quinta-feira, 29 de março de 2012

Livro: Anna e o Beijo Francês








Anna está ansiosa pelo seu último ano em Atlanta, onde tem um grande trabalho, um melhor amigo leal, e uma queda na iminência de tornar-se mais. É por isso que ela não estava muito empolgada em ser enviada para um colégio interno em Paris, onde ela conhece St. Claire: perfeito, parisiense e absolutamente irresistível. Como o inverno derrete na primavera, será um ano romântico que terminará com o grande beijo francês aguardado?

Apesar de criticar bastante esses livros com estórias de romance entre adolescentes, deixe-me esclarecer que eu gosto deles. Até certo nível. O que me irrita imensamente são as constantes choradeiras e todo o nhenhenhe. "Fulano é lindo. Fulano faz isso, faz aquilo. Fulano é assim, é assado"... — e depois repetem tudo de novo, 3126879765434687635436534 vezes, com outras palavras. É deveras irritante. É como se estivesse me dizendo que sou tapada, e não entendo o que estou lendo! ¬¬

Mas vamos ao livro... Anna é americana, filha de uma professora casada com um escritor best-seller, que vai terminar o ultimo ano da escola num internato em Paris.

Confesso que, no inicio, achei que me arrependeria de ter comprado o livro, mas mudei completamente minha opinião. O fato de a estória se passar na França, me chamou muito a atenção, porque esperava que houvesse bastante relatos sobre a cultura deles, que é bastante diferente da nossa. Infelizmente isso acontece pouco. Ela, a autora, mostra algumas coisas, mas sinto que ela poderia ter se aprofundado mais nisso...

Mas dou ponto positivo para o fato de a personagem principal ser fascinada por cinema. E como sabemos, França é a capital do cinema! Foi lá onde tudo começou, lançado pelos irmãos Lumier... Acho que foi uma jogada muito boa, muito bem sacada. A oportunidade estava lá e ela se aproveitou bem disso. O livro é cheio de referências, tanto filmográficas quanto bibliográficas, e achei ótimo.

Ainda nessa questão das referências, outra coisa que preciso comentar é sobre um trecho em que a professeur de literatura de Anna fala sobre o por quê dos americanos não consumirem muito a literatura estrangeira, traduzida. Ela fala que os americanos estão habituados ao imediatismo, ações. E a literatura estrangeira é uma leitura reflexiva, que exige do leitor certo nível de paciência e percepção, digamos assim. Pois escritores brasileiros, ingleses, espanhóis e portugueses, por exemplo, obrigam o leitor a pensar sobre o que lê. O que não acontece com a literatura americana.

E isso me deixou intrigada. Acredito que seja verdade, porque são poucos os escritores americanos na lista dos grande autores da literatura de reflexão. E, pelo que bem conhecemos a respeito de Hollywood, é exatamente isso. Essa questão da literatura se reflete muito bem nos filmes americanos. Nos filmes franceses, por exemplo, já seguem outra linha. São filmes mais cult, que faz o expectador pensar sobre o que está vendo, sobre o que está lhe sendo apresentado, enquanto os americanos trabalham com o mais óbvio e objetivo.

Mas eis minha incredulidade para a questão: se a autora tinha consciência disso, por que diabos ela escreveu o livro da mesma maneira? A resposta é óbvia. É o que os americanos consomem! Então, por que haveria ela de modificar isso, e se arriscar a sair perdendo? Se ela não tivesse escrito o que escreveu, não teria sido quase uma best-seller. Não chegou a ser, mas acredito que ficou perto do topo.

Umas das coisas que se repete muito nesses romances juvenis, são as brigas familiares. Eu não gosto muito disso. Quero dizer, eu entendendo que toda família tem seus problemas, mas vendo todos esses romances relatando esse tipo de questão, temo que possa passar a impressão errada aos jovens de hoje e influenciá-los negativamente. Hoje em dia o jovem tem muito mais voz contra os pais, do que antigamente. Vejo isso claramente, observando o vizinho que mora no apartamento de cima do meu. Ok, ele é um exemplo à parte, mas duvido muito que seja o único. Ele xinga os pais, diz palavrões a eles e os manda tomar naquela lugar de trás. Juro! Na minha época, e olha que nem faz tanto tempo assim, minha mãe teria me dado um belo tabefe na boca e ainda posto pimenta na minha boca. Ela já fez isso, na verdade, por que a desrespeitei. Os pais continuam sendo os pais, aqueles que alimentam o filho, pagam suas roupas, cinema, educação... mas os jovens não estão nem aí para isso, por que acham que tem tantos direitos quanto os pais tem de se impor.

Não sei se é um pensamento já antiquado, mas acredito que devo mais respeito a quem me deu a vida, me alimenta e me educa enquanto não posso fazer isso, do que o contrário.

Enfim, esse é um comentário a parte, não me referindo diretamente ao livro em questão.

A estória me fez rir em vários momentos. É descontraído, mas sem ser enjoativo. Levei um tempinho a me habituar com o estilo de escrita da autora, muito pausado. Mas depois que pega a manha, a leitura desliza fluida. E não tem muita melação, daquelas que eu detesto. Os mimimis existem, mas não são exagerados. Acho que estão medida e no momento certo.

Minha critica negativa vai mais para a parte em que St. Claire apareceu; logo vi que rolaria alguma coisa entre eles, mas eu fiquei torcendo para que a autora nos surpreendesse trazendo à tona outro rapaz tão encantador quanto ele. Ela poderia ter nos feito pensar que o beijo francês rolaria com um francês mesmo... e St. Claire não é francês. Vibrei um monte no final, quando ela começa a ficar com o Dave (apesar de ele também não ser francês), mas odiei profundamente o babaca que ele se mostrou ser. Sei lá... acho que a autora poderia ter feito diferente. Não que eu não tivesse gostado do St. Claire. Ele é um amor, se dúvidas... Deu vontade de arranjar um amigo como ele. Mas foi muito previsível. Ela não precisava ter estragado a personalidade do Dave. E no fim, ela não teve o tão esperado beijo francês com um francês... ¬¬

E mudei outra vez minha opinião sobre o livro. Quando comecei, suspeitei que fosse haver aquela mesma historinha de adolescentes brigando na escola por um rapaz incrível demais para ser verdade. Mas até a metade, eu vejo a trama se desenrolar de forma totalmente oposta. Na maior parte, o livro trata sobre um grupo de amigos que se diverte e se apaixona na cidade romântica, fazendo passeios turísticos entre um cinema e outro. Ela mostra até uma moral que me fez lembrar de algum anime (agora não me ocorre qual), quando Anna descobre que o lar não está num lugar, mas numa pessoa. E isso foi super legal, deu mais força ao enredo. Trouxe uma mensagem bacana para o leitor.

Até que no final, a autora caga tudo com aquelas briguinhas tipicas de adolescentes. Mas, pelo menos, ela não se arrastou nisso durante o livro inteiro...

Bom, terminar minha "resenha" (acho que o que eu escrevo não é bem uma resenha...) com uma critica negativa sobre um livro que, na verdade, eu gostei não é bom. T_T Eu gostei do livro, e acho que o leria de novo (coisa rara de acontecer. Aliás, nunca aconteceu de eu ler um mesmo livro mais de uma vez...). Mas o que eu quero dizer é que tudo isso o que comentei são pequenos detalhes, completamente relevantes. Deu para relevar todas as partes negativas, e apreciar as positivas. Amei muito,muito, muito mesmo a forma como o romance entre St. Claire e Anna se desenvolveu. Foi muito meigo. Muito cuti-cuti, no bom sentido. Consegui mergulhar perfeitamente na estória, e me colocar no lugar dela. Senti as frustrações dela, as confusões que sentia em relação a um e outro... Senti a paixão que ela tinha por filmes. Foi uma boa experiência. :) E quero MUITO visitar Paris, algum dia. Depois que eu for para Londres e encontrar o Ben!!!! T_T.

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