito interessante em termos de autoconhecimento, foi fazer uma linha do tempo com fatos importantes da minha vida desde a infância e como eu me sentia em cada um desses momentos... tipo o que me incomodava e o que me deixava feliz. Fiz isso como parte de um curso, no sentido de planejar minha carreira futura, mas acho que pode se tornar algo bem mais revelador! ;) Tb tinha vontade de estudar artes visuais. Inclusive fiz um semestre depois que me formei em arquitetura, mas depois me mudei e não fui atrás disso. Quem sabe no futuro? (Tb tenho minhas ressalvas quanto a fazer mais um curso universitário). Beijos!

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    1. Aqueles 11 conceitos do Aristóteles são dignos de mais analises mesmo. Só não comentei mais sobre eles para não me estender mais com o textão, mas vamos estudar, sim! xD Acho que é um tema interessante que só tem a nos enriquecer mais, com certeza. Gostei da ideia da linha do tempo também. Aliás essa questão do auto conhecimento é tão engraçada... Uma vez, fiz uma seção com uma psicoterapeuta que aplicou um teste de autoconhecimento, e foi muito estranho, por que a gente tem a falsa certeza de que nos conhecemos bem, afinal, somos nós mesmos, como não nos conhecemos, né? é estranho...mas o resultado revelou taaaantas coisas que eu não fazia ideia do que eu fazia, mas lendo fez todo o sentido! Foi muito engraçado (no sentido estranho da coisa). E isso casa tão bem como o nosso trabalho, pq produzimos aquilo que é reflexo nosso. Então, o autoconhecimento realmente é importante pro nosso trabalho (não só no meio artístico, na verdade, né?!). Sobre uma segunda faculdade, eu não vejo problemas, a não ser o financeiro... Na verdade, estou terminando a minha segunda faculdade agora (Letras), e tava querendo fazer uma terceira! hahaha Mas me disseram que como eu já tenho o curso de Design que teve uma boa abordagem teórica em artes, fazer um curso de artes pode não ser tão interessante, visto que o curso só aborda muito mais as questões teóricas do que as técnicas. Já vi gente dizer que se formou em Artes Visuais e não aprendeu a desenhar!! :/ e eu queria justamente é ter uma base mais sólida na técnica. Então, o mais interessante é investir em cursos específicos de desenho e pintura mesmo, do que mais uma faculdade... Não sei qual era o teu objetivo, mas se for isso também, acho que a dica vai valer pra ti também. ;) bjsss :************

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  2. Bia, que ótimo post! é muito bom ver esse tipo de discussão na blogosfera.
    Eu não tive uma disciplina direta sobre poética na faculdade, mas estudei dentro da metodologia da arte, história. Gosto de um livro do Alfredo Bosi, "Reflexões sobre a Arte", que traz algumas coisas bem interessantes. E sobre poética pessoal tem o "Gesto Inacabado", da Cecília Almeida Sales.

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    1. Ahh, que bom, mais referência sobre isso!!! :D vou dar uma pesquisada neles, obrigada pelas dicas! T_T Eu tive no curso de design uma disciplina chamada "Estética", o professor era super fã do Kant, mas lembro que ele falou um pouco sobre poética também, mas de maneira bem superficial. As vezes eu queria poder voltar no tempo para ter aproveitado mais essas disciplinas, pq naquela época eu não pensava tanto em trabalhar com ilustração. T__T

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