sábado, 8 de agosto de 2015

Influência, inspiração e referência: o que são?


Olá!
Talvez eu não seja a pessoa mais apropriada para falar sobre isso, por nunca ter feito um estudo aprofundado sobre esse assunto, mas é algo que coça atrás da minha orelha há um bom tempo, desde a época em que estudava Design, pra falar a verdade. Principalmente, por que esse assunto tem relação com o plágio. E, para quem não sabe, já fui alvo no deviantart de uma pessoa que simplesmente salvou minhas ilustrações no perfil dela, e não teve nem a capacidade de tirar a minha assinatura, dizendo apenas que eu tinha mudado de perfil para o que ela tinha criado  (olha a cara de pau) — pois, na época, fiquei inativa no site por um bom tempo, e ela, de certo, achou que eu não estava mais acessando o site e não veria o que estava fazendo! Só que, apesar de não estar postando nada, eu acessava para ver os trabalhos dos artistas que eu seguia lá, sim. E fui alertada por outras pessoas que me seguiam. Então, entrei em contato com a criatura e consegui fazer com que a pessoa retirasse minhas ilustrações. Ou seja, ali, a pessoa agiu totalmente de má fé, pois nem um pedido de desculpa foi dito pela criatura! ¬¬  Depois, tive dois ou três casos de plágio das minhas fanfics, e nesses casos foram por falta de informação mesmo. Conversei com as pessoas numa boa, e elas entenderam que o que estavam fazendo era errado. No fim, deu tudo certo. :) Além disso, agora, o site em que eu postava, está fazendo um trabalho excelente contra o plágio.

Bom, o que quero dizer é que algumas pessoas simplesmente confundem as coisas e acabam, então, muitas vezes por falta de informação, copiando, plagiando. Então, desde que escrevi aquele post sobre fanarts, a ideia de escrever esse post foi fermentando na minha cabeça, porque esse era outro assunto sobre o qual eu queria escrever também (até já tinha escrito algo parecido no meu blog antigo, mas era muito mais voltado para a escrita, e aqui acho que consegui mesclar um pouco — escrita e ilustração)... E aí teve o post que a Lidy liberou essa semana sobre cópias (muito bom!), e resolvi por a mão na massa. Pois como eu comentei à Lidy, acredito que nós, que temos essas informações, temos o compromisso de educar (como ela mesma diz) os demais que não tiveram acesso a essas informações. Por isso, fui atrás de referências, e fui lendo tudo quanto é material que encontrei por aí (e que, infelizmente, não foram muitos!) a respeito para poder escrever aqui.

Afinal, quem nunca se perguntou a diferença sobre eles? Agora, para mim, eles são bem distintos, mas entendo que para alguns ainda pode ser complicado de compreende-los. Na verdade, foi só depois de um tempo que consegui entender a distinção de cada um deles, porque realmente eles possuem características que conversam entre si... E como se esses três bichos (influência, inspiração e referência) já não fossem o bastante para  confundir,  ainda há um quarto bichinho chamado "intertexto" — que não apenas está no meio literário, na música, no cinematográfico, na publicidade... como também pode estar inserido em qualquer outro meio gráfico e artístico.

Bom, para entendermos o que é o intertexto (vou começar por ele), pensamos da seguinte maneira: imaginem uma colcha de retalhos (esse exemplo da colcha de retalhos não é meu, foi algo que uma professora minha citou em aula, e que exemplifica muito bem). Cada retalho possui uma cor ou uma estampa diferente. O intertexto é isso; é você ter um objeto inteiro, feito de vários pedaços de outro(s) objeto(s), e cada uma dessas partes (que compõe o novo objeto) devem dialogar entre si de forma harmônica para que possam, no final, fazer um sentido, ter uma funcionalidade. Ou seja, é um texto dentro de outro texto. Ah, para quem não sabe, o termo "texto", não se refere somente a um conjunto de palavras escritas. Simplificando, o texto pode ser qualquer coisa que passa alguma mensagem (ilustração, foto, música, propaganda, apresentações em slides, etc...)! ;)

Na literatura (área em que a intertextualidade é mais comumente associada) acontece assim: é como você ter uma história que cita outras histórias (ou elementos de outra história). É eu ter um enredo em volta de um crime, e citar personagens ou acontecimentos de outras história do mesmo gênero (ou não, desde que façam sentido!). Em os Lusíadas (o terror de muita gente! minha, inclusive), por exemplo, a quantidade de intertexto é imensa! De maneira quase que implícita (pois é preciso estar atento para identificá-los), Camões dialoga a história do navegador (não me lembro agora os detalhes) com a mitologia grega. Ou seja, para leitores mais atentos, e que já tenham tido uma educação sobre mitologia, as referências são até claras. Mas é importante perceber que o cara não recriou a mitologia, mas se apropriou de alguns fatos e histórias narradas pela mitologia para compor o seu próprio texto. Como na série (não li os livros, só vi o primeiro filme) do Percy Jackson, ou mesmo no maravilhoso Cavaleiros do Zodíaco. o/Ambos utilizam elementos da mitologia em suas histórias. E todos eles contam histórias diferentes, bebendo da mesma fonte. :)

No meio gráfico, temos esses dois exemplos clássicos:




As referências a quem os criadores do Simpsons estão fazendo nessas imagens são tão óbvias, que chega até a ser impossível de chamar de plágio. Mas claro, isso, somente porque essa capa do Nirvana e do The Beatles são tão icônicas, tão fortes, tão conhecidas, que permitiu ao cara lá fazer essa brincadeira sem precisar dizer nada. Isso não significa que podemos pegar qualquer artista e fazer o mesmo por aí. A não ser, é claro, que se faça isso de maneira explícita e consentida pelo artista referenciado.

Ou seja, cerveja a intertextualidade possui uma função, sim: a da comunicação (que também é trabalhada na ilustração, ou qualquer obra de arte). E para que a ela funcione, é claro, é preciso que o receptor da mensagem conheça a referência, caso contrário, não surtirá efeito algum. Basta imaginar o seguinte: caso você não conhecesse a capa do Nirvana (e todo o contexto por trás dessa capa, e nem os Simpson e seu costume de satirizar tudo), e visse somente a ilustração do Bart embaixo d'água nadando atrás de uma nota, lhe faria algum sentido? Provavelmente, não. Ela seria apenas uma ilustração de um menino amarelo atrás de uma cédula presa como uma isca.

Assim, será que intertexto e referência não são a mesma coisa?
De acordo com a Infoescola (site confiável), sim, são.

"A Referência é o ato de se mencionar determinadas obras, de forma direta ou indireta. [...] Ela é igualmente conhecida como ‘intertextualidade’ ou ‘polifonia."

E os dois outros bichinhos? Influência e inspiração? Será que existe mesmo alguma diferença entre eles? E o que importa saber sobre eles?

Eu acredito que a diferença seja tênue, fina, mas bem clara, sim. Pesquisando sobre isso, encontrei o blog da Veridiana, em que ela diz muito bem:

"A inspiração retira, de um, alguma emoção para que se construa outro sobre a mesma perspectiva, mesmo que “um” e “outro” sejam de diferentes áreas criativas.[...]

A influência, docilmente maliciosa, exerce poder direto sobre o processo de criação. Altera raízes e modifica personalidades inteiras em vários âmbitos da existência. É inegável e duradoura."

Acredito que a influência, diferente da referência (em que os elementos são visíveis e facilmente identificados), é mais sutil. É possível, sim, ver em quem o artista se influencia (mas muitas vezes é tão sutil que percebemos somente depois que ele admite tal influência) através da observações de certas características (geralmente técnicas). Pode estar num aspecto do traço, numa técnica de pintura, na poética, mas ela está lá, de alguma forma não óbvia — diferente do que ocorre com a referência. :)

Já a inspiração, para mim, sempre aconteceu da seguinte forma: eu observo alguma coisa, uma pessoa, por exemplo, e graças a algo que essa pessoa faz, diz, ou veste, eu tenho uma ideia derivada daquilo. Então, eu diria que a inspiração é isso, é sempre uma derivação de algo. A inspiração pega algo emprestado de alguma coisa, e transforma essa coisa em outra bem diferente. Acho que posso ir um pouco mais além e afirmar que inspirar é modificar uma ideia e transformá-la em uma nova ideia (agora fiquei na dúvida se não ficou redundante ¬¬). Inspirar é quando, por exemplo, você vê um coelho saltitando, e tem a ideia de escrever ou desenhar sobre pássaros voando (imagens diferentes, embora haja um "cerne" comum nessa ideia, que é a o do animal). É tirar uma ideia, dentro de outra! Vejam bem: não é pegar uma ideia e apenas modificá-la. Não é ver um cachorro labrador correndo, e desenhar um filhotinho de buldogue correndo (isso não é mais inspiração, é referência — e nesses casos, você deve citar a fonte). Deu pra sacar?

É claro que isso não significa que só por que eu escrevi ou desenhei sobre um cachorro labrador correndo, que ninguém mais no mundo poderá desenhar ou escrever algo original sobre um labrador correndo! Há um série de questões que precisam ser analisadas nas obras antes de sairmos fazendo julgamentos, como a própria poética do trabalho, o estilo, as técnicas, poses e ângulos (no caso da ilustração), descrições (no caso da escrita), entre outros tantos elementos... :)

Bom, acho que é isso. Se alguém discorda de algo, ou tem algo a acrescentar, sinta-se livre para comentar. Como disse antes, acho importante que artistas se unam contra plagiadores — sejam eles os de má fé, ou aqueles que apenas sofrem com falta de informação. E falando nisso, a Carolina, do Fada Mariposa postou essa semana também sobre dois casos de plágio que aconteceram com ela. E a Ana Blue do 9dade Solta também. As duas sofreram casos diferentes de plágio, que acho que vale à pena conferir... E a Ana ainda dá uma dica SUPER bacana sobre como encontrar fontes de imagens no google — que serve para todos os que não utilizam imagens próprias em seus blogs. ;)

Finalizando, então, acredito mesmo que temos que nos unir e combater contra esse tipo de coisa, porque é algo que realmente incomoda muita gente. E o plágio não perturba somente ilustradores, ele pode acontecer com qualquer um, desde escritores, desenvolvedores, músico, designers, publicitários, e se estender até mesmo a trabalhos escolares e universitários, sim!

Infelizmente, não há muito material na internet que esclareça tais diferenças. Se alguém souber de algum livro que aborde a respeito, por gentileza, comente abaixo. A Camila, do Meninices da Vida, postou sobre o livro "Roube como um artista" que parece falar alguma coisa sobre o assunto. Já estou providenciando colocar as mãos nele. :D (portanto, pode ser que eu ainda volte aqui para acrescentar mais alguns detalhes nesse post — mas avisarei)

Obrigada por acessar o blog! ♥
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8 comentários

  1. Bia, que fantástica a sua pesquisa!
    Só vem a colaborar ainda mais para o debate das últimas semanas. Acho que é isso mesmo, quem tem informação, precisa ajudar a educar essa galera, para que vejam que não é de boa sair por aí plagiando. É uma lição não só para a arte, para o mundo virtual, é para a vida.
    Vou fazer um post com links legais e com certeza esse fará parte :)

    Beijão!

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    1. obrigada, Lidy <3 com certeza, vejo gente por aí nas redes sociais plagiando "a torto e a direito" dos mais variados jeitos... isso é um baita problema mesmo. D: enfim, que bom que gostou do post. :) bjsss :************

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  2. Até quando a gente desenha inspirado em uma foto, tem que ter crédito. Aprendi isso numa aula de desenho e fiquei chocada =O

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    1. ahh, boa, esqueci de colocar esse detalhe ali, mas realmente, é preciso citar fonte quando for inspirado em algo. basta ver que até os filmes fazem isso, né? repara que nos filmes inspirados em algo, eles sempre dizem em quê foram inspirados, né...mas acredito que isso seja por que, embora seja mais sutil que a referência, ainda é possível ver alguns elementos na inspiração, que pertencem ao o que foi inspirado, né. Diferente da influência, que acho que é praticamente invisível...

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  3. Interessante! Não conhecia isso de intertexto.

    Realmente a internet tá cheia de plagiadores... tanto gte sem noção de má fé, como na inocência... esses últimos realmente precisam ser educados.

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    1. que bom que o texto serviu pra te informar algo, então, Lili! :D realmente acredito que há essa carência de informação sobre o assunto, que acaba causando desconfortos geral... ): mas enfim, obrigada pela visita! :***********

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  4. Você tem toda razão. Amei o post, muito mesmo. Parabéns.

    http://sagasousadas.blogspot.com.br/

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    1. olá! obrigada pela visita e pelo comentário. Fico feliz em saber que curtiu o post. :3
      bjss :************

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