sexta-feira, 19 de abril de 2013

Anime: Tsuritama



Título em Japonês: Tsuritama.
Episódios: 12.
Produtores: Aniplex.
Gênero: Comédia, Sci-fi, Shounen, Vida Escolar.
Duração: 23 min. por episódio.

Sinopse: O anime conta a história de quatro rapazes na ilha de Enoshima, são eles: Yuki, um estudante pouco comunicativo com descendência francesa; Haru, viciado em pesca e auto-proclamado extraterrestre; Natsuki, nativo da ilha e Akira um misterioso rapaz indiano que anda acompanhado do seu pato chamado Tapioca.

Eno-shima-do! Amei esse anime! Tem um humor leve, puro, autêntico. À princípio, ele parece vir com uma temática boba, com personagens com características já vistas antes, mas com o desenrolar dos episódios, eu me via cada vez mais ansiosa pelo próximo. S2

O que dizer sobre Tsuritama? Ah, ele é sobre amor, amizade, companheirismo e confiança — todos esses elementos que já foram usados e abusados em muitas outras história (como eu já disse), mas não da maneira que é explorada aqui. Tsuritama trabalha a autoconfiança através dos laços de amizades com muita poesia.

Pois vejam, aqui, nós temos o Sanada Yuki, um ruivo descendente de franceses, que tem dificuldade em fazer amigos e que muda com certa frequência de cidade junto com a sua avó. Apesar de ser um enredo bem comum em diversos animes, essa questão é elaborada de uma forma bem inusitada. Yuki tem dificuldade de falar em público, fica nervoso, e acaba se sentindo sufocado. Então, o anime traz uma metáfora imagética desse sufoco. Água começa a inundar o ambiente em que o Yuki está, e ele se afoga, até conseguir se afastar do local ou que alguém o acalme. Em seguida, temos a imagem dele se aliviando ao emergir das profundezas do seu sufoco. Achei brilhante isso! É confuso no inicio (por que não estamos habituados a metáforas inseridas dessa forma em animes), mas depois que conseguimos captar a mensagem a coisa toma outra proporção. Tudo vira amor! auihauihi

Outro aspecto interessante aqui é a forma com que o flashback (memórias retroativas) foi tratado. Yuki "sempre está pensando em algo importante quando diz que precisa ficar sozinho". Para solucionar alguns problemas que lhe serão apresentados mais para frente, ele fecha os olhos, e temos um rolo de fita filmográfica passando atrás de suas pálpebras. Não é algo inovador, na verdade, e se pararmos para analisar bem, nem faz muito sentido dentro do contexto, mas é um elemento que dá mais um toque à produção. Dá um certo charme à coisa.

Em seguida, temos o Haru, um jovem rapaz animado, um extraterrestres que, sem a menor cerimônia espalha para todos que é de outro planeta. Claro que, no inicio, ninguém acredita no guri. Acham que ele é apenas um garoto animado, feliz, de bem com a vida, e meio maluquinho, por que é assim que ele se mostra: impressionado com tudo o que vê. Ele não entende muita coisa com relação à natureza humana, e se esforça para compreender como funciona as relações humanas. Ele tenta imitá-los, reproduzir tudo o que sentem, e as cenas saem meio cômicas. Eu diria "fofas", na verdade, porque ele tem um jeito muito peculiar. Ele é o ponto de partida para a diversão da história, com seu carisma e jeito estranho e inocente. E bem no inicio, ele já mostra algum interesse por pesca (a parte misteriosa da trama, que falarei mais sobre depois), e começa a recrutar amigos para lhe ensinar.



Também temos o Natsuki, um garoto mais sério, filho de pescador, e que, como filho de peixe, peixinho é!, ele é ótimo com o anzol. Ele é colega de classe da nova escola do Yuki, e é ele quem os ensina a pescar. De primeira, é claro, ele se recusa, mas graças à arma "mágica" do Haru (uma pistola de brinquedo que atira água) ele acaba cedendo — mais tarde é explicado o mistério por trás disto também. Por isso, e por que ele percebe que o Yuki é um rapaz solitário, com dificuldades para se enturmar, ele acaba cedendo aos pedidos..

E ainda temos o Yamada. Um misterioso indiano de 24 anos que entra para a turma deles. Ele é outro personagem que ajuda o Haru na parte cômica da história. Mas diferente do Haru, o Yamada é sério, parece concentrado em algo misterioso — se diz um agente em uma missão secreta. Ele é cômico pelo fato de ter 24 anos (e estar numa turma de adolescentes de 15), e por andar sempre em companhia de um pato super simpático chamado Tapioca! AMEI! Eu adorava ouvir ele chamando o pato: Tapioca! Muito fofo! Eu queria saber se o autor já comeu nossa iguaria. :3

O que mais me atraiu a esse anime foi o "slice of life". Tenho visto isso como um gênero entre os animes/mangás. Ele trás questões do dia-a-dia, faz com que o leitor/espectador se sinta mais próximo dos personagens com historias mais reais, trazendo problemáticas do nosso cotidiano. E Tsuritama se embebeda disso. Natsume com seus problemas familiares — ele tem algum problema com seu pai — só revelado mais para o final da série. Tem o problema pessoal do Yuki, com seu jeito mais reservado, tímido, que não consegue se socializar... acho que ele tem problemas para iniciar uma amizade, não para mantê-la. E ainda tem a avó do Yuki, que carrega aquela imagem pronta de velhinha fofa, que faz comidinhas gostosas para o neto, e ainda assume o papel de mãe e que lhe dá conselhos sábios — mas já está no final da linha da sua vida, e tem problemas de saúde...

Eu gosto desse tipo de enredo, porque me faz lembrar que apesar de toda a fantasia que cerca as obras de ficção, elas podem ao mesmo tempo abrir nossos olhos para o que é real. Fantasiar é bom, mas olhar para os nossos lados também.

Enfim, o anime, então, é basicamente dividido em duas partes; a primeira, em que Yuki precisa aprender a pescar, e esse aprendizado não envolve apenas manejar os equipamentos de pesca, mas também controlar suas emoções, e lidar com a pressão de outras pessoas a sua volta exercem sobre ele. E a segunda parte fica onde é necessário botar em prática o que aprenderam — não apenas em alto-mar. Mas ele não para por aí. O anime não conta somente a evolução, amadurecimento sobre esses jovens.

Entre os momentos mais intensos, dramáticos, é possível perceber o clima leve, feliz, que por vezes dá aquela sensação de estar flutuando entre as nuvens até nas partes mais interessante desse enredo — que fica por conta do mistério que ronda a cerca do triângulo das Bermudas. Quem nunca ouviu falar dele? Claro que a ideia foi fantasiada, de um modo geral, mas as intenções de mostrar algo mais estão presentes e bastante perceptíveis.

"Muito tempo atrás, um dragão de cinco cabeças vivia neste oceano. O violento dragão causou muito sofrimento para as pessoas. Eventualmente, uma nuvem negra cobriu o céu. Quando todos haviam desistido, e pensaram que o mundo iria acabar, algo aconteceu. Um raio de luz veio do céu. Uma linda princesa extraterrestre apareceu, montando em uma nuvem roxa. A mulher sorriu, e o sorriso dela iluminou nosso mundo obscuro." — Prólogo de Tsuritama

Tsuritama trata dele como um fenômeno causado por aliens (transformados em peixes), contudo, existem várias teorias sobre o que realmente acontece nas cidades de Miami, Porto Rico e Bermuda.



De acordo com o Wikipedia, o Triângulo das Bermudas (também conhecido como Triângulo do Diabo) é uma área que varia, aproximadamente, de 1,1 milhão de km² até 3,95 milhões de km². A região ficou bastante conhecida por servir de palco para diversos desaparecimentos de aviões, barcos de passeio e navios, para os quais popularizaram-se explicações extra-físicas e/ou sobrenaturais.

Uma das possíveis explicações para estes fenômenos são os distúrbios que esta região passa, no campo magnético da Terra. Um dos casos mais famosos é o chamado voo 19. Muito embora existam diversos eventos anteriores, os primeiros relatos mais sistemáticos começam a ocorrer entre 1945 e 1950. Alguns traçam o mistério até Colombo. Mesmo assim, os incidentes vão de 200 a não mais de 1000 nos últimos 500 anos. Howard Rosenberg afirma que em 1973 a Guarda Costeira dos EUA respondeu a mais de 8.000 pedidos de ajuda na área e que mais de 50 navios e 20 aviões se perderam na zona, durante o último século.

Muitas teorias foram dadas para explicar o extraordinário mistério dos aviões e navios desaparecidos. Extraterrestres, resíduos de cristais da Atlântida, humanos com armas antigravidade ou outras tecnologias esquisitas, vórtices da quarta dimensão, estão entre os favoritos dos escritores de fantasias. Campos magnéticos estranhos, flatulências oceânicas (gás metano do fundo do oceano) são os favoritos dos mais técnicos. O tempo (tempestades, furacões, tsunamis, terremotos, ondas, correntes), e outras causas naturais e humanas são as favoritas entre os investigadores céticos.

Além disso, temos referências sobre o Mar do Diabo, localizado no Japão. O Mar do Diabo, Triângulo do Dragão ou do Pacífico é uma região localizada ao redor da Ilha Miyake, cerca de 100 km ao sul de Tóquio. Um dos lados do triângulo pode estar na ilha de Guam. Apesar de o nome ser usado pelos pescadores japoneses, não aparece nas cartas náuticas.

Na cultura popular, especialmente nos Estados Unidos, acredita-se que o Mar do Diabo possa ser, junto com o Triângulo das Bermudas, uma área onde barcos e aviões desaparecem sob circunstâncias misteriosas. Os japoneses, por outro lado, não consideram o Mar do Diabo como sendo mais misteriosa ou perigosa do que outras águas costeiras do Japão.

Ao contrário de algumas declarações, nem o Mar do Diabo nem o Triângulo das Bermudas estão localizados na linha agônica, onde o norte magnético se iguala ao norte geográfico. A declinação magnética nesta área é de cerca de 6°. Entre os fenômenos reportados no Mar do Diabo estão as perdas de barcos e aviões (mais do que no Triângulo das Bermudas), numerosos navios fantasmas, barcos não dentificados, OSNIs e perdas de intervalos de tempo...













Mistérios à parte, analisando esse contexto se cria até um estranhamento com o anime de temática tão leve. Mas acreditem, Tsuritama é amor! S2

Creio que a história contenha sua originalidade inegável, com inventivas mirabolantes (mas sem passar dos limites), é verossímil, e o trabalho com a arte é encantador. Aliás, é o que há de melhor, sem dúvidas. As cores vibrantes, as texturas, a angulação de câmeras, o toque meio artesanal, cheio de estilo próprio, tudo isso dá um efeito incrível. Tsuritama é divertido, intrigante, misterioso, meigo e poético.

Minha conclusão é simples. Como li em outro blog, a história nos lembra que na vida haverá momentos de tristeza e alegria, de frustração, confusão, dúvida, e também de amor, felicidade, serenidade e compreensão. Ele mostra que, por mais clichê (e necessário) que isso possa parecer, a amizade ajuda a superar todos os nossos medos internos e que nos sentimos muito mais seguro quando alguém está ao nosso lado (e não é mesmo?). Tsuritama mostra que alienígenas (prefiro o termo "criaturas desconhecidas") e seres humanos se equivalem em importância ou falta dela, pois o universo é grande e não existe em sua essência sem seus elementos. Ele não seria o que é, sem o que tem. Nós estamos aqui por alguma razão (embora a dúvida permaneça), aparecemos aqui em um dia e certamente sumiremos em outro dia. Somos um grão de areia nesse universo, e no entanto, somos essenciais. E isso assusta, por que estamos presos dentro desta capsula misteriosa, sem fazer ideia do que haja lá fora. Isso nos assusta, oprime, emociona, e ao mesmo tempo liberta — pois é uma condição pela qual não podemos lutar contra, só temos a aceitá-la (por mais terrível que isso possa parecer).



Embora o anime não traga essa sensação de perigo, e nem fosse,à primeira vista, algo brilhante, genial, trouxe o realismo mágico e deslumbrante do mundo aquático deixando no rosto aquele sorriso de canto. Foi marcante para mim, talvez não será para todos, mas certamente será uma viagem despretensiosa e agradável.

E não tem como não cantar aquela música chiclete: Haino, Haino, Hainooo, Yoshi, Yoshi Yoshaaaaaa! *sei lá como se fala* S2

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