domingo, 26 de abril de 2015

Livro: Perdão, Leonard Peacock


Descobri esse livro por indicação da Lygia♥ (na verdade, já faz um tempinho que ela me indicou ele, e é capaz de nem se lembrar que me indicou, mas eu lembrei! xD ) e ele se tornou um dos meus favoritos!♥♥♥

Perdão, Leonard Peacock - Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.  

Eu tenho uma queda por histórias tristes. E se elas tiverem um final infeliz, melhor ainda (sei que alguns até me trucidariam por isso! xD).

Como diz na sinopse, o livro inteiro, basicamente, é sobre um único dia: o dia em que Leonard nasceu há 18 anos. Há passagens em que ele nos revela coisas do passado, mas a essência está naquele dia, em particular, por que seu aniversário de 18 anos, por algum motivo, significa muito para ele...

Leonard é um rapaz triste, muito triste e solitário. Seu pai, um músico, alguém com quem ele poderia facilmente ter tido uma ótima relação, se fosse presente em sua vida, desapareceu sem deixar rastros. E sua mãe, alguém de quem ele sente MUITO a falta, é uma workholic irremediável. Desde que consegue se entender por gente, Leonard sempre foi negligenciado pelos pais. Ele não tem amigos, a não ser um vizinho idoso com quem divide algumas tardes e noites para assistirem aos mesmos filmes trocentas vezes. E enquanto os ponteiros do relógio vão passando, naquele dia, muitas lembranças do passado se passam em sua mente; algumas boas, algumas maravilhosas, e outras muito ruins...

Além disso, Leonard tem um segredo. Ele odeia o seu melhor amigo de infância e deseja matá-lo com todas as suas forças. E ele tem um bom motivo para isso.

Eu acho. Não sei como eu me sentiria no lugar dele. Apesar de achar errado a atitude dele, mas no lugar de Leonard, com pais como os dele, com uma vida isolada e ignorada como a dela, realmente não sei o que faria ou pensaria... É fácil julgar as coisas quando não acontece conosco, mas é realmente complicado quando a coisa é conosco, não é mesmo? Por isso, não sei bem o que pensar a respeito das atitudes dele... E Leonard não é um adolescente, quase entrando na fase adulta, como outro qualquer. Ele é diferente. Ele observa as pessoa e a vida com mais perspicácia do que as outras pessoas — ao ponto de, às vezes, até mesmo, parecer meio arrogante. Teve vezes em que realmente achei que apenas lhe faltasse umas boas palmadas na bunda para cair na real. Mas, então, achei que, talvez, ele estivesse na real até demais. Por que ele não via sentido na vida, não via poesia nas coisas, não via nada em nada. Ele apenas via a verdade crua e nua, e feia.

Eu não li "O lado bom da vida" do mesmo autor, vi apenas o filme. Mas a escrita do Matthew me lembrou um pouco com a do Charles Bukowski (autor que admiro muito — tenho quase todos os seus livros ♥♥). Sua poesia está no não poético. No que não é belo, mas no que é real e quase obscuro. Está na realidade podre, a parte que ninguém quer observar (o que pode soar um tanto paradoxo, já que poesia é quase sinônimo de beleza). E isso é o que mais admiro na escrita deles. Alguns autores gostam de enfeitar, de tornar tudo belo, como se coisas feias e horríveis não existissem. O belo é importante para a nossa vida, claro, para que as coisas não sejam tão amargas no nosso dia-a-dia, mas nos banhar com o que é real, de vez em quando, também é essencial.

Quick não chega aos pés de Bukowski, é claro, mas acho (na minha humilde e não especialista opinião) que esteve quase lá. E, por isso, lhe dei vários pontos positivos! :) Sem falar que quase chorei no último capítulo do livro, e olhe que sou meio dura na queda pra chorar!

Enfim, para encerrar, quero apenas comentar outro aspecto que achei legal no livro. Leonard vê em seu professor de história uma figura exemplar, quase paternal. É alguém que ele admira e quase idolatra. E esse professor, antes mesmo de saber qualquer coisa que se passava com ele, sugere a Leonard que escreva cartas para si mesmo, mas como se fosse alguém que fizesse parte de sua vida no futuro. Então, ele escreve um carta para si como se fosse sua filha, projetando momentos felizes em que passaram juntos no futuro; às vezes como se fosse sua bela esposa, que lhe conta atributos positivos sobre si. Na primeira carta, ele não revela o que é, e confesso que fiquei meio irritada com isso, achando que fosse o final da história, mas mais tarde ele revela que são apenas fantasias de sua mente. E não se sabe se realmente é ou não o final de sua história. O autor deixa isso em aberto. De qualquer forma, achei essa proposta muito interessante, apesar de bastante triste. Mas estou comentando isso porque é o terceiro ou quarto livro que leio em que o personagem escreve cartas para si, e na verdade achei isso tão interessante quanto repetitivo... De qualquer forma, recomendo a leitura :)

Obrigada por acessar o blog! ♥ 

12 comentários

  1. Que lindo! Me identifiquei bastante com a história, principalmente porque também via meu professor como um grande guia na minha vida! Confesso que quando vi a imagem, pensei que fosse algum livro interativo por causa das canetinhas! Hauhauha! Bjão!
    4sphyxi4.blogspot.com.br

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    1. ahh não, as canetinhas são só pra firulas mesmo! aiuehaieuhaui se tu curte esse tipo de leitura (best sellers) acho que vais gostar desse, então. eu recomendo pra quem curte. E Bukowski, principalmente, Bukowski - que não é bem best seller, mas a linguagem dele é super facílima. ;)

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  2. Aiiiinw que liiiindaaaaaaa!! Vc leu mesmo, hehe, não eu não me esqueci, e toda vez que vc postava algo sobre um livro que vc leu eu pensava: ''É, parece que ela se esqueceu do Leonard''. Você até comprou o livro
    *-*, achei que ia ler na net. Eu só não li o que vc disse sobre pra não ganhar mais spoiler do que já tenho, realmente pareci uma história fascinante, infelizmente ainda não consegui ler, ele nem tá comigo, pq se tivesse certamente já teria lido, to seca num livro.
    Minha irmã vai pirar quando souber que vc leu, ela quer que o mundo leia esse livro, hehe. Que bom que vc gostou, quando eu souber de outro livro mega maravilhoso de recomendo, vai que vc tbm gosta!?
    Beijinhoos

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    1. Liiiiiiii!!!! E amei! xD eu gostei tanto da sinopse dele, que resolvi que compraria mesmo. não sou muito fã de leitura em tela... só não li ele antes, primeiro, pq não achava o livro por menos de 20 pila (não compro mais livros mais caros do que isso u.u), e segundo pq tinha aqueles outros na frente...mas comprei e li, sim xD E pode recomendar mais, sim! xD Espero que tu consiga ler ele logo, pra trocarmos figurinhas depois, sobre ele xD
      bjss :************

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  3. Antes de tudo, seu blog está perfeito Bia. Só de pensar que tenho acompanhado desde o comecinho, me da uma sensação muito boa.
    Eu nunca li nada desse autor - ainda. Mas gostei muito da visão que você teve. Acabei um livro agora e senti a mesma coisa que você descreveu aqui, - que alguns autores tentam esconder o lado ruim da vida, fazendo apenas o fictício irreal da estória. E no caso desse livro que terminei, a autora não tentou esconder os erros, as imperfeições e nem as coisas feias da vida.

    Beijos *--*
    Imperfeição Literária

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    1. Oi, Barbara! obrigada pelo comentário fofo ♥ Se puder, leia esse livro, sim. Creio que vale a pena para pensar em algumas tantas questões importantes que o autor coloca. Ou mesmo que seja para discordar delas... de qualquer forma, acho que vale a pena. :)
      bjsss :********************

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  4. Nossa, me identifiquei tanto, que estou até triste comigo mesma, por não se tratar de uma história um tanto quanto feliz. Também tive muitos problemas com a família, e com a aceitação. E o dia do meu nascimento também daria um livro. Mas gostei bastante da resenha.
    Sexo, Fraldas e Rock'n Roll

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    1. oi, Paola, não sei bem o que te dizer, com relação a tua família...cada caso é um caso. Mas acho que o importante é olhar para as coisas que tu tem agora, e ser grata por isso. No livro, Leonard não via muito isso...Mas ser for o tipo de leitura que tu curte, acho que vais gostar, sim. :)
      Obrigada pelo comentário!
      bjss :***********

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  5. Fiquei muito curiosa para ler e saber os motivos de Leonard para querer matar o amigo de infância. Também não sei o que eu faria se tivesse uma vida totalmente ignorada pelas outras pessoas. O livro parece ser realmente muito bom, como é do mesmo autor de 'as vantagens de ser invisível', em algumas partes da sua resenha, me lembrei do Charlie e da sua relação com um dos seus professores.
    Beijos
    www.umdiarioqualquer.com

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    1. ah, não quis entregar o ouro, né! xD mas creio que vale a pena a leitura, para quem curte. Mas bem lembrado dessa questão da proximidade do personagem principal com o prof, como em As vantagens de ser invisível (outro livro bom!). Enfim, obrigada pelo comentário, Vanessa!
      bhss :**************

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  6. Me identifiquei com a história e adorei a resenha (também gosto de coisas tristes hehehe).

    Beijos

    Faroeste Manolo

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    1. Olá, Marjory! Que bom que gostou dos meus comentários (não gosto de chamá-los de resenha, pq sei que resenha requer alguns "parâmetros" que não tenho saco para seguir, hehe). mas, enfim, obrigada pela visita e pelo comentário!
      bjs :********

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