segunda-feira, 23 de março de 2015

Filme: Paprika 2006



Olá!

Esse post fazia parte de um dos posts do meu antigo blog. E resolvi repostá-lo hoje aqui porque revi o filme ontem, e lembrei do quanto havia gostado dele. Paprika é MARAVILHOSO. E é mais maravilhoso do que eu possa entender.

Saca só a sinopse: num futuro próximo, o Dr. Tokita inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Sua colega, a Dra. Atsuko Chiba, psicoterapeuta e pesquisadora de ponta, desenvolve um tratamento psiquiátrico revolucionário a partir do aparelho. Mas, antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o DC-Mini é roubado. Quando vários dos pesquisadores do laboratório começam a enlouquecer e a sonhar em estado de vigília, Atsuko assume seu alter-ego, Paprika, a bela detetive de sonhos, para mergulhar no mundo do inconsciente e descobrir quem está por trás da tragédia.

O filme foi lançado em 2006 em animação, mas é baseado num romance de 1993, do japonês Yasutaka Tsutsui. Aqui no Brasil, ele foi lançado diretamente em DVD.

Bom, daqui em diante seguem minhas humildes observações a respeito do filme. Digo humilde porque ele é complexo, e não é para crianças. É um tanto psicodélico e cheio de referências, não apenas cinematográficas, mas também religiosas, históricas, políticas e psicanalistas. Fora as referências orientais que, eu, como ocidental, não tenho conhecimentos para reconhecê-los e compreender seus papéis no filme. Mesmo assim, não deixa de ser encantador. É um filme para quem gosta de observar e raciocinar, é um filme para os olhos e a mente, porque há muitas mensagens na tela. Vi-o apenas uma vez, e já digo com certeza que precisa ser visto mais vezes para poder captar todos os detalhes.

Pela sinopse, vocês devem pensar "opa, mas já vi isso antes". Antes, não, tecnicamente, já que o Paprika é quem veio antes. Vi o Inception (A Origem, em português) há um tempo atrás, e confesso que precisava vê-lo mais uma vez para entender bem a história, porque algumas coisas ficaram confusas na minha cabeça. Mas sem ele eu não teria entendido o Paprika como o entendi. Imagino que se eu tivesse feito o inverso, o mesmo teria acontecido. E esses dias, então, fiquei sabendo que ele era, na verdade, mais ou menos plágio deste.

Mas diferentemente do Inception, Paprika é muito mais mágico. Sim, eu diria que este é um filme mágico, recheado de efeitos fantásticos, fantasiosos, cheio de maluquices que podem nos confundir no início. No entanto, assim que você começa a entender o que está acontecendo, a coisa toma outras proporções. Ele se passa sempre nessa mistura maluca entre o que é realidade e sonho, do início ao fim. Uma hora, você está com os pés no chão, acordado, e, sem aviso algum, entra num sonho estranho, cheio de elementos, efeitos visuais, cheio de fantasia!



Eu diria que aqui há 5 grandes personagens. A começar pela Paprika, que pode ser encarada como o alter ego da Dr. Atsuko. A personagem que dá nome ao filme, é uma espécie de Femme Fatale meio infantil. Ela é a materialização (no meio onírico) do que o que a Dr Atsuko queria ser, porque Paprika é livre, mais espontânea, mais alegre, mais expressiva, como o seu amigo de infância, o gênio e obeso Tokita. Ela é uma personagem "apimentada" (páprica é um tempero apimentado, de cor avermelhada, eis o seu cabelo e camisa e batom), interessante, ao mesmo tempo um tanto misteriosa. Ela é aquele tipo de mulher que chama a atenção.



No entanto, a Dr. Atsuko é seu oposto. Ela é apagada, discreta, embora muito inteligente, bela. Mas se mantém presa aos padrões japoneses da mulher madura e bem sucedida; aquela que é respeitável e respeitada, sempre certinha e séria. É vista como uma mulher fria, inexpressiva, presa na realidade. Aquela que mantém os pés sempre firmes. Mas ao mesmo tempo, ela parece ter as mãos atadas, sempre cautelosa, desconfiada.

Já o Tokita, o terceiro grande (não só em tamanho!) personagem, é o inventor por trás do aparelho DC-mini. Com sérios distúrbios alimentares, ele ainda possui um jeito tanto infantil no seu modo de agir e falar. Ele não gosta de enxergar a realidade, e se refugia em sua sala apertada cheia de máquinas eletrônicas, onde todas as suas engenhosidades são desenvolvidas. Ele vê a dr Atsuko como uma irmã, e a chama pelo apelido carinhoso de A-chan (o que reforça a sua imagem infantilizada, pela falta de profissionalidade dele em se referenciar colegas de trabalho). Mais para o final, ele aparece como sendo a chave para trazer a realidade de volta, que parece se distanciar cada vez mais. Ele se fecha em sua mente, em seus sonhos, mas se vê como um robô, aquela figura que representa tudo o que é automático e mecânico, comandado por outros.

Tem também o detetive Kogawa. Ele é outro personagem importante na história, pois, graças a ele, Atsuko é salva das garras do vilão ganancioso. Kogawa abre o filme com o seu sonho, pois ele é um paciente, que está experimentando o aparelho. Ele tem um problema; não consegue resolver um caso de assassinado, ao mesmo tempo em que não tira da cabeça um amigo da época do colegial. Juntos, eles sonhavam em desenvolver filmes. E assim, se passa os sonhos do Kogawa, entre cenas de filme que se misturam aos seus pesadelos do passado e problemas do presente. E é a Paprika quem, de certa forma, o salva. Ela é a sua musa, a sua mulher ideal, é quem o trata, e o faz enxergar a realidade e encontrar a sua outra metade.

E tem o Osanai Morio, colega de trabalho da Dr Atsuko e o Tokita. Talvez o mais complicado e complexo dos personagens, porque se sente inferior ao Tokita, inveja ele por sua genialidade, e deseja a Atsuko. De certa forma, ele também é meio infantil por manter essa visão de querer ser o melhor de todos — como crianças querem ser. Ele se une ao chefe de pesquisa (o careca, me esqueci o nome dele agora) que por uma paralisia não caminha, tornando-se, assim, a mobilidade dele. Osanai invade o sonho da Atsuko, e ainda a estupra de um modo bem estranho: enfiando a mão dentro dela (literalmente) a arrancando do alter ego da Paprika. Nua, não apenas em carne e osso, ela aparece completamente indefesa, sem a roupagem da Paprika que a protegia antes, e isso, de certa forma, o engrandece. E então, tem essa imagem de milhares de borboletas que saem de dentro dele, nesse turbilhão de caos. São suas emoções embaralhadas, alvoraçadas, confusas e perdidas. E ele não sabe mais o que fazer, não consegue se controlar, e se transforma num gigantesco monstro, causando um buraco negro no mundo.



Enfim, são personagens gente como a gente, todos com os seus problemas e ambições. Todos com os seus desejos de escaparem da realidade e se refugiarem em seus sonhos. Mas a realidade ainda é mais forte, e a tecnologia ainda é frágil.

É um filme que recomendo, e vai ficar entre os meus favoritos, sem dúvidas! Muito melhor que o Inception. Muito mais interessante, mais emocionante, mais inteligente.

 E aqui uma fanart que fiz, e que mais tarde postarei o speedpainting que fiz do processo de coloração.

4 comentários

  1. Uau, fiquei com vontade de assistir! Parece incrível. E olha, parabéns por você ter conseguido fugir da comemoração em família. Assim como eu disse, você tem o direito de não gostar, e se você se sente mal, as pessoas precisam entender e respeitar. Ponto.
    Eu passei a véspera de Natal com a família, me deliciando com peru e farofa (nham! :3), mas na noite do dia 25, aproveitei que estava de folga e também fui assistir filme. Mas eu fui menos original, e assisti "Malévola", aehauheuaea. Acredita que eu não tinha assistido ainda? Amei, hehehehe. xD

    Caso a gente não se fale mais, um feliz ano novo pra você. Que 2015 tenha tudo de melhor! ^.^

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    1. Oie! Pois é, consegui, na maior cara dura, mas consegui. auihauieh agora só falta o ano novo! T__T Ah, e acredito, sim, pq só vi Malévola esses dias tbm. auiehauiehi eu até ia escrever um comentário sobre ele aqui, mas fiquei com preguiça! T__T Mas esse Paprika merecia! Veja mesmo, ´pq é muito bom.

      Enfim, feliz ano novo pra ti também! o/
      bjss :*****************

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  2. Esse filme é maravilhoso! Eu já tinha assistido antes de inception e tinha ficado fascinada. E agora lendo sua análise, só fiquei ainda mais maravilhada com o filme, sem falar que ele tem uma animação linda demais né! Hahaha

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    1. oláa!! siiiim, o filme é mara! xD preciso ver ele mais vezes, inclusive T_T mas que bom que gostou dos meus comentários. :)
      bjsss :************

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