terça-feira, 14 de maio de 2013

Filme: O primeiro mentiroso



 Titulo original: The invention of lying
Gênero: Comédia Romântica
Ano de lançamento: 2009
Diretores:Ricky Gervais, Matthew Robinson
Elenco: Ricky Gervais, Jennifer Garner, Jonah Hill
Duração: 01 hs 40 min.

Sinopse: Em um mundo onde todos dizem a verdade, Mark (Ricky Gervais) possuí a “habilidade” de falar mentiras e usa essa habilidade para seduzir uma bela mulher.


Essa foi a sinopse mais tosca que eu já li! ¬¬ Mas enfim... Imagine um mundo em que todas as pessoas somente dizem a verdade. Seja lá qual ela for, a respeito de quem for (inclusive a si mesmo), em situação que estiverem. Imaginem um lugar onde as pessoas simplesmente não conseguem mentir, e sequer imaginam que isso exista e é possível.

É neste lugar que Mark Bellison, um auto-proclamado perdedor, trabalha numa agência de produção de filmes como escritor — que nunca consegue sucesso. Agora imaginem a ironia da coisa: os escritores não mentem, não contam histórias de ficção ou fantasia, são tudo relatos da realidade, afinal, eles não sabem o que é mentir, e que, consequentemente, tem a ver com imaginar.

Sentiram o drama? Pois é com base nessa ideia que vemos claramente como a mentira — em seus diversos níveis — está presente em praticamente todas as formas de comunicação entre os indivíduos e funciona como uma espécie de tapa buraco social. Pois é através da mentira e omissão que modelamos nossos relacionamentos — por mais estranho que isso possa parecer.. Mas imagine, todos nós temos defeitos, e nem por isso saímos dizendo por aí tudo o que pensamos das pessoas... O filme é muito interessante nesse aspecto , pois nos revela o quão hipócrita todos nós, na verdade, somos.

Continuando, lá pelas tantas, Mark é demitido por seu patrão, que apesar de tudo, sente muito por estar demitindo o homem, embora a sinceridade sobre o péssimo trabalho de Mark é sempre jogada na cara dele. Então, o senhorio do apartamento que ele aluga descobre que ele perdeu o emprego, e exige que Mark paguei seu aluguel, que custa 800, mas ele tem apenas 300 em sua conta — que serve apenas para pagar um caminhão de mudança.

Ele vai até o banco para sacar seu dinheiro, já conformado com sua perda, mas a moça que o atende lhe informa que o sistema está fora do ar, mas que de qualquer forma ela poderia efetuar o saque. E então, ela pergunta quanto ele tem. E eis que a lâmpada da ideia se acende na cabeça de Mark.

Ele diz que tem 800 na conta! E no momento em que ela vai pegar o dinheiro, o sistema volta a funcionar e ela olha na conta dele, e vê que tem somente os 300. Mas como ninguém mente, ela diz que o sistema está errado e lhe dá os 800.


Assim, Mark percebe que tem em suas mãos um poder inimaginável, um poder que nem ele pode descrever em palavras, o poder de "alterar a verdade". Afinal, como não conhecem a mentira, tudo o dizem é tomado como verdade absoluta, impassível de reflexão e incontestável. Inclusive tem uma cena muito bizarra quem Mark está num carro, e quem dirige é seu amigo bêbado. Como estava alcoolizado ele dirigia mal, e um policial os para. Pede, então, para fazer o teste do bafômetro, e mostra o quão bebum ele estava. Mas eis, então, que Mark diz ao policial que seu amigo não havia bebido nada, e o policial simplesmente pede desculpas pelo engano! Pois é.

Mas apesar de todo esse poder em mãos, tudo o que Mark quer é conquistar Anna (interpretado por ninguém menos que a Jennifer Garner), uma simpática e sincera mulher por quem Mark se apaixonou. Mas Anna tem um problema: ela só pensa nos genes do seu parceiro, pois quer gerar filhos lindos e inteligentes, e Mark, segundo ela, é rechonchudo e tem nariz de batata.

Com seu poder em mente, ele começa a inventar histórias, escreve a primeira ficção para a empresa em que trabalha, sobre extras terrestres invadindo o planeta e trazendo a peste negra para nós — e todos tomam isso como uma verdade! E como era de se esperar, em determinado momento ele inventa a maior mentira de todas, que muda o destino da humanidade radicalmente. Mentira essa que não vou contar aqui para não estragar a surpresa de quem não viu ainda.

É um filme é sensacional, inteligente, provocativo, instigante, critico, sarcástico, e que cospe todas as hipocrisias sociais na nossa cara, de um modo leve e divertido. Ele nos revela o fardo que seria viver em uma sociedade que somente diz a verdade, nos mostrando o quão tolerantes teríamos que ser para suportar o peso da verdade sobre nossas imperfeições. Mostra a vida sob outra perspectiva e não tão improvável assim... E vemos que a mentira não é necessariamente ruim. Ela pode ser uma válvula de escape para muitos... Afinal, a verdade nunca é absoluta, pois o mundo está em constante mudança, transformação. Só não recomendo para aqueles que se ofendem com criticas feitas à religião  pois, naturalmente (acredito eu), ela aparece também no filme.

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