domingo, 15 de abril de 2012

Filme: Poderosa Afrodite






Lançamento: 1995 (1h 35min)
Título original: Mighty Aphrodite
Diretor: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Helena Bonham Carter, Mira Sorvino
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Em Nova York, um casal adota um menino e com o tempo o pai adotivo (Woody Allen) decide saber quem é a sua mãe biológica do seu filho. Ele descobre que ela é uma prostituta chamada Linda (Mira Sorvino), que em filmes pornográficos usa o nome Judy Cum e que nem sabe quem é o pai do garoto. O pai adotivo decide então aconselhá-la a abandonar este tipo de vida.

De acordo com a Adoro Cinema, Poderosa Afrodite é o 25º filme dirigido por Woody Allen e é ainda o 18º em que aparece como ator; e as sequências ambientadas nas ruínas de um anfiteatro na Antiguidades foram rodadas na Sicília.

Quem não conhece a história do Édipo Rei, pode detestar o filme. O Woody Allen faz forte referencia a ele, com toda a tragédia familiar. Mas é interessante notar como ele transporta uma obra que foi escrita há mais de vinte séculos atrás para a atualidade. Mas diferente do livro trágico, o filme é cômico, cheio de ironias e sarcasmos.

Temos logo no início a apresentação de um casal sem filhos. A esposa quer por que quer um filho. Afinal, está ficando velha e ele também já tinha lá sua coleção de fios brancos na cabeça. Só que não estava nos planos dele passar adiante seus genes, e pede um tempo para pensar. No entanto, quando chega em casa, eis que encontra a esposa com uma criança nos braços. Ela teria conseguido a criança por indicação de uma amiga que trabalhava numa agência de adoção. E, ironicamente, ele logo se apaixona pelo menino. Aí vem umas das cenas mais cômicas; eles passam um bom tempo discutindo nomes para o bebê, e vem todo tipo de sugestão esdrúxula onde um sugere um nome pior que o outro.

Depois que tudo é acertado, e o menino vai crescendo, o pai se pergunta sobre as origens do menino, que se mostrava muito inteligente. Será que é filho de pais geniais?

Através de um contato que sabia de uma coisa sobre outra pessoa que sabia de outra, ele descobre que a mãe era uma prostituta, e atriz pornográfica nas horas vagas. Preocupado com o dia em que o filho quisesse saber sobre suas origens, e talvez por ter simpatizado pela mulher que parecia ter sofrido muito, ele faz de tudo para tirá-la de caminho cabuloso. Enquanto isso, ele se preocupa com o fato de sua esposa estar se apaixonando por um outro cara mais novo, mais articulado, mais forte, mais influente do que ele. E isso lhe vem como um golpe no estômago, pois agora eles tinham um filho para cuidar. A partir daí, o filme se desenvolve entre confusões e confissões por parte das personagens.

A parte que envolve o livro fica por conta do coro, do cenário do teatro grego, pelo qual o filme intercala. O coro é responsável pela narração da tragédia, dos acontecimentos, sempre de modo sarcástico também.

Há uma cena em que uma personagem se destaca no teatro, e diz:

“Vejo desastre. Vejo catástrofe. Pior, vejo advogados!”. — muito bom!

Em tempos onde o publico exige coerência e objetividade, Woody Allen trás da antiga Grécia até mesmo o "Deus ex Machina" — recurso utilizado solucionar algo impossível, através de um elemento surpresa na trama que poderia ser justificada como pura obra do acaso, ou da divina providência. No meio do nada, um helicóptero aparece bem no momento em que a moça (prostituta) está passando de carro por uma estrada rodeada de campo verde, e nele está o amor de sua vida.

O filme, em suma, trata sobre o amor nas relações caóticas da atualidade. Ele com todos os seu problemas pessoais, profissionais, ainda tendo que se preocupar com a infidelidade da esposa; e ela, a prostituta, sonhando com seu príncipe encantado quando ela não passava de uma plebeia do mais baixo escalão. Afinal, até mesmo hoje em dia, ainda há quem tenha preconceitos e puderes em relação à prostituição.

E o final não poderia ser mais irônico. Ele carrega o filho dela sem que ela saiba, e ela carrega o filho dele sem que ele soubesse. Tragédias da vida contemporânea, que se transforma num alegre e divertido musical ao final.

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