segunda-feira, 30 de abril de 2012

Anime: Gosick




Título em Japonês: GOSICK
Categoria: Série TV.
Episódios: 24.
Produtores: Bones.
Gênero: Mistério, Shounen, Aventura.
Duração: 23 min. por episódio.


Sinopse: A história é sobre os casos resolvidos por uma garota esperta e bonita chamada Victorique, na companhia do japonês Amano Sakuya estudando no exterior. Parecida com a personagem Miss Marple, Victorica consegue solucionar os casos apenas com os fatos sem precisar estar no local do crime.











Mais uma vez, fui impulsionada pela "fofurisse" da arte. T_T

Bom, pela sinopse, já se pode ter uma ideia do que é Gosick; um anime de mistério, com muitas investigações. 



A estória se passa, inicialmente, numa grande escola de elite, chamada Academia Santa Margarida, uma escola conceituada da Europa, na perspectiva de um menino japonês, que ganha uma bolsa de estudos na escola. Logo no início, ele já se mostra um menino doce, mas que teve uma rigorosa educação em casa. Sempre que pode, ele afirma com certo orgulho que é o terceiro filho de um Soldado, e que precisa atingir as perspectivas do pai retornando com honra para o seu país. Percebemos por meios de pequenos flashbacks da personagem que ele sente ciúmes dos irmãos mais velhos, que parecem ter a preferência do pai. E por isso, ele se sente meio solitário, tanto naquela escola nova, quanto antigamente em seu lar.











Por causa da sua aparência física (olhos puxados, e cabelo escuro), ele ainda adquire o apelido de Ceifador Negro, conforme diz uma das lendas que percorre na acadêmia. E isso contribui ainda mais no isolamento dele, com relação ao restante da turma que o teme.



Aliás, uma das coisas mais bacanas sobre Gosick é que está recheada de lendas. E uma delas, inclusive, se refere à fada dourada, uma criatura maligna que suga almas das pessoas e vive no topo de uma torre; que, no caso, seria a biblioteca da escola. Mas essa, na verdade, é Victorika — uma menina baixinha, com cabelos longos e dourados como os raios do sol, e olhos verdes como a esmeralda. E para piorar a entonação do apelido que ela recebe,  Victorika é proibida de sair da biblioteca. A menina passa o tempo todo rodeada de livros, com a incumbência de adquirir cada vez mais conhecimentos. 











E Kazuya Kujo, o japonês, por acaso, é um dos poucos alunos que a vê. Ele procurava um livro, pois tinha o hábito de ler, e resolveu subir todos os degraus da biblioteca, até o ultimo andar. Lá ele encontra uma espécie de um pequeno jardim botânico suspenso, e uma grande boneca de cabelos dourados — que na verdade era a Victorika. Isso aumenta o mistério sobre a menina, pois percebemos que ela não é exatamente normal. Há uma estória por trás dessa lenda que se reflete no passado dela, e que vai sendo desenrolado ao expectador aos poucos.



A menina, então, que tem voz e determinação de mulher, se aproveita da ousadia de Kujo (ou talvez tolisse) e resolve usá-lo para quebrar seu tédio. Afinal, ela vivia ali sem nenhuma, ou muito pouca interação com o mundo exterior. Tudo o que ela sabia provinha de seus livros.













Mas tão logo ele vira seu "brinquedo", e conhece o inspetor Grevil (mais um que vai para a lista de cabeludos *_*)que aparece no jardim procurando por Victorika. Grevil assusta um pouco no inicio com seu penteado exótico; um enorme (e ridículo!) topete enroscado. O detetive pede ajuda à Victorika para resolver um caso que caiu em sua juridição, mas não estava conseguindo solucioná-lo. É a partir de então, que Victorika vai mostrando ao expectador todo o seu potencial.



Ela é inteligente, e junta todas as peças do crime para solucionar os casos. Lembrei um pouco de Death Note, que fazia isso, mas me decepcionei em certos pontos. Havia episódios em que os casos eram solucionados meio que na base da adivinhação, e não na junção de fatores e evidências — o que descaracteriza o gênero "investigação". Acho que o anime se propõem fortemente a ser isso... Mas de qualquer forma, não tornou o anime desinteressante. De modo algum! Me peguei atenta aos casos em todos os episódios. Acho que as estorias foram muito bem articuladas, pois no final percebemos que todos os casos solucionados, que apareciam separadamente, independente um do outro, na verdade, tinham uma conexão.













E Kujo, então, meio que de sopetão (mas não tão grande quanto o do inspetor), se mete das investigações e passa a seguir os passos de Victorika nos casos, por que ela é a única que não demonstra ter medo dele. E, então, assim, aos poucos, o relacionamento entre os dois vai se desenvolvendo, até que se tornam grandes amigos. É ele quem ensina a ela o valor que uma pessoa tem, e a importância de se ter alguém ao seu lado, pois até então ela desconhecia o que era amor, amizade, e todo o tipo de vínculo emocional que poderia ter.



Victórika, na verdade, é uma personagem que, com o desenrolar da trama o expectador descobre que guarda um grande segredo. Apensar do forte ar de lolita (com todos aqueles babados e cara de boneca), ela é completamente diferente do que representa. Ela é solitária, mas com uma personalidade muito forte, e por isso tende a ser meio arrogante, metida, mimada, mandona...Mas Kujo vai quebrando aos poucos a "casca" que faz com que a menina se pareça, de fato, com uma boneca, desprovida de sentimentos. E a cada episódio ela se humaniza mais. 













E, em compensação, Kujo percebe que não precisa da aprovação do pai para ser ele mesmo; basta ter alguém que o aceite ao seu lado.



Bom, falando de um aspecto mais geral do anime, é importante ressaltar que a história se passa no ano de 1924. Portanto, todo o ambiente carrega esse ar clássico entre as vestimentas das personagens, e as construções dos cenários. Outro detalhe que não pode passar despercebido nos comentários aqui é sobre a linguagem utilizada pelas personagens. Nada mais do que justo e condizente com a estoria, que eles falassem com sotaque menos coloquial, numa linguagem mais culta. E isso, claro, se reflete na dublagem do anime também. Confesso que, particularmente, eu adoro animes de época, e já vi outros em que isso não acontecia. É um detalhe que faz falta, que dá um toque a mais, na minha opinião. Afinal, o refinamento de uma obra está nos detalhes, não é mesmo? ;)













Além disso, o anime se mantém fiel aos costumes e maneiras de agir da época. Também é válido ressaltar que a estória faz conexões com a primeira guerra mundial, e achei isso bárbaro! Trouxe mais veracidade para o enredo, e o tornou mais consistente em termos de conteúdo. 



Enfim, o anime possui um toque de mistério e comédia básica, com um pouco romance numa época clássica. A história que envolve Victorika e Kujo é bonita, e gostei bastante como as coisas foram reveladas e desenvolvidas aos poucos. Foi um quebra-cabeças simples, mas a estória em si, acho que é mais complexa — o que deu um balanceamento muito bom para o anime.











Eu dei uma pincelada muito superficial na estoria para não estragar a surpresa de quem se interessar pelo anime. Acho que ando dando muitos spoilers nos meus comentários, e preciso rever isso T_T. Ou seja, há muito mais na estória do que eu contei. Também não falei sobre os outros personagens, que são bastante secundários, mas que, claro, tem sua importância na trama. Além de ajudarem no desenvolver do relacionamento entre Kujo e Victorika, alguns são responsáveis pelas cenas cômicas.



Eu recomendo o anime para quem gosta de investigação e mistério. Apesar de não ser daqueles mistérios que te faz roer as unhas, a maneira com as ações seguem te prende à tela. Na verdade, vi alguém fazer relação do anime com Sherlock Holmes. Victorika é inteligente, sagaz, sarcástica e usa um cachimbo. Kujo seria um Watsom bobo, mas um ótimo ajudante que recebe seus próprios casos para resolver... Quanto ao enredo em si, já não sei, pois ainda não tive oportunidade de ler as estorias de Sherlock, mas achei interessante a observação...









Bom, deixei o resto do post "escondido" pois ficaria muito gigantesco com as imagens. Gosick tem uma das aberturas mais bonitas que já vi, e não resisti pegar imagens dela que encontrei T_T A abertura segue no estilo Art Nouveau, conforme já comentei aqui. Aliás, no próprio anime, mostram vários cartazes de divulgações de peças teatrais, que fazem parte das investigações, nesse estilo. Na verdade, 1924 corresponde ao final da época do Art Nouveau...
















































domingo, 22 de abril de 2012

Filme: A Casa dos Sonhos













Título no Brasil: A Casa dos Sonhos
Título Original: Dream House
País de Origem: EUA
Gênero: Suspense
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento: 2011
Estréia no Brasil: 04/11/2011
Site Oficial:
Estúdio/Distrib.: Warner Bros.
Direção: Jim Sheridan
Elenco: Daniel Craig, Naomi Watts e Rachel Weisz

Sinopse: Uma família se muda para uma pequena cidade em Connecticut e descobre que uma mãe e suas duas filhas foram assassinadas na casa onde os recém chegados atualmente moram. As mortes foram causadas pelo marido, que está vivo e pode ser uma ameaça aos novos moradores.

Eu estava com um pé atrás para assistir ao filme. Pela sinopse, eu acreditava ser mais um filmeco de terror, onde a família se muda para a casa dos sonhos deles, e lá eles entrariam em conflito com o passado que a casa carrega — temos muitos filmes com essa temática por aí. Além disso, vi que a crítica estava falando mal da película; havia ainda a notícia de que o diretor pediu para que seu nome fosse retirado do filme, por que possui furos no roteiro, problemas de edição mal-feitas... etc, etc, etc...

Mas me encantei com o poster! Achei muito massa, e foi o que me atraiu, como acontece na maioria das vezes, no meu caso. Hehe... Sem falar que adoro a Rachel Weisz, acho ela ótima atriz. Então, fui ver o filme com o namorado. :D Mas me surpreendi. Não só com o tema, como com o desfecho. Comecei a ver o filme achando que era uma coisa, para perceber que era outra. Só não sei dizer se a surpresa foi boa ou ruim. Acho que vou ter que contar a moral da estória para que meus comentários se façam entendidos... mas vou fazer o meu possível para dar o mínimo de informações reveladoras...

Mas vamos lá. Bom, no início temos a personagem Will Tanton (interpretado pelo Daniel Craig) deixando o maravilhoso escritório em que trabalhava como editor de livros para se dedicar mais à sua família. Ele é apresentado como um workaholic, detestado por muitos dos seus colegas de trabalho que faziam festa pela partida dele. E na porta de saída, ele encontra uma senhora, que é apresentada como se fosse a chefe dele. Uma mulher de feições suaves e gentis. Antes de dar as costas para o prédio, ela entrega a Will um pequeno cartão com seu número e telefone.

E então, ele aparece em sua nova casa, localizada numa cidadezinha pequena, onde todos parecem se conhecer. A partir dai, o filme se foca na relação do Will com sua família. Ele tem uma bela e amorosa esposa, e duas filhas muito fofas. O filme fica por um bom tempo nessas cenas sentimentais, talvez para cativar o público com a relação deles. Mas enquanto isso, algumas coisas estranhas vão sendo descobertas, que parecem fazer parte da família que morava anteriormente na casa. Até que, lá pelas tantas, uma das meninas relata ter visto um homem do lado de fora da casa. Mais tarde, Libey (interpretada pela Rachel), a esposa do Will, encontra um homem vigiando a família ao longe. Will tenta ir atrás dele, mas não obtém sucesso.

Intrigado, então, ele vai atrás de informações. Ele recorre à polícia local, e pede por informações sobre o que se passara com a família. Mas eis que, para surpresa tanto dele quando de Libey, os oficiais resistem à ajuda-los. Aí, começa o mistério. Por que não querem ajudá-los? O acontecera com a família? Quem é o assassino? Pois é, através de um grupo de adolescentes que invadiam o porão da casa para rituais e orações pelas mortes, Will descobre que a família anterior havia sido assassinada na casa pelo marido, que estava a solta pela cidade.

Ele descobre o nome do cara, e também que ele era residente numa casa psiquiátrica. Aos poucos o inicio do filme se une à ponta do meio, e tudo começa a fazer mais sentido. Vemos que as coisas não eram o que aparentavam ser. Além disso, percebemos que o título se refere ao inconsciente da personagem, e não à casa em si.

Enfim, a partir daqui eu estaria contando os detalhes cruciais da estória. Resumido superficialmente o restante, Will descobre quem é o assassino e percebe que é vitima de um crime que havia sido cometido parcialmente por engano.

Vi gente criticar negativamente a personagem do Daniel que, muda drasticamente de uma hora para a outra. Bom, eu não diria que foi de uma hora para outra, sem explicações. Achei natural a mudança dele ao descobrir que era peça importante de um quebra cabeças criminoso. É claro que, numa situação daquelas a pessoa fica mais séria! O único ponto negativo que eu daria seria para o desfecho. A partir do momento em que a trama é revelada para o espectador, as coisas acontecem rápido demais. Acho que eles poderiam ter se focado um pouco mais na loucura do Will, antes de encerrar a trama. Acho que poderia, inclusive, ter mantido o suspense e as respostas para o final apenas. Tudo foi revelado muito apressadamente...

Também vi gente comparando o enredo com o Filme do Stanley Kubrick, O Iluminado. Uma família que se isola numa casa, e começa a ver coisas, onde lá pelas tantas o marido surta... Talvez houvesse mesmo uma influência do Kubrick no filme, talvez ele tenha sido com a intenção de fazer o mesmo sucesso que o outro... mas as diferenças são notáveis também.

Acho que o filme poderia ter se focado mais nos sentimentos das personagens também. Achei isso um tanto superficial. Percebemos que houve a intenção, mas faltou tempo porque tiveram pressa em encerrar o filme.

Quanto à atuação, não posso falar muito por que ando muito critica à isso. A Rachel foi ótima. Já a Naomi, além de aparecer pouco, achei fraca. Ela me parece fazer sempre papel de mulher indefesa, fraca. Talvez seja as expressões que ela sempre usa... não sei. E o Daniel foi meio termo. Algumas vezes ele foi bem convincente, algumas outras nem tanto. Ele parecia meio apático em algumas cenas, no qual acredito não ter sido intencional.

Enfim, eu diria que é mais um filme para matar tempo... Não é todo ruim, mas nem de longe chega a ser maravilhoso.

Anime: Natsume Yuujinchou







Título em Japonês: Natsume Yuujinchou.
Categoria: Série TV.
Episódios: 13.
Produtores: Brains Base
Gênero: Comédia, Drama, SobreNatural, fantasia.
Duração: 23 min. por episódio.


Sinopse: Takashi Natsume desde pequeno tem a habilidade de ver espíritos, fazendo com que sempre duvidassem dele, por isso manteve esse “dom” em segredo. Ele perdeu os pais quando ainda era muito pequeno, vivendo assim mudando de casa em casa. Faz um mês que Takashi se mudou para o mesmo lugar onde sua avó também morou, e lá também ele continua sendo perseguido constantemente por espíritos. Até que um dia ele encontra o espírito de um gato que o confunde com sua avó, que também tinha o poder de ver espíritos, e pergunta se ele tem o “yuujinchou”. Takashi descobre que o yuujinchou é um livro que contém os nomes de todos os espíritos que a sua avó derrotou, formando um “pacto” entre eles e o dono do livro. O gato tenta convencer Takashi a lhe entregar o livro, mas ele se recusa e diz que pretende devolver todos os nomes contidos no livro para seus donos. Agora com a ajuda do espírito gato, Takashi tenta dia após dia libertar todos os espíritos do livro.



Eu conheci Natsume através do mangá, da autora Midorikawa Yuki. Li várias edições até descobrir que o anime já havia sido lançado. Aí parei de ler o mangá, por que vi que a animação é muito boa, e se mantém bastante fiel à arte do mangá. A arte aqui não é tão atraente quanto a dos animes que comentei anteriormente, mas depois que nos habituamos passamos a gostar dela sim. Geralmente, dou preferência ao mangá, mas como são muitos os que quero lê, deixo alguns por conta do anime apenas.



Natsume é uma obra que faz bastante sucesso no Japão, tanto que acabaram de produzir a quarta temporada.  Tem 13 episódios cada, onde a primeira tem o um enredo que decorre durante o verão. Já Zoku Natsume Yuujinchou, a segunda, ocorre no inverno. A terceira se passa no outono, e essa quarta, por tanto, na primavera. 



Simplesmente não há como não se cativar por Natsume. À princípio, vemos o cotidiano do rapaz, que mora de favor com um casal que não tem filhos. Takashi, se não me engano, não conheceu a mãe, pois ela morreu logo depois que ele nasceu. E viveu por poucos anos com o pai, antes de o mesmo vir a falecer.  Sozinho, então, Natsume vai passando de parente em parente, mas todos pareciam rejeitar o garoto por ser estranho. Pois como ele tem a habilidade de ver espíritos, se assustava facil e constantemente. Além disso, por diversas vezes, era pego falando "sozinho".  



E assim ele foi crescendo, passando de uma casa para outra. Enfim, ele sofreu bastante na infância, por nunca ter conseguindo estabelecer sólidas relações de amizade — na escola, ele também costumava ser isolado, pois tinham medo dele —, tudo por causa da sua incompreendida habilidade em ver espíritos. Por este motivo, Natsume é uma pessoa tímida, fechada e com uma grande dificuldade em estabelecer ligações com as pessoas.



No entanto, a vida do menino muda completamente ao se mudar para a casa de um simpático casal, os Fujiwara. Natsume, que até então nunca tinha sido muito incomodado pelos espíritos que via (além dos sustos que levava, e alguns que tentavam falar alguma coisa banal com ele), começa a ser perseguido por várias criaturas que lhe exigem o chamado “Livro de Amigos”. Mas, na verdade, ele era confundindo com a falecida avó, Natsume Reiko, pela enorme semelhança que eles têm em comum. E este livro, simplesmente, é uma coleção de nomes de todos os demônios que a avó de Natsume derrotou enquanto adolescente. Dizia-se que, quem detiver o nome de um demônio no livro, conseguiria exercer controle absoluto sobre ele. 





É assim que Natsume acaba acidentalmente por libertar um demônio poderoso, chamado Madara, que também deseja o livro, mas que acaba se tornando o guarda-costas de Natsume. Mas, em troca, Madara ficará com o Livro de Amigos quando Natsume morrer. Adotando a forma de um gato gordo, Madara (ou Nyanko-sensei, como Natsume costuma chamá-lo) junta-se a Natsume em suas aventuras. Mas Madara, difrente do que aparenta ser, é uma entidade muito fanfarrona! A comédia que há na séria fica muito por conta dele, inclusive. Dei boas risadas dele. :)





Mas voltando, então, Natsume acaba por descobrir mais sobre seu passado, e que herdara a habilidade de sua avó. No entanto, ele descobre também que ela não era tão boazinha quanto ele. Reiko costumava ser uma menina mandona, brava, às vezes costumava maltratar os espíritos e os aprisionava de acordo com sua vontade.





Bom, o que Natsume Yuujinchou traz de especial, em minha humilde opinião, é o slice of life (pedaço de vida, em tradução literal), que está fortemente presente na série. Eu não tenho bem certeza ao que se refere exatamente este gênero, mas, ao que eu tenho notado, é quando a obra se foca mais na realidade, enfatizando os sentimentos de uma personagem e mostrando seu dia-a-dia. Os episódios unem a sensação de calma e mistério, de aventura e ação, de slice of life e simplicidade. 





Eu gosto bastante de séries que se enquadram nesta categoria, e acho que Natsume deveria ser ponto de referência para tal, pois é perfeito com aquele sistema de episódios mostrando uma estoria diferente a cada episódio. Ele consegue manter a atenção do espectador sempre presa na tela, naquela ânsia por saber o como vai ser o desfecho daquela trama; pois, apesar de todos serem bem diferentes uns dos outros, no final, trazem uma moral que se reflete de alguma forma no amadurecimento de Natsume. Ou seja, as estórias são todas bem articuladas.





Para os que podem se aventurar a ver o anime pela abordagem de espíritos e demônios, acho que pode dar com "os burros n'água". O tema principal deste anime é, sobretudo, a respeito de um rapaz solitário que guarda todos os seu problemas para si. É sobre suas relações e laços de amizades que vão se desenvolvendo, se fortificando, no dia-a-dia. 




Bom, essa quarta temporada, que foi a que acabei de assistir, eu diria que foi a melhor de todas. Foi, sem dúvidas, a mais significativa por que percebemos diversas mudanças no enredo. 



A começar pelo fato de que esta temporada se concentra muito mais nas relações do Takashi. Enquanto nas temporadas anteriores a personagem se metia em aventuras e confusões por causa dos espíritos, mas sempre com alguns flash backs explicando o passado do garoto, nessa temporada a autora optou por se focar mais no presente do Natsume; em como ele é agora, no que ele havia se tornado depois de toda a experiência pela qual passou na infância.. Aqui há um amadurecimento bastante perceptível tanto da personagem quanto da própria estória, que passa a ter mais profundidade. Natsume é mais forte, mais confiante, e tem domínio sobre suas emoções. Além disso, já está bastante acostumado com as aparições monstruosas que aparecem de repente. 



Nesta temporada, Natsume também aprende a confiar mais nos seus amigos. Ele descobre que não precisa mentir para proteger os outros, e que pode se deixar depender um pouco de seus amigos, por que eles oferecem a amizade verdadeira, e estão disposto a enfrentar os temores do garoto junto com ele. Ou seja, ele não está sozinho. Além disso, o passado dele é mais revelado. Ele costumava a manter suas lembranças trancadas no fundo do consciente, e fazia de tudo para não falar sobre elas. Mas ele é meio que obrigado a fazer isso, e descobre que não é tão ruim ter suas lembranças dolorosas, pois elas fazem dele o que ele se tornou. E é essa a mensagem que a série nos deixa ao final. :)



Enfim, amei, e recomendo mil vezes! Natsume mistura muito bem o drama, com comédia, ação e mistério. Jamais transmitiu aquela sensação de tédio, de repetição, ou qualquer coisa que a maioria das séries nesse estilo podem trazer. :)



#E Nyanko-sensei é "O" cara! auihauiahi





















quarta-feira, 18 de abril de 2012

Livro: Desastre



Sinopse: Num mundo onde os sentimentos, caminhos e valores dos seres humanos são comandados por entidades superiores, o destino pode ser traiçoeiro. O jovem escritor americano S. G. Browne andou pensando sobre tudo isso, e criou uma nova mitologia, em que os sentimentos, pecados e caminhos do ser humano são guiados por seres extravagantes, egoístas e muitas vezes irresponsáveis. O Narrador da história é Fado, um imortal que designa sinas aos homens, mora num apartamento de luxo em Nova York e veste uma atraente roupa humana. Solidário com seus clientes e apaixonado por uma vizinha, passa a burlar suas tarefas, alterar destinos e bagunçar as coisas no reino dos Céus. Com um texto leve, hilário e muito atual, Desastre vai fazer você repensar suas escolhas, acreditar no poder do amor, e descobrir que até a Morte não é assim tão má pessoa.


Um dos melhores livros que li esse ano! T_T E ele me custou somente 9,90, pelo site da Saraiva. Ele estava ali, na lista dos ignorados... tadinho. Ainda bem que fuço todo o site. Ando lendo até sinopses de livros com capas feias. Afinal, não se deve julgar um livro pela capa. Nem pela sinopse. Essa sinopse aí, que o site trás, é um cocô. Não diz muito. Nem sei por que resolvi comprar ele, além do preço que brilhava nos olhinhos (não sou mão de vaca, ok?)...

Mas enfim... Como a sinopse informa (mal), o livro trata sobre pecados capitais, veniais, emoções, virtudes humanas, todos eles como se fossem personagens. E mais!, a maioria deles atendem por um nome. Fado, o personagem narrador, se chama Fábio. A Morte se chama Dennis, um cara sério, sem muito tempo para nada, já milhões de seres humanos morrem por dia. E até mesmo Deus tem um nome. Atende por Jerry, o poderoso chefão.

Bom, só com isso já vemos que a estória é cômica, satírica e sarcástica. Há um momento em que o autor cita Fabio assistindo a um episódio de Seinfeld (seriado de humor americano), e me pergunto se foi alguma piadinha que ele fez se referindo Deus pelo nome de Jerry. Até por que as piadas que ele (o autor) faz no livro são bem parecidas com o que era apresentado no programa — ironia e sarcasmos sobre o cotidiano.

Mas isso é só um palpite meu...

Apesar de citar deus na estoria, o livro não se propõe a ser religioso. Pouco é falado sobre isso.

Fábio é Fado; o que significa que ele, desde os primórdios do universo, fora designado a lançar fados aos humanos. Mas fado não é destino. Há um diferença sutil. Fado, de acordo com Fábio, é tudo de ruim que acontece à pessoa, resultante de más escolhas. Há uma filosofia de boteco, como costumo dizer, neste livro. Ele reflete sobre a necessidade de consumo de algumas pessoas, que se enchem de coisas supérfluas para tapar os buracos em suas vidas — problemas amorosos, familiares, financeiros e problemas consigo mesmos. E este é o maior problema da humanidade, segundo Fado. O ser humano não reflete sobre si, não dá um tempo em suas vidas caóticas para pensar sobre quem realmente são. Preferem se entupir de coisas ruins, achando que estão fazendo bem a si mesmas. E ele fica indignado com isso, se pergunta como pode alguém tomar tantas decisões ruins? A ignorância, a raiva, o rancor, o fracasso costumam ser o fator influente principal.

Enquanto isso, por acaso, ele conhece Sara. Uma moça cujo futuro ele não consegue ler. Mas isso é comum, quando a pessoa está na trilha do Destino. O que o intriga é a maneira como todos olham para essa mulher. Todos se encantam com ela, há algo magnético que faz com que todos a seu redor sorria para Sara. E, então, antes que pudesse se dar conta, Fábio quebra uma das regras principais para um imortal. Não se relacionar com seres humanos.

Fábio é um imortal que usa uma vestimenta humana, para poder trabalhar em seus humanos. As vezes ele podia se fazer visível, as vezes ele se tornava invisível. Ele a segue por todos os lados, a observa, analisa.. tenta desvendar o mistério que a cerca. Até que, lá pelas tantas, ela o nota.

Num trem, é onde os dois começam a interagir. Ela se encanta com ele também — que, afinal, usa um veste humana bastante atraente, musculosa e bem dotada (se é que me entendem)...

O relacionamento entre eles vai ficando mais forte, na medida em que passam tempo juntos. Até que, lá pelas tantas, Sara começa a fazer perguntas pessoais sobre ele. Como foi sua infância, o que faz profissionalmente, como são seus pais... Ao passo que Fabio não pode revelar sobre si para um humano. Mas Sara vai cada vez mais cativando Fado, conquistando a confiança dele, até que resolve revelar tudo— já que ela insiste em conhecê-lo melhor. Ao mesmo tempo, vendo a simplicidade com que a moça pensa sobre tudo, e tenta lhe dar conselhos sobre seus problemas que, até então, eram vagos demais para ela, ele muda. Antigamente, Fado observava seus humanos com tédio; todos se afogavam na miséria e no fracasso por suas escolhas mal feitas. E então, de uma hora para outra, ele resolve mudar a situação e ajudar seus humanos a escolherem caminhos melhores. Afinal, já estava farto de verem todos sofrerem.

Mas isso era proibido pelas leis de Jerry. Jerry ficaria puto com Fábio. Lá pelas tantas, deus manda um e-mail — afinal, estamos em tempos de tecnologia avançada — para Fábio. Ele recebe uma advertência, da qual não dá ouvidos, e continua a interferir na vida dos humanos, até que Destino entra no caminho dele. Destino era uma putinha, como ele dizia. Uma vadia vaidosa, que adora vermelho, e tem um ego enorme só por que tem capacidade para decidir a vida dos humanos.

Fabio conversa com Carma, sobre as consequências de mudar o fado dos seus humanos. Carma é um bêbado sem noção, impaciente. Mas como eles tinha algo em comum, se davam bem. Afinal, Carma é a consequência imediata dos atos mal feitos. Só que Carma matou muitas das aulas que tiveram antes de serem lançados ao mundo, e lhe dá péssimos conselhos. Fábio, sem saber bem como agir, resolve fazer o que acha melhor.

No entanto, ironicamente, ele piora sua situação. Ele faz escolha equivocadas, onde Destino também interfere. Mas há uma razão por trás dos atos dela, que ele desconhece. Ele suspeita, mas não tem total certeza. E o que é pior, envolve a Sara. Nesse meio, todos eles recebem um e-mail de Jerry avisando para se prepararem para a chegada do novo Messias. Já não era sem tempo!, pensava Fabio. Afinal, como as coisas andavam caóticas no mundo, alguém deveria por ordem naquela bagunça.

Mas Fabio é demitido do cargo de Fado, e é transformado em humano. E por consequência de seus atos infratores, Sara deve ter a memória apagada. O que significa que ela jamais lembrará sobre qualquer relação que tivera com ele. Afinal, humano nenhum deve saber sobre eles.

A transformação da imortalidade para mortalidade é dolorosa. E, desacostumado a não ouvir as vozes que lhe contavam sobre o futuro das pessoas, ele precisa se habituar a ser humano, a sentir dores, fome e ficar doente... E só então, ele entende como é duro ser humano, viver sem saber o que está acontecendo, o que vai acontecer... A vida é muito mais difícil do que ele imaginava. E a cada dia que se passa, Fábio vai se afogando em suas mágoas e garrafas baratas de álcool.

Bom, se me deixar, eu conto o livro inteiro. Não vou fazer isso. O livro é ótimo, arranca boas risadas. E o final é simplesmente surpreendente. Em momento algum o autor dá pistas do que pode acontecer, tornando tudo inesperado. O autor escreve perfeitamente bem sob a perspectiva masculina sobre tudo, e isso é uma das coisas que mais apreciei. Geralmente a mulher escrevendo no ponto de vista masculino tende a afeminar em alguns aspectos, principalmente o psicológico. E aqui, Fado é um ótimo exemplo de masculinidade.

Além disso, o livro foge completamente do estereótipo dos livros de fantasia adolescente. Há um grau de realidade muito densa, em tudo o que é dito a respeito das personagens. As personagens parecem realmente reais, percebemos que foram todos muito bem pensados e desenvolvidos.

Eu resumiria o livro como inteligente. Foi uma sacada muito boa que o autor teve. E agora é só esperar pelo segundo. T_T

terça-feira, 17 de abril de 2012

Livro: Carne Trêmula



Sinopse: Considerada uma das melhores escritoras de mistério em língua inglesa da atualidade, Ruth Rendell se supera a cada livro. Em "Carne Trêmula", a autora cria um thriller fascinante ao cruzar a vida de dois homens em um instante que mudaria suas existências para sempre. Nesta história ambientada em Londres, a sucessora de Agatha Christie como "Rainha do Crime" explora os recônditos da mente de um homem perturbado em seus mais sórdidos detalhes. A premiada escritora monta um intrincado suspense psicológico, revela sentimentos e medos, mostrando o interior de cada personagem. Com este pano de fundo sombrio, Ruth Rendell faz também uma crítica à sociedade contemporânea, que não sabe como lidar com as liberdades individuais. "Carne Trêmula", adaptado para o cinema pelo célebre diretor espanhol Pedro Almodóvar em 1997, ganhou o Crime Writers' Association Gold Dagger em 1986, o mais prestigioso prêmio de literatura inglesa policial.

Não lembro de ter lido nada da Agatha ainda, embora eu tenha um livro dela aqui em casa. Portanto, não entrarei nessa discussão sobre comparações.

O livro já começa levando o leitor à ação. No ponto de vista de um policial bem intencionado, a autora entrega de cara o momento mais critico de toda a trama. David já está dentro da casa em que um sociopata havia invadido e mantinha como escudo uma moça — se não me engano, ela morava na casa. Victor, o criminoso, tem uma arma na mão, mas David não acredita que ela seja verdadeira. Há uma provocação por parte dele, que é mal interpretada pelo criminoso e, perdendo a paciência e o controle sobre si, Victor faz o disparo contra o policial.
 
E então entramos no ponto de vista do Victor. Aos poucos, a autora vai nos mostrando quem é essa personagem fria, que perde facilmente o controle. E aí descobrimos, então, que Victor teve uma infância um tanto turbulenta perante seus pais, nos fazendo pensar mais a respeito sobre ele.

Eu li "Serial Killer - louco ou cruel", que mostra bem, entre casos reais, que a psicopatia, em geral, começa a ser desenvolvida mesmo em casa. E no caso da personagem, o pai abusava da mãe, que era submissa, e Victor era espancado por ele. A autora mostra com excelência a visão do garoto, mostrando todo o quadro psicológico do homem que se desenvolveu cheio de temores e desconfianças com relação ao mundo em que vive, nos fazendo dar razão a ele, e não aos outros. Eu, pelo menos, me angustiei com tudo o que ele passou, e comecei a entender mais as ações deles, apesar de toda a crueldade. Victor, antes de ser pego por David, era estuprador, onde matava suas vítimas. Ele pegava moças que vagavam em parques escuros de Londres, cujas vidas pareciam tão insignificantes quanto a sua. E ele fazia isso para descontar a raiva e a frustração que ele sentia com relação a tudo o que aconteceu a ele. Sua intenção, no entanto, nunca era matar a vítima. Mas o descontrole emocional acabava sendo maior que sua razão.

Mas com o disparo que deu em David, Victor é pego pelo parceiro do policial caído, e vai para a cadeia, onde passa anos atrás das grades. Lá, ele consegue tempo para refletir sobre si mesmo, e entender que suas emoções eram suas maiores inimigas. Afinal, nunca tinha sido sua intenção atirar no policial, também. Victor atirou somente por que o outro não acreditava em si. Mas Victor não era um mentiroso. Nunca fez uso disso, sequer sabia mentir! E para provar que era um homem de palavra, no momento de tensão, quando David aplicava jogos psicológicos em Victor, dizendo a ele que não era capaz de atirar e que era um bandido de merda, enquanto se aproximava dele, Victor perde as razões e atira. Mas ele passa o tempo todo pensando que se David nunca tivesse feito aquelas insinuações, nada daquilo teria acontecido.

E então os anos se passam, e Victor é solto — ele havia sido preso somente pelo disparo intencional (acho que o termo é "crime doloso", quando há intenção). A polícia nunca descobriu o autor das mortes ocasionadas por estupro.

Livre, Victor percebe a mudança que há no mundo, depois de tanto tempo excluído da sociedade. A tecnologia está mais avançada, e os costumes das pessoas parecem ter mudando um pouco. Ele se sente estranho naquela mundo, e procura a única parente viva que tem. Muriel, a tia, irmã da mãe — uma senhora estranha, reclusa, que não saia de casa e fazia coleção de recortes de revistas e jornais sobre tudo o que era divulgado a respeito do crime de Victor. É aí, olhando todas os recortes que a mulher conseguira, que Victor descobre que David lançaria uma autobiografia, vendo também que o policial não morrera. Isso o apavora, por que teme como seria descrito por David. Ele tem certeza de que o policial contaria todas as suas sujeiras, e revelaria para toda Londres o mal caráter que era.

Mas Muriel, assustada com o sobrinho, o ignora e o teme ao mesmo tempo. E vendo o estado deplorável em que a mulher vivia, vai atrás de abrigo em outro lugar. Com o auxílio do governo, ele consegue um lugar barato para ficar por um tempo, até que consiga um emprego.

Lá pelas tantas, Victor pensa em se desculpar pelo que fez. Ele queria explicar o que houve e esclarecer que jamais teve intenção de atirar em alguém. Mas ao chegar na residência do ex-policial, se choca ao ver que havia deixado o homem paraplégico. E agora, aquele policial cheio de pompa, não passava de um verme que dependia dos outros — isso, no ponto de vista do Victor.

David, por sua vez, não reconhece Victor de primeira. Afinal os anos o envelhecera, e o tornara mais magro. Mas com um pouco de conversa ele descobre tudo, os dois conversam, e meio que fazem as pazes. Os dois viram "amigos".

Victor fica satisfeito com tudo isso, menos uma coisa. Com a própria aparência. Vendo que o policial morava em uma bela casa, tinha um belo carro e uma bela mulher ao seu lado — Claire toma conta do policial com os afazeres do dia-a-dia, já que ele é sozinho, sem parentes —, ele passa a cobiçar tudo.

É então, que ele descobre uma maleta cheia de dinheiro no quarto de Muriel, em uma das visitas que faz. Discretamente, ele pega algumas notas, com a certeza de que sua tia não notará a diferença. Além disso, ele pretendia pagar de volta. Não seria exatamente um roubo. Só não pedia diretamente a ela, por saber que a velha não gostava do sobrinho e negaria seu pedido. E então, Victor sai para comprar roupas novas.

Mas Victor vai ficando sem dinheiro, e pegando cada vez mais notas. Ele aluga um carro, e pensar em se mudar para uma região boa da cidade. Como a que David morava.

Em uma de suas visitas à sua tia, Victor também descobre uma cadeira de rodas nova, que pertencera a seu pai, pouco antes de sua morte. Victor leva a cadeira para sua casa, e se senta nela, tentando ver o vida no ponto de vista do policial — a culpa pelo que aconteceu a ele ainda o perturba.

Bom, encurtando a estória, o que Victor menos esperava acontece. Ele acaba se apaixonando por Claire, que se comprometia com David. Como o policial ficara debilitado em muitas maneiras — não apenas no psicológico, além das pernas, ele havia ficado impossibilitado de ter relações com qualquer mulher. E isso meio que atormentava Claire também, que era jovem, e tinha suas necessidades.

Eles têm uma noite juntos, quando David sai de casa para um tratamento. Victor faz de tudo para que ambos possam ficar juntos para sempre, mas Claire admite que foi uma noite de fraqueza, e diz que não pode mais acontecer. E é então que a personalidade psicopata dele é revelada com mais intensidade. Victor se descontrola do modo mais clássico da patologia. Ele desenvolve a necessidade de possessão do que não é seu, apesar de acreditar com todos os seus argumentos de que está em seu direito. Ele não acredita no que ela diz, e acha ser influência de David.

E então, temos o desfecho mais inesperado, que não vou contar para não estragar a surpresa de quem se interessar pelo livro. :)

Recomendo para quem gosta de romances policiais. A leitura é simples, flui bem. Pode ficar meio cansativa no meio, com detalhes. A autora detalhe bem o cenário e os sentimentos das personagens, mas se insistir, garanto que não vai se decepcionar.

Eu tentei ver o filme, mas ao constar que era totalmente diferente do livro, larguei de mão — apesar do Almodóvar ser um diretor bastante aclamado pela critica. Às vezes é bom ver um filme que se apresenta diferente da obra literária para vermos um outro ponto de vista...mas acho que não estava com muita paciência para o filme mesmo. T_T outro dia, quem sabe, eu tento outra vez...

domingo, 15 de abril de 2012

Filme: Poderosa Afrodite






Lançamento: 1995 (1h 35min)
Título original: Mighty Aphrodite
Diretor: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Helena Bonham Carter, Mira Sorvino
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Em Nova York, um casal adota um menino e com o tempo o pai adotivo (Woody Allen) decide saber quem é a sua mãe biológica do seu filho. Ele descobre que ela é uma prostituta chamada Linda (Mira Sorvino), que em filmes pornográficos usa o nome Judy Cum e que nem sabe quem é o pai do garoto. O pai adotivo decide então aconselhá-la a abandonar este tipo de vida.

De acordo com a Adoro Cinema, Poderosa Afrodite é o 25º filme dirigido por Woody Allen e é ainda o 18º em que aparece como ator; e as sequências ambientadas nas ruínas de um anfiteatro na Antiguidades foram rodadas na Sicília.

Quem não conhece a história do Édipo Rei, pode detestar o filme. O Woody Allen faz forte referencia a ele, com toda a tragédia familiar. Mas é interessante notar como ele transporta uma obra que foi escrita há mais de vinte séculos atrás para a atualidade. Mas diferente do livro trágico, o filme é cômico, cheio de ironias e sarcasmos.

Temos logo no início a apresentação de um casal sem filhos. A esposa quer por que quer um filho. Afinal, está ficando velha e ele também já tinha lá sua coleção de fios brancos na cabeça. Só que não estava nos planos dele passar adiante seus genes, e pede um tempo para pensar. No entanto, quando chega em casa, eis que encontra a esposa com uma criança nos braços. Ela teria conseguido a criança por indicação de uma amiga que trabalhava numa agência de adoção. E, ironicamente, ele logo se apaixona pelo menino. Aí vem umas das cenas mais cômicas; eles passam um bom tempo discutindo nomes para o bebê, e vem todo tipo de sugestão esdrúxula onde um sugere um nome pior que o outro.

Depois que tudo é acertado, e o menino vai crescendo, o pai se pergunta sobre as origens do menino, que se mostrava muito inteligente. Será que é filho de pais geniais?

Através de um contato que sabia de uma coisa sobre outra pessoa que sabia de outra, ele descobre que a mãe era uma prostituta, e atriz pornográfica nas horas vagas. Preocupado com o dia em que o filho quisesse saber sobre suas origens, e talvez por ter simpatizado pela mulher que parecia ter sofrido muito, ele faz de tudo para tirá-la de caminho cabuloso. Enquanto isso, ele se preocupa com o fato de sua esposa estar se apaixonando por um outro cara mais novo, mais articulado, mais forte, mais influente do que ele. E isso lhe vem como um golpe no estômago, pois agora eles tinham um filho para cuidar. A partir daí, o filme se desenvolve entre confusões e confissões por parte das personagens.

A parte que envolve o livro fica por conta do coro, do cenário do teatro grego, pelo qual o filme intercala. O coro é responsável pela narração da tragédia, dos acontecimentos, sempre de modo sarcástico também.

Há uma cena em que uma personagem se destaca no teatro, e diz:

“Vejo desastre. Vejo catástrofe. Pior, vejo advogados!”. — muito bom!

Em tempos onde o publico exige coerência e objetividade, Woody Allen trás da antiga Grécia até mesmo o "Deus ex Machina" — recurso utilizado solucionar algo impossível, através de um elemento surpresa na trama que poderia ser justificada como pura obra do acaso, ou da divina providência. No meio do nada, um helicóptero aparece bem no momento em que a moça (prostituta) está passando de carro por uma estrada rodeada de campo verde, e nele está o amor de sua vida.

O filme, em suma, trata sobre o amor nas relações caóticas da atualidade. Ele com todos os seu problemas pessoais, profissionais, ainda tendo que se preocupar com a infidelidade da esposa; e ela, a prostituta, sonhando com seu príncipe encantado quando ela não passava de uma plebeia do mais baixo escalão. Afinal, até mesmo hoje em dia, ainda há quem tenha preconceitos e puderes em relação à prostituição.

E o final não poderia ser mais irônico. Ele carrega o filho dela sem que ela saiba, e ela carrega o filho dele sem que ele soubesse. Tragédias da vida contemporânea, que se transforma num alegre e divertido musical ao final.

Anime: Inu x Boku SS






Título em Japonês: Inu x Boku Secret Service.
Categoria: Série TV.
Episódios: 12.
Produtores: Aniplex.
Gênero: Mistério, Comédia.
Duração: 23 min. por episódio.


Sinopse: Shirakiin Ririchiyo, atormentada pela bajulação e maus tratos que o nome de sua família infligiram à ela durante toda sua vida, decide se mudar e ficar sozinha, até que aprenda a ter confiança o suficiente para interagir com as pessoas sem ser rude ou machucá-las — mau hábito que a mesma desenvolveu devido a todos os problemas que o seu sobrenome lhe trouxe. Seus pais só concordam com isso caso ela vá viver na Maison de Ayakashi, comumente conhecida como Casa Ayakashi, um condomínio luxuoso onde só aqueles que são selecionados, podem residir. A cada pessoa residente desse lugar, é atribuído um agente do Serviço Secreto (S.S.), e, mesmo tendo rejeitado a companhia do agente à ela designado, Miketsukami Soushi jura à ela toda a sua lealdade e eterna proteção, dizendo que ela havia o salvo antes, mesmo que a mesma não se recorde disso. Mas, a verdade é que essa casa esconde outro segredo, e toda sua exclusividade é apenas um disfarce para encobrir o real motivo de apenas pessoas selecionadas poderem morar ali.













Inu x Boku também é conhecido como Youko x Boku, e é um mangá japonês escrito e ilustrado por Cocoa Fujiwara. Não sei bem como começar a falar sobre um anime que me surpreendeu tanto. Sei que nunca devemos julgar um anime (ou livro) pela sinopse, pois pode ser tão enganadora quanto trailers de filmes! E ainda costumo dizer: "nunca desista de um anime sem antes ver, pelo menos, os cinco primeiros episódios".. Essas dicas, definitivamente se valem aqui, em Inu x Boku SS.










Logo de cara vemos que é comédia. O primeiro episódio já vem cheio de tiradinhas engraçadinhas — ou com pretensão a serem engraçadinhas. O inicio, confesso, foi meio brochante; não havia nada demais e parecia algo muito bobinho, meio infantilizado, sem graça. E ainda encheram de fan service para atrair o público. Mas como a arte é muito fofa (vejam que lindas são as imagens *O*) continuei vendo. Eu repetia a mim mesma "veja até o quinto! Veja até o quinto episódio!" Hehe.





Foi o que eu fiz!, continuei vendo. E a cada episódio que se passava ia gostando mais, me surpreendendo mais com a trama. Ririchiyo é uma menina que vem de uma família muito rica, cujo sobrenome é mais importante do que qualquer relação que os familiares possam considerar. E isso era algo que pesava nos ombros da menina, pois era menosprezada pela família que se importava mais com o status do que com qualquer outra coisa. E como se não bastasse, seus colegas da escola a mantinham distante. Além disso, ela carregava o fardo de ser descendente de um Ayakashi — monstros da mitologia japonesa com poderes sobrenaturais.










De um tempo para cá, andei me interessando muito por lendas e mitos, e isso me chamou a atenção. Pois graças aos animes e mangás, eu já sabia que o japão era um prato cheio para quem gosta do assunto. 





Mas voltando ao anime, por ser quem ela era, Ririchiyo resolve se isolar para aprender a controlar suas emoções. Por causa da educação que recebera em casa, ela adquiriu o mau hábito de responder as pessoas com certo menosprezo, e sempre era taxada de antipática, metida, etc... Então, ela acreditava que se fosse isolada, conseguiria aprender a controlar sua língua afiada. Afinal, acima de tudo, ela tinha consciência do mundo que a envolvia e se sentia parte excluída dele. Só que Ririchiyo queria ser incluída, queria se envolver mais com outras pessoas, pois se sentia muito solitária... 





Eis, então, que ela vai para a Mansão Ayakashi, onde somente pessoas como ela moravam. A mansão é luxuosa, mora somente quem tem dinheiro, e ainda contam com o Serviço de segurança Secreto. Cada residente tem seu SS — no qual também são descendentes de Ayakashi.










Lá, sem a solicitação, ela ganha um agente. E este seria o Soushi Miketsukami, descendente do Ayakashi da raposa de nove caudas. Ela tenta se livrar dele, mas ele jura lealdade eterna a ela dizendo que sempre a conheceu e sempre desejou ser seu servo. Ela tenta esnobá-lo, afastá-lo, mas nada adianta; ele continua agarrado a ela como carrapato. E então, a relação dos dois vai se desenvolvendo aos poucos. Ela percebe como ele parece ter boas intenções e dedicar-se exclusivamente a ela, sem receber nada em troca, e isso vai cativando a menina. 





Boa parte da comédia fica por conta dele, inclusive. Notei também uma tirada sonora muito engraçadinha no anime. Tipo, está havendo uma cena de comoção, com uma musica melódica no fundo e, de repente, ela corta a cena com o som que indica non-sense (sem noção). Não sei se dá para entender o que eu quero dizer, mas enfim, teve várias cenas em que eu ri só por isso.





Bom, no meio da trama há algumas lutas, mas nada demais. São fracas e rápidas. Mas acho que tudo bem, já que o propósito dele é ser mais comédia mesmo. O que me deixou com o pé atrás foi a pouca comicidade, já que a proposta é ser cômico... Eles tentaram, mas não conseguiram muito. Mais para o final foi que senti mais a comédia. Junto com todo o drama, que foi revelado, e isso meio que tirou um pouco a graça. Acho que eles deveriam ter segmentado melhor as coisas. Deixado a comédia para o início, até para atrair mais o público, e despejado o drama no final; e não essa mistura, onde um anula o outro. Mas essa é minha humilde opinião...





Além disso, senti que as personagens foram pouco desenvolvidas, com exceção da Ririchiyo e o Miketsukami. Mas talvez isso seja resolvido em uma segunda temporada. 





O character design é bacana, mas nada extraordinário, nem muito elaborado. É bem comum, na verdade. Temos ternos, uniforme escolar entre um vestido aqui e uma saia ali. Na maior parte do tempo a Ririchiyo aparece de uniforme, ou vestindo a camisa branca (nas cenas de fan service). Eles alternam mais quando se transformam em yokais. Mas as vestimentas também não são nada extraordinárias.





Mas ainda falando sobre personagens, preciso falar do Zange Natsume. Ele é um meio-humano, meio demônio vestindo uma tiara de orelhas de coelho pretas na cabeça, e afirma ser capaz de "ver" as coisas por causa de sua herança demoníaca. Ele é uma pessoa muito alegre, um pouco intrometido. Boa parte cômica da série também vem dele, e seu lema é "todos devem se dar bem." Mas ele mostrou um lado meio sinistro quando faz sua primeira aparição. E é isso o que me surpreendeu. Ou, talvez, confundiu... Agente passa o tempo todo esperando para que ele dê as caras, banque o vilão, mas isso não acontece. No final, ele se mostra uma pessoa de bom coração, inclusive. Ele é meio misterioso, por que pouco fala sobre si. É daqueles personagens que gosta de fazer brincadeiras provocativas, com insinuações, mas fica sempre na dele. Tenho a impressão de que ele ainda vai virar a mesa...





Também gostei da Karuta. Ela também nos faz rir em alguns momentos. Ela parece viver no mundo da lua, sempre comendo algo, mas na verdade ela é muito perceptiva e atenta ao que acontece. Só não se expressa muito.





E por falar nela, lembrei dos vídeos de encerramento. São hiláarios!!! Nos primeiros episódios, acho que é sempre o mesmo. Mas depois do 7º episódio, se não me engano, passa ser um encerramento por personagem, onde cada um deles aparece cantando. O encerramento da Karuta é o melhor!!!





Não posso me esquecer também das tiradas poéticas que eles fazem. Quando uma personagem diz algo importante, eles alternam o cenário para uma tela preta, repetindo o que foi dito em forma de verso. Acho que isso deu um toque a mais no drama. 





Eu havia dito no início que me surpreendi com o anime, pois achei que ele seria muito bobo, mas a historia do Miketsukami é bastante profunda, e achei muito bem elaborada. Ele cresceu isolado num quartinho, tendo alguém que levasse comida para ele, como se fosse um animal enjaulado. Quando começou a compreender que as pessoas são movidas por interesse, ele começou, então, a manipula-las para o benefício próprio. Não vou dar detalhes para não estragar a surpresa (acho que já falei até demais :X).





Só posso dizer que o anime surpreende. Sobre os mitos japoneses, pouco foi mencionado, na verdade. A autora poderia ter se focado mais nisso. Com certeza tornaria tudo muito mais interessante. Ou, talvez, o mangá seja melhor. Não duvido que seja... Algumas explicações foram dadas, mas meio superficial. De qualquer forma, recomendo o anime para os que gostam de romance. O Relacionamento entre a Ririchiyo e Miketsukami é muito bacana, com direito a um beijo no final. *_*













 













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