domingo, 17 de março de 2013

Anime: Shin Sekai Yori








Sinopese: A história se passa no Japão de um milênio a partir de agora. Cinco crianças - a protagonista Saki, Satoru, Maria, Mamoru, e Shun - nasceram e foram criadas em uma vila tranquila que pode ser descrita como uma utopia, transbordando água e folhagem verde. O mundo é governado por pessoas que têm o "poder amaldiçoado" ou "deuses poder" de telecinese. Depois de um certo incidente, Saki e os outros vêm para realizar a verdadeira natureza de seu mundo. Em pouco tempo, eles aprendem tudo, inclusive a história sangrenta que levou a humanidade a este estado. Os cinco se lançar em risco de vida de aventura e luta para proteger amigos e um mundo à beira do colapso.











Shin Sekai Yori (O novo mundo, tradução literal) é adaptação de uma novel escrita por Yusuke Kishi, e animada pelo estúdio A-1, com a direção e o design character desenvolvidos por Masashi Ishihama. Antes de dar continuidade ao meu comentário sobre esse anime, é preciso esclarecer o conceito de utopia e distopia.








Pois bem, UTOPIA, de acordo com o dicionário Michaelis, é tudo o que está fora da realidade, que nunca foi realizado no passado nem poderá vir a sê-lo no futuro. É um plano ou sonho irrealizável ou de realização num futuro imprevisível; é tudo o que se tem por ideal. Alguns ainda consideram a utopia como sendo uma fantasia, por não passar de uma ideia, de um sonho...





DISTOPIA, no entanto, não é exatamente o contrário da utopia. De acordo com o Wikipedia, trata-se de um pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese (expressões ou pensamentos contrários) da utopia; ele promove a vivência em uma “utopia negativa”. As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, caem as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.





Deu pra entender bem? Enquanto na utopia temos a ideia de que o paraíso é um lugar lindo, maravilhoso, cheio de árvores verdes, arco-íris, flores coloridas e céu azul, dentro de uma distopia o paraíso seria, por exemplo, um lugar cinzento, cheio de máquinas, com pessoas comuns (não necessariamente demônios), com pessoas suando para trabalhar... Enquanto um mostra a fantasia, o outro mostra, digamos, a realidade, ou o lado mais obscuro dela...




Tendo isso esclarecido, agora posso dizer que o mundo de Shin Sekai se passa numa distopia. Pois temos uma a civilização regredida, apesar de anos terem se passado. Ele insinua como será o futuro. Diferente do que hoje se imagina de como ele será (ou seja, muito mais tecnologia e sofisticação do que vivemos hoje), em Shin Sekai temos um lugar onde os seres humanos vivem dispersos dentro de pequenas comunidades. Eles moram numa vila isolada do resto do mundo, com muita paz, tranquilidade e natureza. E as pessoas nesta época têm um poder psíquico chamado “Cantus”(telecinese), sobre o qual as crianças estudam numa escola para aprenderem a dominar e aprimorar esse poder. Na ausência de tecnologia avançada, então, eles usam o "Cantus" como uma importante fonte de energia.









Conhecemos, então cinco estudantes; Saki, Satouru Shun, Maria e Mamouru. E na medida em que a trama vai se desenvolvendo, Saki, junto com seus amigos, descobrem a verdade sobre a “queda da civilização”. Mas quando os adultos da cidade descobrem que as crianças acessaram esse conhecimento proibido, eles selam seus poderes e os exilam, e fazem com que o resto da comunidade se esqueça daquela pessoa, substituindo a lembrança que possuem dela, por outra. A partir dai eles embarcam numa aventura para mudar o triste fim da civilização.














Bom, Shin Sekai Yori se inicia de uma forma bem intrigante, com um toque de ficção-cientifica, dando o miticismo e mistério como desculpa para uma opressão passiva (e, de certa forma oculta) dentro daquela sociedade. E isso fica bem claro já no início, na cena em que Saki é liberta de seus desejos mundanos, lhe retirando o benefício da dúvida, pois não querem ela acesse o conhecimento proibido. E isso já nos mostra também que a menina duvida daquela lei em que é obrigada a se submeter — pondo todos a ficar de alerta sobre ela. 





Mais para frente, então, descobrimos que as crianças naquela escola estão, na verdade, sendo monitoradas o tempo inteiro, como se fosse uma espécie de reality show, onde todos os seus passos são praticamente vigiados e até mesmo manipulados. Inclusive, as memórias deles são alteradas para que esqueçam o passado, e apenas vivam felizes no presente. Mas a ausência de uma explicação para o que realmente aconteceu com eles faz com que se sintam vazios, e se perguntem o que está acontecendo. E aí vem a grande descoberta: num mundo cheio de misticismo, mistério e criaturas sobrenaturais, aparentemente todas malignas, Saki descobre que foram os próprios seres humanos quem levou o mundo àquele desastre. Com a sua ganância, obsessão, fanatismo, e mais um monte de sentimentos negativos, foram seres como ela quem levou o mundo ao caminho da destruição, e não as criaturas estranhas em que os adultos os faziam acreditar.





Eu acredito que haja alguma cutucada no lado religioso, além do político dessa realidade em que vivemos hoje. Por que se de um lado, vivemos hoje numa sociedade opressiva pelos nossos políticos e governantes, ele também mostra que estamos constantemente duelando com nossas crenças. E de,  alguma forma, somos condicionados a acreditar em alguma coisa sobrenatural para nos fazemos acreditar de que nada disso é em vão, ou que no futuro tudo será resolvido, quando na verdade, talvez tudo não passe de fruto da nossa imaginação. Somos nós mesmos quem estamos criando os anjos e demônios que circundam nosso mundo.





Mas vejam bem, não estou querendo fazer julgamentos nem apologias, estou apenas tentando ver o anime através de outros olhos, como acredito que seja o propósito dele!





Continuando, lá pelo episódio 8, temos uma grande mudança no ritmo da trama. Se até então tínhamos crianças de 12 anos, entre seus amores platônicos, tímidos e acanhados, o anime dá um salto de dois anos, e encontramos a mesma turma com 14 anos. Mas o que realmente surpreende, é que eles se relacionam de uma maneira muito mais aberta (e eu diria descarada, por terem apenas 14 anos) chegando a mostrar beijos homossexuais (tanto entre os meninos, quanto meninas), e insinuações de sexo entre eles. Sinceramente, eu (justo eu, que escrevo aquelas histórias para descabelar qualquer velhinha! auihauiahauiahi) me senti chocada com isso! Por que realmente foi algo inesperado, pois até então não se via nenhum indício de que esse tipo de coisa seria exibido. Mas vejo isso como uma crítica também a todo esse rebuliço que se faz hoje em dia sobre o homossexualismo e a precoce sexualização das crianças. Acho que o autor quer mostrar que daqui para frente a coisa não terá mais freios. As pessoas se tornarão cada vez mais conscientes de si, e que aprender a amar o próximo (seja homem ou mulher), talvez seja realmente a única solução para suportar os monstros que habitam nossa cabeça. Pois há momento em que a Saki mostra claramente que ainda é apaixonada pelo Shun, mas fica com a Maria para aliviar o que sente. 









Como até agora eu só vi até o episódio 13, não tenho muito mais o que falar, apenas que tenho a impressão e que o anime dará um novo salto no tempo, mostrando-os mais velhos depois... Eu acho esse tipo de recurso legal, porque nos faz envolvermos mais com as personagens. Vemos a infância, um pedaço da adolescência, e os conhecemos mais tarde também... A mim, pelo menos, me faz criar um vínculo emocional maior com eles.

















Confesso ter ficado confusa nos primeiros episódios, mas como já sei que é praticamente impossível julgar um anime sem ver, pelo menos, os 5 primeiros episódios, fui adiante. É preciso prestar bastante atenção, pois há muita informação sendo jogada ao espectador, e até mesmo creio (tenho certeza, na verdade) ter deixado escapar muitos detalhes pertinentes.











Além disso, preciso dar destaque à arte. Os personagens não me foram muito cativantes de início, pois o traço muito simples tirou um pouco do meu interesse, mas na medida em que os episódios iam passando, eu fui mudando de idéia. A simplicidade dos gráficos desse anime é a palavra chave, que justamente se opõe a sua trama complexa e muito bem elaborada. Os dois se equilibram. E para complementar isso, temos a trilha sonora que é impecável. Ressalta muito bem os sentimentos dos personagens, e aguça esse tom melancólico do cenário, daquele universo, ora com batidas fortes, ora com melodias tristes. Aliás, os cenários são tão bem elaborados, e são tão importantes aqui, que quase se tornam personagens. E imagino que eles tenham sido desenvolvidos justamente para o espectador ficar submerso nessa realidade distópica, e cogitar a possibilidade daquilo um dia ser real. Tudo é calmo, silencioso, triste... Conseguimos ouvir o som das cigarras e ficar observando o balançar do vento sobre a grama, e isso nos embala nesse clima tranquilo, e ao mesmo tempo tenso pelo qual as personagens passam.






Enfim, os primeiros três minutos do primeiro episódio foram incríveis. Cheios de emoção, ações, drama, surpresas... E, então, tudo se esfria seguindo um ritmo bem mais desacelerado, quase monótono. Tínhamos ainda as paisagens bonitas, a sensação de tensão ainda era forte, mas as informações ainda eram confusas, e talvez isso desanime alguém. Mas acreditem, vale a pena seguir a diante! Ele se revela uma história cheia de emoções, e muito rica para nos contar. É um anime que com certeza nos faz refletir, e ver as coisas com outros olhos. :)





































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