terça-feira, 17 de abril de 2012

Livro: Carne Trêmula



Sinopse: Considerada uma das melhores escritoras de mistério em língua inglesa da atualidade, Ruth Rendell se supera a cada livro. Em "Carne Trêmula", a autora cria um thriller fascinante ao cruzar a vida de dois homens em um instante que mudaria suas existências para sempre. Nesta história ambientada em Londres, a sucessora de Agatha Christie como "Rainha do Crime" explora os recônditos da mente de um homem perturbado em seus mais sórdidos detalhes. A premiada escritora monta um intrincado suspense psicológico, revela sentimentos e medos, mostrando o interior de cada personagem. Com este pano de fundo sombrio, Ruth Rendell faz também uma crítica à sociedade contemporânea, que não sabe como lidar com as liberdades individuais. "Carne Trêmula", adaptado para o cinema pelo célebre diretor espanhol Pedro Almodóvar em 1997, ganhou o Crime Writers' Association Gold Dagger em 1986, o mais prestigioso prêmio de literatura inglesa policial.

Não lembro de ter lido nada da Agatha ainda, embora eu tenha um livro dela aqui em casa. Portanto, não entrarei nessa discussão sobre comparações.

O livro já começa levando o leitor à ação. No ponto de vista de um policial bem intencionado, a autora entrega de cara o momento mais critico de toda a trama. David já está dentro da casa em que um sociopata havia invadido e mantinha como escudo uma moça — se não me engano, ela morava na casa. Victor, o criminoso, tem uma arma na mão, mas David não acredita que ela seja verdadeira. Há uma provocação por parte dele, que é mal interpretada pelo criminoso e, perdendo a paciência e o controle sobre si, Victor faz o disparo contra o policial.
 
E então entramos no ponto de vista do Victor. Aos poucos, a autora vai nos mostrando quem é essa personagem fria, que perde facilmente o controle. E aí descobrimos, então, que Victor teve uma infância um tanto turbulenta perante seus pais, nos fazendo pensar mais a respeito sobre ele.

Eu li "Serial Killer - louco ou cruel", que mostra bem, entre casos reais, que a psicopatia, em geral, começa a ser desenvolvida mesmo em casa. E no caso da personagem, o pai abusava da mãe, que era submissa, e Victor era espancado por ele. A autora mostra com excelência a visão do garoto, mostrando todo o quadro psicológico do homem que se desenvolveu cheio de temores e desconfianças com relação ao mundo em que vive, nos fazendo dar razão a ele, e não aos outros. Eu, pelo menos, me angustiei com tudo o que ele passou, e comecei a entender mais as ações deles, apesar de toda a crueldade. Victor, antes de ser pego por David, era estuprador, onde matava suas vítimas. Ele pegava moças que vagavam em parques escuros de Londres, cujas vidas pareciam tão insignificantes quanto a sua. E ele fazia isso para descontar a raiva e a frustração que ele sentia com relação a tudo o que aconteceu a ele. Sua intenção, no entanto, nunca era matar a vítima. Mas o descontrole emocional acabava sendo maior que sua razão.

Mas com o disparo que deu em David, Victor é pego pelo parceiro do policial caído, e vai para a cadeia, onde passa anos atrás das grades. Lá, ele consegue tempo para refletir sobre si mesmo, e entender que suas emoções eram suas maiores inimigas. Afinal, nunca tinha sido sua intenção atirar no policial, também. Victor atirou somente por que o outro não acreditava em si. Mas Victor não era um mentiroso. Nunca fez uso disso, sequer sabia mentir! E para provar que era um homem de palavra, no momento de tensão, quando David aplicava jogos psicológicos em Victor, dizendo a ele que não era capaz de atirar e que era um bandido de merda, enquanto se aproximava dele, Victor perde as razões e atira. Mas ele passa o tempo todo pensando que se David nunca tivesse feito aquelas insinuações, nada daquilo teria acontecido.

E então os anos se passam, e Victor é solto — ele havia sido preso somente pelo disparo intencional (acho que o termo é "crime doloso", quando há intenção). A polícia nunca descobriu o autor das mortes ocasionadas por estupro.

Livre, Victor percebe a mudança que há no mundo, depois de tanto tempo excluído da sociedade. A tecnologia está mais avançada, e os costumes das pessoas parecem ter mudando um pouco. Ele se sente estranho naquela mundo, e procura a única parente viva que tem. Muriel, a tia, irmã da mãe — uma senhora estranha, reclusa, que não saia de casa e fazia coleção de recortes de revistas e jornais sobre tudo o que era divulgado a respeito do crime de Victor. É aí, olhando todas os recortes que a mulher conseguira, que Victor descobre que David lançaria uma autobiografia, vendo também que o policial não morrera. Isso o apavora, por que teme como seria descrito por David. Ele tem certeza de que o policial contaria todas as suas sujeiras, e revelaria para toda Londres o mal caráter que era.

Mas Muriel, assustada com o sobrinho, o ignora e o teme ao mesmo tempo. E vendo o estado deplorável em que a mulher vivia, vai atrás de abrigo em outro lugar. Com o auxílio do governo, ele consegue um lugar barato para ficar por um tempo, até que consiga um emprego.

Lá pelas tantas, Victor pensa em se desculpar pelo que fez. Ele queria explicar o que houve e esclarecer que jamais teve intenção de atirar em alguém. Mas ao chegar na residência do ex-policial, se choca ao ver que havia deixado o homem paraplégico. E agora, aquele policial cheio de pompa, não passava de um verme que dependia dos outros — isso, no ponto de vista do Victor.

David, por sua vez, não reconhece Victor de primeira. Afinal os anos o envelhecera, e o tornara mais magro. Mas com um pouco de conversa ele descobre tudo, os dois conversam, e meio que fazem as pazes. Os dois viram "amigos".

Victor fica satisfeito com tudo isso, menos uma coisa. Com a própria aparência. Vendo que o policial morava em uma bela casa, tinha um belo carro e uma bela mulher ao seu lado — Claire toma conta do policial com os afazeres do dia-a-dia, já que ele é sozinho, sem parentes —, ele passa a cobiçar tudo.

É então, que ele descobre uma maleta cheia de dinheiro no quarto de Muriel, em uma das visitas que faz. Discretamente, ele pega algumas notas, com a certeza de que sua tia não notará a diferença. Além disso, ele pretendia pagar de volta. Não seria exatamente um roubo. Só não pedia diretamente a ela, por saber que a velha não gostava do sobrinho e negaria seu pedido. E então, Victor sai para comprar roupas novas.

Mas Victor vai ficando sem dinheiro, e pegando cada vez mais notas. Ele aluga um carro, e pensar em se mudar para uma região boa da cidade. Como a que David morava.

Em uma de suas visitas à sua tia, Victor também descobre uma cadeira de rodas nova, que pertencera a seu pai, pouco antes de sua morte. Victor leva a cadeira para sua casa, e se senta nela, tentando ver o vida no ponto de vista do policial — a culpa pelo que aconteceu a ele ainda o perturba.

Bom, encurtando a estória, o que Victor menos esperava acontece. Ele acaba se apaixonando por Claire, que se comprometia com David. Como o policial ficara debilitado em muitas maneiras — não apenas no psicológico, além das pernas, ele havia ficado impossibilitado de ter relações com qualquer mulher. E isso meio que atormentava Claire também, que era jovem, e tinha suas necessidades.

Eles têm uma noite juntos, quando David sai de casa para um tratamento. Victor faz de tudo para que ambos possam ficar juntos para sempre, mas Claire admite que foi uma noite de fraqueza, e diz que não pode mais acontecer. E é então que a personalidade psicopata dele é revelada com mais intensidade. Victor se descontrola do modo mais clássico da patologia. Ele desenvolve a necessidade de possessão do que não é seu, apesar de acreditar com todos os seus argumentos de que está em seu direito. Ele não acredita no que ela diz, e acha ser influência de David.

E então, temos o desfecho mais inesperado, que não vou contar para não estragar a surpresa de quem se interessar pelo livro. :)

Recomendo para quem gosta de romances policiais. A leitura é simples, flui bem. Pode ficar meio cansativa no meio, com detalhes. A autora detalhe bem o cenário e os sentimentos das personagens, mas se insistir, garanto que não vai se decepcionar.

Eu tentei ver o filme, mas ao constar que era totalmente diferente do livro, larguei de mão — apesar do Almodóvar ser um diretor bastante aclamado pela critica. Às vezes é bom ver um filme que se apresenta diferente da obra literária para vermos um outro ponto de vista...mas acho que não estava com muita paciência para o filme mesmo. T_T outro dia, quem sabe, eu tento outra vez...

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