quinta-feira, 29 de março de 2012

Livro: Anna e o Beijo Francês








Anna está ansiosa pelo seu último ano em Atlanta, onde tem um grande trabalho, um melhor amigo leal, e uma queda na iminência de tornar-se mais. É por isso que ela não estava muito empolgada em ser enviada para um colégio interno em Paris, onde ela conhece St. Claire: perfeito, parisiense e absolutamente irresistível. Como o inverno derrete na primavera, será um ano romântico que terminará com o grande beijo francês aguardado?

Apesar de criticar bastante esses livros com estórias de romance entre adolescentes, deixe-me esclarecer que eu gosto deles. Até certo nível. O que me irrita imensamente são as constantes choradeiras e todo o nhenhenhe. "Fulano é lindo. Fulano faz isso, faz aquilo. Fulano é assim, é assado"... — e depois repetem tudo de novo, 3126879765434687635436534 vezes, com outras palavras. É deveras irritante. É como se estivesse me dizendo que sou tapada, e não entendo o que estou lendo! ¬¬

Mas vamos ao livro... Anna é americana, filha de uma professora casada com um escritor best-seller, que vai terminar o ultimo ano da escola num internato em Paris.

Confesso que, no inicio, achei que me arrependeria de ter comprado o livro, mas mudei completamente minha opinião. O fato de a estória se passar na França, me chamou muito a atenção, porque esperava que houvesse bastante relatos sobre a cultura deles, que é bastante diferente da nossa. Infelizmente isso acontece pouco. Ela, a autora, mostra algumas coisas, mas sinto que ela poderia ter se aprofundado mais nisso...

Mas dou ponto positivo para o fato de a personagem principal ser fascinada por cinema. E como sabemos, França é a capital do cinema! Foi lá onde tudo começou, lançado pelos irmãos Lumier... Acho que foi uma jogada muito boa, muito bem sacada. A oportunidade estava lá e ela se aproveitou bem disso. O livro é cheio de referências, tanto filmográficas quanto bibliográficas, e achei ótimo.

Ainda nessa questão das referências, outra coisa que preciso comentar é sobre um trecho em que a professeur de literatura de Anna fala sobre o por quê dos americanos não consumirem muito a literatura estrangeira, traduzida. Ela fala que os americanos estão habituados ao imediatismo, ações. E a literatura estrangeira é uma leitura reflexiva, que exige do leitor certo nível de paciência e percepção, digamos assim. Pois escritores brasileiros, ingleses, espanhóis e portugueses, por exemplo, obrigam o leitor a pensar sobre o que lê. O que não acontece com a literatura americana.

E isso me deixou intrigada. Acredito que seja verdade, porque são poucos os escritores americanos na lista dos grande autores da literatura de reflexão. E, pelo que bem conhecemos a respeito de Hollywood, é exatamente isso. Essa questão da literatura se reflete muito bem nos filmes americanos. Nos filmes franceses, por exemplo, já seguem outra linha. São filmes mais cult, que faz o expectador pensar sobre o que está vendo, sobre o que está lhe sendo apresentado, enquanto os americanos trabalham com o mais óbvio e objetivo.

Mas eis minha incredulidade para a questão: se a autora tinha consciência disso, por que diabos ela escreveu o livro da mesma maneira? A resposta é óbvia. É o que os americanos consomem! Então, por que haveria ela de modificar isso, e se arriscar a sair perdendo? Se ela não tivesse escrito o que escreveu, não teria sido quase uma best-seller. Não chegou a ser, mas acredito que ficou perto do topo.

Umas das coisas que se repete muito nesses romances juvenis, são as brigas familiares. Eu não gosto muito disso. Quero dizer, eu entendendo que toda família tem seus problemas, mas vendo todos esses romances relatando esse tipo de questão, temo que possa passar a impressão errada aos jovens de hoje e influenciá-los negativamente. Hoje em dia o jovem tem muito mais voz contra os pais, do que antigamente. Vejo isso claramente, observando o vizinho que mora no apartamento de cima do meu. Ok, ele é um exemplo à parte, mas duvido muito que seja o único. Ele xinga os pais, diz palavrões a eles e os manda tomar naquela lugar de trás. Juro! Na minha época, e olha que nem faz tanto tempo assim, minha mãe teria me dado um belo tabefe na boca e ainda posto pimenta na minha boca. Ela já fez isso, na verdade, por que a desrespeitei. Os pais continuam sendo os pais, aqueles que alimentam o filho, pagam suas roupas, cinema, educação... mas os jovens não estão nem aí para isso, por que acham que tem tantos direitos quanto os pais tem de se impor.

Não sei se é um pensamento já antiquado, mas acredito que devo mais respeito a quem me deu a vida, me alimenta e me educa enquanto não posso fazer isso, do que o contrário.

Enfim, esse é um comentário a parte, não me referindo diretamente ao livro em questão.

A estória me fez rir em vários momentos. É descontraído, mas sem ser enjoativo. Levei um tempinho a me habituar com o estilo de escrita da autora, muito pausado. Mas depois que pega a manha, a leitura desliza fluida. E não tem muita melação, daquelas que eu detesto. Os mimimis existem, mas não são exagerados. Acho que estão medida e no momento certo.

Minha critica negativa vai mais para a parte em que St. Claire apareceu; logo vi que rolaria alguma coisa entre eles, mas eu fiquei torcendo para que a autora nos surpreendesse trazendo à tona outro rapaz tão encantador quanto ele. Ela poderia ter nos feito pensar que o beijo francês rolaria com um francês mesmo... e St. Claire não é francês. Vibrei um monte no final, quando ela começa a ficar com o Dave (apesar de ele também não ser francês), mas odiei profundamente o babaca que ele se mostrou ser. Sei lá... acho que a autora poderia ter feito diferente. Não que eu não tivesse gostado do St. Claire. Ele é um amor, se dúvidas... Deu vontade de arranjar um amigo como ele. Mas foi muito previsível. Ela não precisava ter estragado a personalidade do Dave. E no fim, ela não teve o tão esperado beijo francês com um francês... ¬¬

E mudei outra vez minha opinião sobre o livro. Quando comecei, suspeitei que fosse haver aquela mesma historinha de adolescentes brigando na escola por um rapaz incrível demais para ser verdade. Mas até a metade, eu vejo a trama se desenrolar de forma totalmente oposta. Na maior parte, o livro trata sobre um grupo de amigos que se diverte e se apaixona na cidade romântica, fazendo passeios turísticos entre um cinema e outro. Ela mostra até uma moral que me fez lembrar de algum anime (agora não me ocorre qual), quando Anna descobre que o lar não está num lugar, mas numa pessoa. E isso foi super legal, deu mais força ao enredo. Trouxe uma mensagem bacana para o leitor.

Até que no final, a autora caga tudo com aquelas briguinhas tipicas de adolescentes. Mas, pelo menos, ela não se arrastou nisso durante o livro inteiro...

Bom, terminar minha "resenha" (acho que o que eu escrevo não é bem uma resenha...) com uma critica negativa sobre um livro que, na verdade, eu gostei não é bom. T_T Eu gostei do livro, e acho que o leria de novo (coisa rara de acontecer. Aliás, nunca aconteceu de eu ler um mesmo livro mais de uma vez...). Mas o que eu quero dizer é que tudo isso o que comentei são pequenos detalhes, completamente relevantes. Deu para relevar todas as partes negativas, e apreciar as positivas. Amei muito,muito, muito mesmo a forma como o romance entre St. Claire e Anna se desenvolveu. Foi muito meigo. Muito cuti-cuti, no bom sentido. Consegui mergulhar perfeitamente na estória, e me colocar no lugar dela. Senti as frustrações dela, as confusões que sentia em relação a um e outro... Senti a paixão que ela tinha por filmes. Foi uma boa experiência. :) E quero MUITO visitar Paris, algum dia. Depois que eu for para Londres e encontrar o Ben!!!! T_T.

terça-feira, 27 de março de 2012

Filme: Always



Título original: O-jik geu-dae-man
Duração: 108 min
Gênero: Drama
Lançamento: 20 October 2011 (Coreia do Sul)
Diretor: Il-gon Song
Escritores: Il-gon Song, Hong-jin No
Elenco: Ji-Sub So, Hyo-ju Han e Shin-il Kang

Sinopse: Uma história de amor fatal centrada no ex-pugilista Chul-min (So Ji-sub) e a operadora de telemarketing Jung-hwa (Han Hyo-joo). Ele fechou seu coração para o mundo e ela continua animada, apesar lentamente perder sua visão.

Eu não costumo ver filmes coreanos, japoneses, chineses... apesar de gostar bastante deles. Os orientais possuem uma maneira muito delicada de ver as coisas. Eles são muito mais perceptíveis, no que diz respeito à sensibilidade humana do que os americanos. Os filmes deles costumam conter bastante poesia, embora muitas serem clichês ao extremo.

Sei que há muita gente que não consegue apreciar filmes orientais por conta do "exagero" dos atores. Mas uma vez que você se habitua, e entende que isso é, de fato, parte da cultura deles, passa a gostar mais. Os japoneses são, por natureza, exagerados em muitas coisas. Por isso, muitas vezes, a atuação deles parece "forçada". Mas não é. Eles se expressam muito por gestos e expressões faciais, realmente. Vemos isso tanto em filmes, quanto nos seriados, e até mesmo nos animes e mangás. :)

Mas vejamos... Não sei bem dizer o que me atraiu a este filme. O encontrei por acaso, num site de indicações de filmes. Acho que o poster foi o que me chamou. E talvez, um pouco, o fato de eu estar necessitando de um drama, estilo mamão com açúcar — porque é bem isso o que ele é.

A estória começa com uma música do U2. Acho que são deles, a voz do vocalista me pareceu ser a do Bono... e então, temos o protagonista. Ele trabalha fazendo entregas de garrafões de água para empresas e residências, enquanto à noite, monitora o estacionamento de um shopping (acho que é um shopping). Só que ele passou a tomar o horário de um outro senhor, que costumava fazer o mesmo. E então, de repente, aparece uma jovem dentro da cabine de monitoramento, lhe entregando doces, frutas e sei lá mais o que, toda animada. Ele a recebe, sem entender o que diabos ela está fazendo ali, lhe entregando tudo aquilo com toda aquela empolgação. Até que, então, ela percebe que ele não é quem ela pensava que estaria ali. Afinal, ela é cega, e não sabia da troca. Logo, ela se desculpa, e se afasta. Mas vejam que conveniente!, está chovendo canivetes e ele a chama de volta para se abrigar na cabine junto com ele.

Ela conta a ele que costumava visitar o senhor para assistir uma novela na televisão dele. Eu tive que ver o filme com legendas em inglês, então, houve algumas partes que não captei bem o que diziam. Não sei se ela trocava as horas de tv com ele por comida, ou se apenas fazia companhia ao velho. Enfim, ela continua visitando a cabine para ver a novela, todas as noites. E é aí que o relacionamento entre eles vai se desenvolvendo.
Ele a observa se emocionar ouvindo as cenas, e se encanta com as expressões que ela faz. Há uma cena muito bacana que mostra ele sozinho lá, esperando ela, de olhos fechados — como se tentando imaginar o mundo em que ela vive, somente de sons. E depois, aparece ela sempre fazendo perguntas sobre como são aos atores da novela, se são bonitos, o que estão usando; e ele sempre responde relacionando a ela. "A mulher está usando um brinco parecido ao seu." — ele diz. Ela se emociona com isso, e a câmera mostra que é totalmente diferente.

Há outra cena que gostei bastante, dela entrando na cabine e sentindo o forte cheiro de chulé do cara. E ele, todo envergonhado, deixa ela pensar que estava suado porque trabalhou muito durante o dia. Mas ela bem sabia que era chulé, sim. E ele corre para lavar os pés, e no dia seguinte aparece com um par de tênis novos. O filme é cheio desses pequenos detalhes, que fazem toda a diferença na trama...
 Lá pelas tantas, então, para agradecer tudo que ele fazia por ela, a moça o presenteia com dois ingressos para um show. Ao perceber que ele não tinha quem levar, ela mesma se oferece para acompanha-lo. Os dois vão ao show e, de lá, seguem para um café. É então que a conversa entre eles fica mais séria. Ela fala sobre si, seu trabalho e, percebendo que ele era muito calado, começa a fazer perguntas pessoais. Só que ele dá uma bela cortada na moça com um "Cuide do seu próprio umbigo. Não se meta onde não é chamada."

Ela ficou ofendida, é claro. Acha que ele está ignorando-a por que ela o aborrece; se levanta e vai embora. Mas ele a segue, sempre de cabeça baixa, até a porta da casa dela. E então esclarece que não queria falar nada porque tem vergonha do seu passado, e não por que a ignorasse. Ele é órfão, e se metia em trabalhos sujos, batendo em inocentes. Passou quatro anos e meio na cadeia, e agora queria reconstruir sua vida.

Ela o desculpa, e ambos começam a se envolver mais. Ele reconstrói o apartamento dela, arredondando cantos de mesas, arranjou mais espaço para ela se locomover sem bater em nada, tirou todos os degraus que havia entre as portas..ou seja, adaptou o apartamento para que ficasse de acordo com as necessidades de um deficiente visual. E passa a viver com ela, construir sonhos junto com ela... Só que as sombras do passado dele ainda o aterrorizava, e ele acaba por descobrir que teve uma parcela de culpa no acidente que matou os pais dela, e que a deixou cega. Isso o consome imensamente, até que ele toma uma importante decisão. Que não vou contar! >:D Assim como não contei como foi o acidente... mas é bem previsível.

E então, vem a parte mais crítica do filme. Ela fez uma operação para voltar a enxergar... E é aí que que todo o drama fica mais pesado. No final acontece algo que eu não esperava acontecer... (mas que, se pensar bem, é algo previsível sim).

Bom, como eu disse antes, é um drama/romance mamão com açúcar. Ou seja, meloso. Mas eu gostei... houve partes que me tocou, sim. A representação que ela coloca dos dois em duas pedras que encontraram, e a parte em que ele desaparece e ela tenta reproduzir em argila o rosto dele, com base nas memórias... Foi aí que meus olhos se encheram de lágrimas, por que me coloquei no lugar dela, com toda aquela angustia de querer vê-lo e ter que se contentar com a porcaria da memória. Afinal, foi ele quem a convenceu de fazer a cirurgia. E ela diz que além de ver o próprio rosto, ela quer ver o dele. Mas quando acorda, vê somente o próprio porque ele não está mais lá.

A atuação dos atores foi muito boa. E a guria fez muito bem papel de cega, que não é nada fácil. Não sei se conseguiria me manter por tanto tempo olhando para um único ponto, sem mal piscar como ela fez...E ambos conseguiram passar muito bem as emoções através das expressões (sempre faço esses comentários banais e óbvios, mas é por um motivo). A única cena que achei exagerada foi uma, no final, em que ela corre desesperadamente pelas ruas atrás dele, e desaba no chão. Bom, não sei bem se exagero é a palavra certa. Eu, pelo menos, senti muito bem a agonia dela. Mas vê-la fazer aquele escândalo não me pareceu muito justo... não sei.

Há cenas muito bonitas e muito bem fotografadas também, que fazem valer a pena ver o filme... E So Ji-sub, o ator principal (coreanos têm nomes tão estranhos...), é de tirar o fôlego... se é que vocês me entendem ;D








Os cartazes são lindos, né? *O*

segunda-feira, 26 de março de 2012

Livro: Cobiça















Sete pecados capitais. Sete almas afetadas por esses pecados. Sete pessoas em uma encruzilhada, com uma escolha que deve ser feita. E somente um homem para salvá-las metade anjo, metade demônio. Redenção não é uma palavra que Jim Heron conheça muito bem. Sua especialidade é a vingança e o pecado é seu amigo mais próximo. Mas tudo muda quando ele se torna um Anjo Caído e é encarregado de salvar a alma de sete pessoas de sete pecados mortais. E o fracasso não é permitido. Vin diPietro há muito tempo vendeu sua alma para os negócios, e é o melhor em sua profissão – até que o destino interfere na figura de um durão que pilota uma moto Harley e se autoproclama seu salvador. E então ele conhece uma mulher com olhos azuis e um passado sombrio que o faz questionar seu destino, sua prudência e seus sentimentos. Com um antigo demônio pronto para possuí-lo, Vin tem que se unir com um Anjo Caído não apenas para conquistar sua amada... mas, também, para redimir sua alma.

De acordo com o site da editora Universo dos Livros, Jessica Rowley Pell Bird ou J. R. Ward vive no Sul dos Estados Unidos com o seu marido incrivelmente generoso e o seu amado golden retriever. Depois de se ter formado em Direito, começou a sua vida profissional na área da saúde, em Boston, tendo passado muitos anos como chefe de equipa de um dos centros clínicos do país. A escrita foi sempre a sua paixão, e a sua ideia de Céu é um dia inteiro com mais nada além do seu computador, o seu cão, e a caneca de café.

Bom, como a sinopse já anuncia, se trata de um romance sobrenatural, com anjos e demônios. Mas, diferentemente de muitas obras que temos por aí, não se trata de um romance entre um anjo e um humano. Trata sobre humanos unindo forças com o Bem, combatendo o Mal. Bem diferente do que a capa insinua à primeira vista.

Jim fazia trabalhos sujos para um monte de gente. Matava, roubava, coletava informações confidenciais... fazia todo o tipo de trabalho que lhe caia em mãos. É o típico vilão de estórias. Mas ele não era exatamente vilão, e queria se livrar dessa vida desonesta que levava. Então, começou se mudando para uma pequena e pacata cidade de Nova Iorque para mudar de vida. E mudou! Drasticamente, como jamais pensou que poderia.

E vai trabalhar como construtor de obras para a maior empresa do ramo. E seu chefe, nada mais é do que um dos caras mais ricos e desagradáveis que já conheceu. Lá pelas tantas, no entanto, Jim sofre um acidente em seu local de trabalho, e é eletrocutado.

Jim morre.
Mas volta com uma missão. Salvar sete almas dos sete pecados capitais. Como o título do livro sugere, seu primeiro pecado é a Cobiça. E a alma que ele deve salvar, simplesmente é a do seu chefe, Vincente DiPietro.

Bom, não tenho muito o que falar sobre a obra, sem dar muitos spoilers. O que posso dizer é que as personagens foram muito bem planejadas. Se trata de um romance adulto, onde a trama toda foi bem articulada com um pequeno quebra cabeças que vai se juntando aos poucos. Há um mistério bacana sobre o passado de todas as pessoas que precisam ser desvendadas, até Jim passar por uma decisão crucial para conseguir atingir seu objetivo. Pois, caso falhar, o lado negro da coisa vence e o mundo entrará em colapso. Um blablabla meio clichê, e Jim é o salvador da estória.

No início, ele foi meu personagem favorito. Além da imagem que durão, homem que dirige Harleys e veste casaco de couro, ele se mostra muito mais culto e inteligente do que se espera de um reles construtor de casas. Jim viajou pelo mundo e é poliglota! Me apaixonei, né. E ele ainda conta com a ajuda de mais dois motoqueiros sexy. Um é cabeludo, e o outro que usa piercings. Mas o melhor sobre eles é revelado mais tarde.

O que posso dizer é que as pessoas, em Cobiça, não são o que parecem ser.

E então, tem o Vincente, ou Vin. Ele é lindo, gostoso, podre de rico, aparentemente culto, gosta de belas artes e de estar rodeado de coisas belas e nobres. Esse tipo de homem, à primeira vista, não me atrai muito. Mas depois, então, é revelado seu passado, e ele vai se mostrando um cara que tem mais na cabeça além de futilidades. E no fim, agente acaba se rendendo ao charme dele. O coitado, além de sofrer horrores com os pais durante sua infância, sofria com visões. Visões do futuro. Mas não são visões que mostravam quem vai ganhar na loteria. Antes fosse, como ele mesmo diz. Pois ele simplesmente vê quem está prestes a morrer.

Dentro desse impasse, as coisas vão se convergindo para um mesmo caminho. E aparece Marie Terese, uma prostituta por quem Vin cai de quatro à primeira vista. Mas a mulher tem um passado ainda mais triste que o dele, e que ainda a atormenta. À princípio, tudo isso parece estórias separadas, que nada tem uma a ver com a outra. Mas, aos poucos, o quebra cabeça vai se encaixando, e vemos que todos estão ligados de um modo ou outro.

Bom, a linguagem é super simples, notei que a autora tentou fazer algo mais além de jogar palavras óbvias nas páginas. Ela faz um pequeno jogo com metáforas. Nada muito impressionante, no entanto, mas que dá um certo charme a mais. Poderia ter sido melhor.

Ah!, e bato palamas para os diálogos. Há, inclusive, uma cena em que quase chorei de emoção, num diálogo entre o Vin e a Marie Terese. MUITO bem escrito. Não tem enrolação, blablabla desnecessário que muitos autores utilizam. Com exceção do final, que achei que algumas coisas foram ditas desnecessariamente. Mas nada irritante. Acho que a autora quis justamente passar esse lado mais meloso do Vin... e, no caso, o diálogo funcionou.

Outra coisa que não posso deixar de mencionar, é que no início da estória havia muito jogo de gestos e poucas palavras, que funcionava muito bem. Agente percebia, sentia o que as personagens queriam dizer, com apenas o desviar de olhar. E era algo que ficou muito marcado. Acho que sentimos mais quando há gestos, do que apenas palavras jogadas no ar. Mas, no final, essa característica foi perdida. Infelizmente.

É um romance sedutor. Não só pelas personagens belas, mas porque há sexo. Sexo explícito. Pesquisando um pouco mais sobre a autora, vi que ela só escreve romances do gênero sobrenatural, carregado de sexo. Mas isso não é o principal da obra. A trama é o que realmente move o leitor a continuar virando as páginas. A única coisa que não gostei muito é que, no final, o Vin pareceu outra pessoa totalmente diferente da que se mostrava no inicio. Tudo bem, ele estava sendo possuído pela cobiça, mas no final ele pareceu ter perdido o charme, se transformando num novo homem. Um bondoso, carinhoso, meloso... E o fato de terem se conhecido a apenas TRÊS dias, e já trocarem juras de amor, também não me desceu muito. Mas enfim. Isso é um critica minha, que não acredita em amor à primeira vista... De qualquer forma, recomendo o livro para quem gosta de ler sobre estórias sobrenaturais. Ela tem um "q" daquela série SUPERNATURAL, com toda a questão da mitologia de demônios e sal, com SONS OF ANARCHY. Muito bom. Homens durões, em jaquetas de couro em cima de motos. Achei muito bom mesmo.

domingo, 25 de março de 2012

Livro: Crônicas de uma morte anunciada



Sinopse: "No dia em que o matariam Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã". Fatalidade, destino, o absurdo da existência humana. O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma Morte Anunciada? Neste romance curto de construção perfeita, García Márquez monta um quebra-cabeça cujas peças vão se encaixando pouco a pouco, através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida. Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e "o espelho quebrado da memória" dos envolvidos.

Li ele todo hoje, tarde de Domingo. É uma leitura tão rápida, fluída, que não tive como parar. O início dele, no entanto, foi um pouco mais custoso, confesso, até que me habituasse à escrita do autor. Gabriel García Márquez é colombiano, ainda vivo, e mora em Cuba, de acordo com o Wikipedia. Este senhor de 85 anos, além de escritor, foi político, ativista, editor e jornalista. E é esse seu lado jornalista que vemos claramente nesta obra, carregada com seu estilo jornalistico na escrita. É rápido, sucinto, pouco detalhado. Afinal, crônicas são estórias elaboradas para veículos de massa (revistas, jornais..) e precisam ter essas características.

Mas vamos às impressões da trama. É uma estória triste, que conta a morte da personagem principal, Santiago Nasar. Mas é narrada por outra personagem onipresente na trama que não se revela (não diz seu nome) em momento algum. Essa personagem é um dos melhores amigos do protagonista, que o conhecia desde pequeno. Eles estudaram juntos e compartilhavam todos os segredos. Mas, inconformando com o que aconteceu, o Narrador tenta desvendar o mistério da morte do rapaz, que é anunciada logo na primeira frase da crônica para o leitor.

Este Narrador, então, vai passando de testemunha em testemunha, tentando descobrir o que aconteceu à vítima. E, assim, o autor consegue criar um quebra cabeças muito bem intrínseco, alternando o passado e o presente.

 Vejam que trágico. Santiago era um jovem rapaz bem apessoado que herdara as terras do pai falecido e, assim, conseguiu alguma fortuna para si.

Bem, se bem entendi, algumas pessoas sentiam certa inveja de Santiago por ser tão jovem e já ter alguma fortuna, que, mesmo não sendo grande, já era alguma coisa dentro daquela cidade pequena. O rapaz em questão, então, foi morto um dia depois do casamento mais comentado da cidade. Ângela Vicário, moça de família pobre, e Bayardo San Román, um estranho que chegou à cidade sem mais nem menos, e podre de rico. Ninguém nunca soube o que trouxera o cara àquela pequena e esquecida cidade, mas isso pouco importava aos que se encantaram com o homem. E então, sem muito conhecê-la, Bayardo pede a mão de Ângela em casamento.

No dia do casamento, como se premeditando que algo aconteceria, Ângela se recusa a vestir-se de noiva até que visse seu futuro esposo na igreja. Pois, dizia ela muito sabiamente, seria vergonhoso demais ter os familiares a olhando com pena, caso o noivo a abandonasse no altar. Afinal, ela nunca entendeu por quê aquele homem a escolhera como esposa. Mas Bayardo aparece, e eles se casam.

Contudo, na mesma noite em que se casaram, Bayardo leva Ângela de volta para a casa dos pais ao descobrir que a moça já era desonrada (leia-se: não virgem). E então, ela é devolvida aos pais, cheia de hematomas. Quando seus irmãos gêmeos perguntaram quem foi?, sem pestanejar, ela diz: Foi Santiago Nasar.

Contudo, todos sabiam que Santiago era de boa índole e sequer fora visto com Ângela, muito menos sozinhos. Mas a moça continuava a afirmar que ele era o culpado por sua desonra. Furiosos, os irmãos gêmeos de Ângela Vicário vão atrás do Santiago com facas de matar porco, para recuperar a honra da irmã. Afinal, honra se recupera com sangue. Mas antes, vejam aqui o que o autor fez: insinuou para o leitor que Santiago não passava de um animal imundo, talvez para o próprio autor. E isso é algo que ficou muito marcado, por que é repetido mais de uma vez.

Os gêmeos conseguem o que queriam, e a tragédia mexeu com a comunidade durante anos; por que os gêmeos, por acharem que estavam em seu direito, espalharam a notícia de que queriam matá-lo. Só que todos souberam da intenção dos irmãos, mas pouco foi feito para detê-los. Alguns tentaram lhe avisar, outros não deram bola por achar que os criminosos estavam apenas bêbados. Acho que houve um tanto de dissimulação por parte de alguns.

E assim se passa toda a trama, com o Narrador percorrendo memórias da pessoas que o conhecia e tentando desvendar quem, afinal de contas, havia realmente tirado a honra da moça. Pois ele não acreditava na culpa de Santiago. Para ele, a moça escondia uma paixão secreta por outro homem, que não queria revelar. Afinal, corria o risco de ser morto. Mas o autor deixa o mistério até o fim, sem sequer revelar por que Ângela escolhera Santiago. E ficamos assim, meio no escuro, sem saber o que se passa com o pobre Santiago antes de sua morte, que morre de uma maneira muito trágica. No final, o crime é narrado com todos detalhes e angústias dos que viram.

Eu anotei duas frases que me chamaram muita a atenção.

"Agente deve estar sempre do lado do morto." — disse uma das personagens, quando lhe perguntaram por que ela se importava com a morte do rapaz, já que não era próxima a ele. E então, eis que ela diz isso. Achei bonito.

"Ela foi sua paixão desvairada, sua professora de lágrimas (...)" — acho que foi o Narrador quem disse isso, contando da única paixão que soube de Santiago Nasar, quando eram crianças.

“A cavidade abdominal estava ocupada por grandes coágulos de sangue, e entre o lodaçal de conteúdos gástricos e matérias fecais apareceu uma medalha de ouro da Virgem do Carmo que Santiago Nasar engolira aos quatro anos de idade.” (p. 99) — vejam o detalhamento da coisa. Achei bárbaro a descrição do encontro da medalha que o cara tinha engolido quando criança. E não era uma medalha qualquer! Era uma medalha com a imagem da Virgem de Carmo (símbolo que representa o ato de estar a serviço de Deus). Seria uma insinuação do autor de que Santiago era, afinal de contas, inocente?

Fica aí, a dúvida.

Achei o livro excelente. Ele mostra muito bem que, para ser uma boa estória, não é necessário dar todos os detalhes de tudo, sem parecer verossímil, sem convencer o leitor. E não há necessidade de que todos os mistérios sejam resolvidos; não há necessidade de dar um fim, propriamente dito. Ele deixa a encargo do leitor a criar seu próprio final, dando apenas algumas pistas, insinuações sutis. :)

Super recomendo.

sábado, 24 de março de 2012

Filme: Um monstro em Paris





Título original: Un monstre à Paris (2011)
Duração: 90 min
Gênero: Animation | Adventure | Comedy
Diretor: Bibo Bergeron
Escritores: Bibo Bergeron, Stéphane Kazandjian (screenplay)
Elenco: Mathieu Chedid, Vanessa Paradis and Gad Elmaleh

Sinopse: Ambientado em Paris no ano de 1910, um monstro vive enclausurado em seu jardim, onde alimenta o amor por uma bela e jovem cantora.

Bom, ignoremos essa brilhante not sinopse. Como podem ver pela imagem acima, se trata de uma animação. Uma animação francesa, onde todas as personagens falam inglês. Sei lá, acho que teria ficado melhor se a dublagem das personagens fosse, originalmente, francesa também. Além de mais condizente e verossímil, teria dado um charme maior à obra, já que o filme todo mostra aquela atmosfera romântica francesa do início do século passado. Mas acho que estavam mais preocupados com a comercialização da película. Infelizmente.

Enfim, a estória é ambientada em uma Paris, por volta de 1910, de acordo com a sinopse. Nessa época, Paris ainda era influenciada pelo movimento da "arte nova" (ou Art Nouveau). E agente vê bem isso em umas das cenas em que aparece um cartaz super parecido com as obras do Alfons Mucha (estudei, e me apaixonei por ele no curso de história do design gráfico, na faculdade). Aliás, já no inicio do filme, aparecem as evidencias do Art Nouveau, nos arabescos das molduras das filmagens (quem viu, deve saber do que estou falando). Na primeira parte do filme, vemos um pequeno e sonhador projetor de filmes, Emilie. Ele é uma daquelas personagens desengonçadas e atrapalhadas, que se mete em confusão. Mas ele é tímido, romântico, e é apaixonado pela moça da bilheteria do cinema em que trabalha. Ele tenta conversar com ela, chamá-la para sair, mas não consegue. E então, aparece Raoul, seu melhor amigo. O cara é daqueles tipos que se acha o mais esperto do mundo, mas é mais tapado do que uma mula. No entanto, ele tem um bom coração, e tenta ajudar o amigo em seus problemas amorosos. Só que, claro, ele acaba metendo o pobre Emilie numa confusão maior. Ah, abrindo um parênteses aqui, o Emilie me lembra aquele anão do pote de ouro, no final do arco-íris com aquelas roupas toda verde. Ainda por cima, ele é baixinho. Não consegui captar algo que referenciasse isso, ou se foi apenas mera coincidência. Mas se alguém viu e quiser compartilhar, o comentário será muito bem vindo. :)

Mas, voltando, lá pelas tantas, eles vão até a mansão de um cientista maluco entregar um pacote. Contudo, o cientista estava viajando, e deixou seu macaco bem treinado para recebê-los. E aí está algumas das cenas que se propõem a serem as mais engraçadas. O macaquinho se comunicava sempre com bilhetinhos engraçadinhos, mas era sempre ignorado pelos dois amigos que, curiosos, invadem a mansão para bisbilhotar o que o cientista fazia. A mansão era algo totalmente "fora da casinha". Parecia uma floresta onde havia, até mesmo, uma sequoia. Só que sequoias são árvores milenares, absurdamente gigantescas. Ou seja, impossível de se ter uma dessas em casa!!!

Continuando... Os dois bisbilhoteiros encontram o laboratório do cientista, e resolvem brincar com os produtos químicos espalhados pelas mesas e armários. O macaquinho bem que tentou evitar a confusão, mas não deu. Raoul faz caca, misturando o que não devia, e a explosão acontece. E aí vem a parte que não faz muito sentido. A explosão foi meio catastrófica, parecia ter atingido toda a mansão. No entanto, o único afetado foi a pulga do macaco! Uhum. Hauhauahau. Eu ri disso, mas enfim. Não vou contar o resto, para não entregar toda a trama a vocês, até porque esse é um filme que recomendo aos que gostam de animações. Eu senti um que houve "q" de a Bela e a Fera, em alguns pontos. O monstro terrível, que assustava a cidade, se apaixona pela jovem cantora que fazia sucesso no momento. E a jovem, encantada com as capacidades sensíveis da pulga, simpatiza pela pulga. Mas, calma, não há zoofilia aí! Hehe. Depois, vi que filme queria passar uma outra mensagem ao público. Às vezes, a criatura mais ignorada, mas esquisita (talvez, fazendo uma analogia aos que sofreram bully, ou os considerados "feios"), podem ser as mais humanas, mais sensíveis dentro do grupo dos "aceitos" pela sociedade. Há uma cena em que vemos com bastante clareza o sofrimento da pulga por não conseguir se encaixar no grupo por sua aparência (assustava toda a população parisiense), e que se enquadra perfeitamente. Apesar do conceito de Bully ser novo, ele sempre existiu; inclusive em séculos passados. Portanto, acho que é muito válido, sim.

É um filme com uma temática clichê, realmente é, mas acho que vale muito a pena ver o trabalho do Bergeron (criador de Shark Tale e do Caminho para El Dorado). Houve um estudo belíssimo de cores, composição, fotografia, e sonorização, que tornam a obra única. Além disso, olha só que bacana, a Vanessa Paradis (a esposa do maravilhoso Johnny Depp, ou ex-esposa...não sei, li boatos de que eles estavam se separando) é quem dupla a mocinha do filme. E, inclusive, canta. Digo que é bacana, por que eu nunca tinha ouvido a voz daquela mulher, e fiquei com cara de paisagem quando soube que era ela (vi o filme sem saber). E admito que fiquei boquiaberta. A voz da mulher é muito bonita mesmo. Mas fui ver no youtube algum vídeo dela, e já não curti muito as músicas que ela canta... Mas talvez algum vocês que não conhecem, goste do estilo dela. ;)

Bom, aqui estão imagens do filme, misturadas aos conceptart. Vejam que houve um trabalho de ilustração de todas as cenas. Depois do Storyboard, é acertado as cores, há melhoramentos, detalhamentos do cenários e personagens, para, então, depois de tudo acertado, serem digitalizadas e passados para o 3D. Nos sites: Conceptart Blog e Minimania, vocês encontram mais imagens. ;)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Livro: Dezessete Luas




Sinopse: Ethan e Lena podem enfrentar qualquer coisa. Ao menos era assim que funcionava antes de Lena sofrer uma perda trágica e começar a se afastar, a guardar segredos que começam a testar o relacionamento dos dois. E agora que Ethan abriu os olhos para o lado negro de Gatlin, não há como voltar atrás. Assombrado por estranhas visões, Ethan vai se envolvendo cada vez com a história da cidade, com a sua história e, consequentemente, com o destino de Lena.

O site da Saraiva ainda traz a informação de que a Warner Bros já comprou os direitos de adaptação da série Beautiful Creatures para o cinema. Bestseller do NewYork Times, do USA Today, do Publishers Weekly e livro do ano da Amazon em 2009. O primeiro livro da série foi publicado em 39 países e traduzido para 28 línguas. Ual.

Esse livro foi mais denso que o primeiro — as coisas parecia se rastejar mais para acontecerem. Senti que houve muita descrição e pouca ação. Entretanto, dou pontos para as situações que foram mais diferentes do esperado.

O início dele foi legal, fluiu tranquilo, mas antes mesmo de chegar à metade comecei a me rastejar para ler ele. Os choramingos do Ethan continuaram, e o que foi pior: repetitivos. Teve horas que tive vontade de jogar o livro pela janela. MENINOS NÃO TÃO SENTIMENTAIS QUANTO AS MENINAS. PRINCIPALMENTE OS ADOLESCENTES! Ele parecia uma menininha, reclamando de tudo.

Mas continuei a leitura por que as situações que apareceram foram novidade para mim. Adorei a cena da feira de tortas. Além disso, houve a inclusão de mais personagens, que tornou a coisa bem mais interessante. Principalmente a de John.

Neste segundo livro, muitas coisas foram esclarecidas. Ficamos sabendo mais sobre a mãe de Ethan, Macon, Amma, e as tias do Ethan. Isso foi muito bom, embora me pergunto o que será do terceiro... E o que foi melhor de tudo? A volta do Malcon! :D Mas a volta dele, no entanto, foi meio sem graça. Ele me pareceu ter perdido um pouco da personalidade que tinha no primeiro livro. Entendo que ele mudou de time (em parte, pelo menos. Quem leu, deve entender sobre o que estou falando), mas acho que isso não justifica a perda da personalidade dele...

Enfim, meu casal favorito foi Link e Ridley. Eles são perfeitos! XD Apesar do final ter me dado calafrios... Ok, não foi pra tanto. Mas fiquei com o gosto de "quero saber o que vai acontecer". (Note que não disse: gosto de quero mais...). No livro, no final, Ethan fala sobre uma conexão que sentia com Liv (uma das novas personagens que foram introduzidas). Mas durante o livro, em momento algum, senti essa conexão entre eles. Achei isso muito superficial.

Nessa segunda edição, senti também aquele ingrediente que muitos autores parecem estar acrescentando aos livros do gênero. "Tenho os melhores amigos do mundo!" Achei meio desnecessário, digamos assim. A maldição era dos dois, achei que não era preciso incluir mais gente nisso... Mas o que aconteceu com o link, me agradou muito. Lembrei da série Os Instrumentos Mortais, quando Simon foi transformado. :) Sem mencionar o destino cruel que Ridley teve. Adorei também!

Ah, outra coisa que me irritou profundamente foi a Lena. Bha! Que guria chata. Ela se jogou de cabeça, com tudo, no fundo do poços das próprias amarguras, sentindo culpa pelo que aconteceu com Malcon. Até aí, tudo bem, era compreensível. Só que ela passou, praticamente, o livro inteiro assim! Sempre choramingando "Eu não sou luz, eu não sou trevas, eu não sou nada!" nhenhenhenhe... ¬¬ Ela foi a típica adolescente mimada que não sabia o que queria, o que fazer, e dependia dos outros para tomar suas decisões. Mas o que aconteceu com ela, no final, me agradou também.

Só achei que aquela estória de bruxaria, que o livro parecia propor no primeiro volume, se perdeu completamente. Não vi bruxaria alguma acontecer. Houve manifestações sobrenaturais, mas nada realmente relacionado à típica bruxaria (humanos que sabem fazer feitiços). Ok, houve aquela "conjurações" em que eles falavam palavras bonitas em latim, mas sei lá. Achei fraco, pouco convincente, no meu ponto de visto. Acho que as autoras quiseram criar um novo tipo de bruxos, como a Stephenie Meyer criou vampiros purpurinados, e criaram essa coisa de bruxos sobrenaturais, que não tem nada a ver com a crença popular. Mas tudo bem, dou colher de chá por que é ficção, e se alguém quiser transformar um cavalo em fada é "aceitável". ¬¬

Mas também não entendi o título da série "Beautiful Creatures" (ou Belas Criaturas, traduzindo literalmente). Não achei que ambos os volumes dessem essa sensação de beleza sobrenatural nas personagens. Pelas descrições, todos me pareceram medianos, sem nada demais. Eram bonitos, quero dizer, mas nada fora do normal. Em "Nascida à meia noite", a autora enfatizava bem a beleza das personagens, mas aqui não houve isso...

Bom, eu esperava muito mais do livro, e não sei se vou comprar o terceiro, quando sair... Mas leiam, e tirem suas próprias conclusões. :) Sei que muita gente está caindo de quatro pela série. Acho que eu fui a única a criticar negativamente os livros... :S

domingo, 18 de março de 2012

Filme: Os Mensageiros



Lançamento: 2007
Duração: 1h 24min
Diretor: Oxide Pang, Danny Pang
Elenco: Kristen Stewart, Dylan McDermott, Penelope Ann Miller
Gênero: Terror, Suspense
Nacionalidade: EUA

A família Solomon decidiu deixar a vida agitada de Chicago para viver numa pacata fazenda na Dakota do Norte. Logo Jess (Kristen Stewart), a filha adolescente, percebe o quão aterrorizante pode ser o isolamento, pois ela e seu irmão Ben (Evan Turner / Theodore Turner), de apenas 3 anos, vêem aparições que são invisíveis às demais pessoas. Quando estas aparições tornam-se violentas a sanidade de Jess passa a ser questionada por seus pais.

Bom, não tenho muito o que falar do filme. Confesso que esperava mais dele, por que li resenhas elogiando a trama, a direção, e até mesmo a atuação da Kristen. Mas confesso, também, que o que me levou a assisti-lo foi realmente ela. Ouvi dizer que ela estava ótima, e blablabla. Não sei se todos sabem, mas estou fazendo curso de teatro, dai minha curiosidade.

Na verdade, eu tenho um pé atrás com filme de assombrações. Sim, tia Amanur tem medo de filmes do gênero, por que costumo ter pesadelos com isso! ¬¬ Mas depois que comecei a fazer esse curso, passei a olhar para filmes com outros olhos. Vemos que a coisa é bem mais superficial do que parece. Hehe. Mas pela sinopse, vemos que é um filme bastante comum. Família de cidade grande que se muda para uma fazenda localizada no fim do mundo, cuja casa acaba por se mostrar mal assombrada. MUITO clichê, né?

O filme começa com cenas em preto e branco — memórias do passado da família que viveu da casa. Achei isso bacana, um diferencial (quase insignificante, mas enfim). E então somos levados para o presente, onde a família já estava com o pé na estrada, de mudança para a fazenda. Amei a casa, à propósito! Muito linda mesmo. Mas voltando ao filme, o que mais posso dizer? O suspense se mostra bem no início do filme, quando a família se instala na casa, e um senhor (com cara de velório) faz aparições repentinas. E eu já fui logo me perguntando "quem é o culpado?" Seria ele?

E então, lá pelas tantas, enquanto o pai retirava sementes de girassóis do carro, um bando de corvos surge comendo as sementinhas. E é, então, que um estranho surge, também do nada, bancando o salvador da pátria (não quero dar muitos spoiles) afastando os corvos. O cara, meio forasteiro, de botas, barba, cabelo comprido, se apresenta e oferece seus serviços em troca de comida. Eu me perguntei, novamente, se seria ele o vilão. Mas com o tempo desacreditei da ideia, por que ele parecia um cara pacífico, realmente com boas intenções.

Então, coisas "assustadoras" começam aparecer na casa. Brinquedinho que se mexe, aparecem marcas de unhas no chão, portas trancadas, manchas escuras nas paredes, porão assustador. Tudo muito clichê.

Enfim, continuei vendo.

Lá pelas tantas, Jess começa a ver coisas. Ela se assusta, conta para os pais, e eles acham que ela está fazendo birra para chamar atenção. Desde o início, o filme mostra que há um atrito entre ela e os pais, mas é apenas mais tarde, mais ou menos pela metade do filme, que é revelado o motivo das discussões. Achei isso legal (nada demais, mas ainda legal). Aí, eu fiquei me perguntando o motivo do título do filme, já que até então nada parecia justificar — os espíritos pareciam apenas querer machucá-la. Mas logo a razão vem à tona; Jess ouve "vozes do além" pedindo ajuda.

Um incidente acontece, a garota é machucada e fica apavorada. Ela conta para os pais, mas eles acham que ela está machucando a si mesma. Mas, inconformada com o que está acontecendo, ela vai atrás de informações sobre a família que morava lá, contando com a ajuda de um garoto com quem fez amizade. Mais aparições acontecem, com muito mais suspense. Aliás, com pretensão ao suspense, eu diria. Porque as cenas eram tão previsíveis que o suspense foi totalmente perdido. E ainda por cima, houve uma cena em que ele fora muito prolongado. E no final das contas, nada aconteceu. ¬¬

Ah!, outro detalhe importante que notei: senti um "q" de Birds (ou "Pássaros"), do Hitchcock, com todos aqueles corvos que apareciam. Eu me lembro muito bem desse filme, por que foi o segundo filme de terror da minha vida. Eu era pequena, fiquei super impressionada, e o filme ficou marcado na memória. E há uma cena que remete de maneira muito óbvia isso, quando os pássaros começam a atacar o John — o estranho que surge do nada para ajudar a família na plantação de girassóis. E no fim, não sei se foi essa a intenção mesmo, mas achei que quem merecia o titulo de mensageiro eram os pássaros, não os fantasmas. Por que eles aparecem quando o culpado pelas mortes surge, e desaparecem quando ele morre.

Senti um "q" de "O Chamado" também, com o fantasma que caminhava pelas paredes. Nessas cenas surgiam ruídos estranhos, como se os ossos do espírito se quebrassem — o que é estranho, porque fantasmas não têm ossos!

Ah, e tem o irmãozinho dela que, por causa de um acidente que aconteceu antes da mudança, não falava desde então. Mas ele tem papel importante na trama, pois é quem ajuda a garota a resolver o problema, e é o único quem via as aparições junto com ela. Aquela coisa de "crianças vêem tudo" (e logo ele, quem não podia falar, era quem poderia contar o que estava acontecendo também).

O final foi um fracasso, em minha humilde opinião. Tudo aconteceu rápido, e ainda não entendi como é que o pai dela, que havia sido letalmente ferido, surgiu para salvá-la, e ainda conseguiu toda aquela força para salvar a Jess. Totalmente irreal.

Mas no geral, acho que esse é um daqueles filmes para "matar o tempo". Se não tem nada melhor para ver, veja este filme. Por que ele não traz nada de inovador. O terror é fraco, mal vimos sangue; mal vimos fantasmas. Ele se propõe a ser terror, mas houve pouquíssimas cenas que realmente assustaram. Teve mais suspense, embora muito previsíveis também.

Sobre a atuação dos atores, bem... eu achei praticamente todos péssimos, com exceção do John Corbett. Ele foi muito convincente, do início ao fim. E a Kristen está melhor nesse filme, sim. Acho que ela se encaixa melhor para esses tipos de papéis. Nas cenas "aterrorizantes" ela foi bastante convincente. Mas assim mesmo ela irritou com os cacoetes dela. Ela parece não sair nunca da mesma personagem — que seria ela mesma, por que ela não larga da mania de fazer as mesmas expressões e mexer no cabelo, como faz em todos os filmes. Digo isso, porque imagino que seja mania dela mesma. E um ator não pode levar para as câmeras as próprias manias. Ele precisa separar o personagem de quem ele é, e a Kristen parece não saber disso...

Não resisti postar esse vídeo! Hehe. Acho ela linda (comentário que não tem nada a ver!), mas realmente merece nota cinco (e olhe lá) pela atuação.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Filme: A árvore da vida





Título original: The Tree of Life
EUA , 2011 - 139 minutos
Gênero: Drama
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Hunter McCracken, Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Tye Sheridan, Laramie Eppler

"Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Quando a manhã começou a cantar e todas as músicas de Deus estavam cheias de alegria?" Jó 38: 4,7

Fiquei um tempo me perguntando como eu poderia começar a falar sobre minhas impressões a respeito do filme. Longo e cansativo foras as palavras que me veio a mente. Mas não me entenda mal, adorei o filme, apesar do conteúdo ser altamente religioso. Digo apesar, por que, acho que a maioria aqui deve saber que eu não sou uma pessoa religiosa. Acredito na possibilidade da existência de algum Deus , e é só. E o filme, logo de cara, já apresenta ao expectador a frase acima, de Jó.

Confesso que fiquei meio aérea no final da película, me perguntando se eu realmente havia entendido, e então, resolvi buscar mais informações a respeito, e fiquei contente por constar que entendi boa parte, sim. No entanto, me faltou conhecimentos teológicos, para compreender ao quê ele se referenciava. Mas vamos ao que interessa. O filme mostra uma família dos anos 50, que morava numa bela casa, em algum lugar do Texas. Essa família se constituía de uma mãe (Jessica Chastain) que é retratada como santa, gloriosa, amorosa, que tenta mostrar aos filhos que devem amar a tudo e a todos para terem uma boa vida e serem boas pessoas; um pai severo (Brad Pitt), com conceitos rigorosos sobre educação (típico daquela época), que machuca os filhos, mas que os ama em sua maneira reservada de ser; e três filhos (Hunter McCracken, Laramie Eppler, Tye Sheridan), todos meninos.

O filme começa quando os meninos já estavam razoavelmente crescidos, o mais velho deveria ter em torno dos 12 ou 13 anos, para, então, mostrar a morte do segundo filho. A princípio, achei que o filme fosse falar sobre como as pessoas lidam com a morte; enfatizando como os homens lidam diferentemente das mulheres. O pai sente remorso, a mãe sente dor, e os outros sentem culpa. Mas não. O filme vai muito além. Ele volta ao passado, e mostra a mulher dando a luz, focaliza no desenvolvimento das crianças, junto com o envolvimento dos pais nesse processo. E aí vemos cenas muito bonitas, tocantes, que ficaram na memória durante um bom tempo após o término do filme, junto com a trilha sonora meio etérea — a música é um daqueles canto coral de igreja. Não sei quantas músicas foram tocadas durante o filme, mas pareceu ser sempre a mesma. Seja como for, achei adequado, sim, por que o filme se propõe justamente mostrar essa coisa sagrada e sutil, que há no desenvolvimento do ser humano. Aliás, acho que é bem isso o que o poster de cima quer mostrar: que a essência de todas as coisas vivas é nascer, desenvolver, envelhecer e morrer.

Mas voltando à questão da morte, alguém fala para a mãe uma frase que, particularmente, achei hipócrita, apesar de ser o que muitos realmente acreditam. Ela estava chorando a morte do filho, quando alguém lhe diz: "Deus dá e Deus tira." Juro que estou me coçando para não mostrar muito minha opinião pessoal a respeito disso, mas como o filme é pretensioso (acho que qualquer um que queira explicar a existência do mundo, como o filme faz, seja pretensioso. Inclusive mostra várias fotografias sobre o desenvolvimento das coisas, desde os primórdios, no big-bang, na época em que o planeta era habitado somente por dinossauros — o que é estranho para um filme que se mostra cristão, já que a bíblia não admite a existência dos dinossauros — , até os dias atuais) e nos instiga a pensar sobre o assunto, acredito estar no meu direito de expor minha opinião também.

Bom, eu não sei se Deus realmente existe ou não e, sinceramente, saber disso não vai mudar minha vida! Vou continuar sendo a mesma pessoa, fazendo o que sempre fiz. Não vou deixar de ajudar as pessoas só por que Deus não existe, como também não vou me meter a querer salvar o mundo apenas com medo do julgamento final para poder garantir meu lugar ao lado Dele. Mas, sinceramente, acredito que essa história de que Deus é aquele que dá e tira é desculpa esfarrapada de quem não quer admitir que as coisas podem simplesmente acontecer. Por que Deus, criatura misericordiosa, extremamente bondosa, que ama a todos, deixaria um menino inocente morrer afogado numa piscina? Ok, é ficção, mas espero que todos aqui saibam que isso já aconteceu, e não só uma vez... Enfatizo que não quero impor nada a ninguém, apenas estou dando minha opinião. Mas enfim, não vou mais me desviar do propósito do filme.

O filme, essencialmente, fala sobre a fragilidade da nossa fé, diante das nossas perdas, diante das circunstâncias que nos aparecem durante a vida. Foram várias as vezes em que as personagens interrogavam coisas do tipo "Você está aí? Pode me ver? Onde está?" Há uma cena, mais para o final, em que mostra um monte de pessoas caminhando na beira de um lago, ou o mar. Nessa cena tive a sensação de que ele estava querendo nos mostrar que, fim das costas, todos nós caminhamos para um mesmo lugar. Mas que lugar seria esse? A morte?, eis a questão.

Outra coisa pelo qual preciso comentar, é sobre a personagem Jack. Aliás, percebi que ele foi o único a ser chamado pelo nome, durante a trama. O restante das personagens pareceram incógnitas, sem nome (nos créditos, no entanto, todos eles tinham um nome, apesar de não mencionados no filme). Jack era o filho mais velho que, aos poucos, vai amadurecendo, percebendo e tomando consciência do mundo a sua volta. Há um cena em que ele reza pedindo ajuda para não maltratar os animais, não ser insolente como o pai, e mais alguma coisa que não me lembro agora. Contudo, mais tarde, ele se vê fazendo justamente tudo o que não queria. E ele diz isso, que faz o que não quer por que percebe que nada o impedirá. Ele se questiona onde Deus está. Mas ele não perde sua fé; não totalmente, pelo menos. Ele teme a Deus, que, às vezes, aparece como sendo seu pai, esse Deus. O homem severo, que o castiga, mas o ama. E Brad Pitt desempenha muito bem o papel de um pai rígido, homem trabalhador, mas que não olha muito para o que sua família sente. Ele impõe suas crenças nas crianças, e as treina para serem vencedores na vida, sem se importar em saber o que ele realmente querem. E Jack, então, é quem não aceita as ordens do pai — o filme mostra um pouco sobre como a relação familiar afeta no nosso desenvolvimento, mas não chega a ser o ponto principal — E como não recebe o que espera dele, aos pouco, a raiva vai se acumulando dentro do menino, a chegar ao ponto de pedir a Deus que o leve, que o mate. Jack é a personagem mais sombria, mais perturbada. Afinal, é apenas uma criança, que não compreende ainda como as coisas funcionam. Tudo o que ele sabe é o que o pai dele lhe diz. E, então, o filme começa a dar pulos, mostrando o Jack mais velho, interpretado pelo maravilhoso Sean Penn. Jack se mostra um homem bem sucedido na vida, morando numa cidade grande, industrializada e moderna (e aí, acho que o diretor errou, afinal, nos anos 50/60 não havia belos prédios e apartamentos com móveis modernos como aqueles que mostram!). Mesmo depois de adulto, ele continua com as mesma dúvidas — já que nunca recebemos uma resposta concreta. Há uma parte em que é dito que Deus se comunica através das coisas, da natureza, do vento... Mas ele nunca conversa conosco, como realmente precisamos, e é aí que mora o a fraqueza da fé.

Descobri depois que o filme, então, faz reverência à Jó, que também perdeu a família, os amigos, os bens materiais, e questiona sua fé entre a existência ou não de Deus. No geral, eu digo que o filme traz algo sublime. Nos dá a sensação de que estamos sonhando, é transcendental, de pureza nobre. Afinal, fala sobre a vida. E tudo de uma maneira limpa, num ponto de vista diferente, mais belo, mais sutil, mais poético. É um filme cheio de olhares discretos, que mostram a tristeza, a alegria, a raiva, a inveja, a inocência, a culpa, o remorso... É um trabalho que mostra o que é o ser humano. Mas não é um filme que vá agradar a todos, com certeza. Há partes cansativas, como as que mostra cenas da natureza (vulcão em erupção, o fundo do mar, as erupções do sol, as estrelas, os planetas...) e ele fica um bom tempo nisso. No final ele fica mais um tempo mostrando imagens das personagens, como se fossem memórias do passado. Mas para quem tem paciência e principalmente sensibilidade, é um filme muito recomendado. É uma obra digna de ser chamada de sétima arte, e todos os atores fizeram jus ao seus nomes; foram fenomenais, atuaram com bastante naturalidade, inclusive as crianças.

Fiquei sabendo que o filme conta com a participação de um brasileiro na produção da obra. Daniel Rezente, o mesmo que montou Cidade de Deus e Tropa de Elite, participou do filme, e foi também quem deu vida a ao poster meio mosaico (a imagem acima).

terça-feira, 13 de março de 2012

Filme: Doctor Parnarsus



Lançamento : 2009
Duração: 2h 02min
Dirigido por: Terry Gilliam
Elenco: Heath Ledger, Johnny Depp, Jude Law, Lily Cole
Gênero: Fantasia, Aventura
Nacionalidade : França, Reino Unido, Canadá

Sinopse: Na Inglaterra dos dias atuais, o imortal e milenar doutor Parnassus (Christopher Plummer), que comanda a companhia teatral "Imaginarium" — integrada por um mágico de cartas, Anton (Andrew Garfield), e um anão, Percy (Verne Troyer) —, oferece ao público um espetáculo irresistível através de um espelho mágico, um artefato que dá a seu usuário a chance única de viajar para um mundo fantástico e desconhecido, no qual é possível controlar a imaginação alheia. O poder que o doutor hoje possui lhe fora concedido em tempos remotos através de um pacto com o diabo (Tom Waits). Agora que o aniversário de dezesseis anos de sua filha, Valentina (Lily Cole), está próximo, o diabo volta para receber seu pagamento: a alma da jovem.

Para não perder a amada filha, Parnassus negocia um novo pacto através de uma aposta: Valentina será daquele que conseguir seduzir cinco almas primeiro. É aí que a trupe encontra o jovem Anthony "Tony" Shepherd (Heath Ledger) pendurado num cabo da ponte Blackfriers, em Londres. Depois de salvo, o vigarista com sérios problemas com a máfia russa, excelente contador de histórias e cafajeste sedutor coberto de uma aura misteriosa, se junta ao grupo e embarca numa viagem por mundos paralelos, disposto a ajudar Parnassus a resgatar sua filha. Para passar de uma dimensão à outra, Tony entrará no espelho mágico onde sua aparência muda radicalmente (Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law).

Creio que, como eu, pelo menos 90% dos que assistiram o filme, o fizeram pela curiosidade em ver o último papel do Heath Ledger, e os grandes nomes que entraram na trama após sua morte. Pelo que andei vendo por aí, o diretor teve vários problemas durante as gravações do filme, além da morte do ator principal.

"Genial e azarado. Esses são os dois adjetivos que melhor resumem o que é Terry Gilliam. (...)Principalmente neste último, que chegou a ser cancelado e tudo o que podia dar errado, deu. Do protagonista morrendo de dores nas costas e proibido de andar a cavalo a uma chuva torrencial que arrasou seu set de filmagens." — Fonte : Omelete.

A produção foi interrompida pela morte de Heath Ledger em Nova Iorque no dia 22 de janeiro de 2008. O envolvimento de Ledger fora um "fator chave" para o finaciamento do filme. O diretor estava produzindo artes conceituais no momento em que recebeu o telefonema avisando que Ledger havia morrido; seu primeiro pensamento foi "o filme está acabado, simples assim." Apesar de a produção ter sido suspensa indefinidamente em 24 de janeiro, de acordo com Christopher Plummer, que interpreta o doutor Parnassus, Giliam, determinado a "salvar" o filme, começou a considerar o uso de CGI (imagens geradas por computador) para fazer o personagem de Ledger mudar sua aparência magicamente, talvez se transformando num outro personagem, para manter seu trabalho final no filme, e, caso o último fosse terminado, o dedicaria a Ledger. As imagens seriam semelhantes às técnicas de transformação vistas em Brad Pitt em O Curioso Caso de Benjamin Button e àqueles empregados em Roy Scheider no lançamento póstumo de Iron Cross. Acho que "genial", realmente é o adjetivo adequado para o cara. Por que, convenhamos, a montagem das cenas ficou perfeita. Não sentimos a falta do Heath em momento algum. Não ficou algo sem pé nem cabeça. Mas vamos falar do filme, que carrega bastante simbolismos, mistérios. Vendo o filme, eu notei algumas referências, mas buscando mais sobre o assunto, que o filme vai muito além do que eu havia percebido.

"O enredo gira em torno de um tema clássico de Fausto, no qual o Dr. Parnassus faz várias apostas com o Diabo (interpretado por Tom Waits) ao longo de sua vida. Buscando aprofundar o simbolismo da história, Dr. Parnassus e seu programa de viagens são uma metáfora para os ensinamentos esotéricos transmitidos através dos séculos, através das escolas de Mistério. Ele é uma manifestação humana do"caminho para a iluminação" dos budistas ou o "Cristo" dos gnósticos. Ao convidar as pessoas para o espelho mágico, que os transporta para o plano espiritual, onde podem escolher entre a realização espiritual e a iluminação (representada por uma pirâmide ou uma escada, dependendo da pessoa) ou a ignorância e o materialismo (representado por um pub ou um motel barato). Dr. Parnassus, diz "que ele transmite a história que sustenta o universo", que é uma forma poética de dizer que ele é o veículo para os ensinamentos secretos que levam a iluminação. Ele fornece o caminho que permite a comunhão entre a humanidade e divindade. O simbolismo inteiro em torno do teatro Paranassus é inspirado nos ensinamentos esotéricos dos antigos egípcios, gregos, budistas e outras escolas esotéricas. O palco contém muitos símbolos ocultistas interessantes.

Jano, o deus grego de duas cabeças com os pilares gêmeos maçônicos, e o Olho Que Tudo Vê lá em cima, o estágio Dr. Paranassus "revela a natureza espiritual do teatro.

Nome Parnassus é também uma referência à iniciação ocultista, seu nome é derivado do Monte Parnaso, a montanha sagrada de Dionísio, o deus grego do mistériosos ritos religiosos (também conhecido como o romano Baco). Monte Parnaso também continha o famoso oráculo de Delfos, o local místico, onde as pessoas poderiam obter revelações espirituais.

Como dito acima, a história do imortal Dr. Parnassus é análoga à evolução dos mistérios ao longo da História. Apesar de explicar suas relações com o Diabo para sua filha, Dr. Parnassus explica em termos codificados a natureza da sua essência. Ela pode ser encontrada dentro de monges budistas, em Jesus Cristo e até mesmo na Maçonaria. Ele descreve a sua primeira aposta com o diabo como uma competição para ver quem conseguia primeiro atrair seus doze discípulos. Dr. Parnassus mostra a sua filha um livro contendo imagens simbólicas. " — o forum Apocalink ainda trás mais informações sobre os detalhes do filme, relacionado à essa parte oculta.

Confesso que fiquei impressionada com essas informações, por que vendo o filme, a sensação que tive é de que a estória não trás nada ao leitor. Achei que falasse apenas sobre um maluco milenar com idéias loucas e um espelho mágico que, de certa forma, estava conectado à mente do velho. E quem entrasse no espelho, poderia ver seu pior pesadelo, ou o melhor sonho da sua vida. Fora essa a mensagem que consegui captar do filme. E imagino que isso seja o que 98% dos que assistiram ao filme (somos ignorantes, oi!), também captaram. Se não fosse pelos atores, eu teria detestado o filme — acharia muito fraco.

Há cenas muito bonitas. Os diálogos foram muito bem escritos, na minha humilde opinião, e a trilha sonora estava perfeita. Os atores, todos, foram maravilhosos, o diretor realmente acertou em cheio com a escolha do elenco. Mas a ignorância sobre o assunto não me permitiu apreciá-lo devidamente. Vou ter que revê-lo, qualquer dia desses. Talvez eu consiga entender melhor a trama, depois dessa análise mais profunda que encontrei. Mas deixo aí a dica para os que não viram ainda, e que tirem suas próprias conclusões.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Livro: Dezesseis Luas






Sinopse: Ethan é um garoto normal de uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos e totalmente atormentado por sonhos, ou melhor, pesadelos com uma garota que ele nunca conheceu. Até que ela aparece... Lena Duchannes é uma adolescente que luta para esconder seus poderes e uma maldição que assombra sua família há gerações. Mais que um romance entre eles, há um segredo decisivo que pode vir à tona.

Sinceramente, ainda estou em dúvidas sobre minha opinião desse livro. Li muitas criticas positivas sobre ele, antes de comprá-lo, mas agora já não sei bem o que dizer.

Bom, como a sinopse fala, Ethan é o protagonista/ narrador da estória. Ele perdeu a mãe num acidente, e o pai é meio recluso em seu escritório particular. Mas o guri conta com os cuidados de uma governanta (não sei bem se esse é um termo adequado para ela, mas enfim) que toma conta dele como se fosse o próprio filho. E Amma (que trabalha para a familia há muito tempo), no entanto, não é uma governanta qualquer. Ela é supersticiosa, ligada em vudus e magias do tipo. Ela é apresentada bem no inicio, e, junto com os sonhos misteriosos do guri, instigou bastante minha vontade de ler. Sem falar que na contracapa há aqueles comentários de críticos e sei lá mais quem que ajudam a criar expectativas também.

Bem, a principio, ele me pareceu uma estória meio sombria, com magias, e achei que teria uma pitada de terror. A trama se passa numa cidadezinha pequena, onde nada acontece, todos se conhecem, mas que havia aquele sujeito recluso, suspeito de tudo o que acontece. E esse seria o Macon Ravenwood — que, por acaso, é o responsável pela fundação da cidade. E então, a garota dos sonhos de Ethan (super clichê, diga-se de passagem) aparece, nada mais nada menos que na escola dele. A guria, então, logo de cara vira o assunto do ano, e é odiada por todos por fazer parte da misteriosa família Ravenwood..

Até aí, foi tudo bem, tudo tranquilo. Li cheia de vontade. A leitura estava fluindo muito bem, as autoras pareciam ter um estilo próprio de escrever narrando e descrevendo os fatos. A questão da bruxaria também me estimulou bastante, com a questão da lua, magia, mistério (já falei isso). Achei que sairia algo bem diferente, inovador. Mas depois que a menina, Lena, chega, a coisa começou a desandar para outro lado. Pois vejam bem, quando reparei que o narrador seria um menino, achei muito bom, por que tive uma ótima experiência lendo a série Interligados (quem não conhece, corra já para ler!) no qual também é um menino que narra. Aliás, ele alterna entre um menino e uma menina (apesar que, agora, estou achando que ele foi em terceira pessoa... não tenho certeza). Mas o que quero dizer, é que não teve aquele nhenhe meloso que as narrativas femininas têm. Achei que não teria aquela coisa de "ela é tudo para mim, sinto calor quando me toca, não consigo respirar sem ela... blablabla" o tempo todo. ¬¬

Teve. Infelizmente teve. E no final, ainda ficou uma coisa meio "O amor vence tudo." ¬¬

Enfim, continuei lendo.

Ah! Outra coisa que me irritou (e PRECISO comentar!) foi a quantidade de erros de digitação que encontrei no livro. PUTA MERDA!, com o perdão da expressão. Mas alguém me explique, por gentileza, como é que um trabalho desses me foi aprovado para impressão???? Pessoal da Record que me desculpem, mas vão trabalhar direito! Estamos pagando fortunas por esses livros. O mínimo que podem fazer é revisarem bem os textos! ¬¬ Reparei também que a impressão não estava lá grandes coisa não. Tinha muitas partes meio apagadas, mal impressas, na verdade... outro ponto negativo.

Mas voltando ao livro... no final, senti que todo aquele ar de mistério se perdeu do meio para o fim. Uma lástima. E aquela expectativa de que a trama seria diferente, com uma abordagem menos clichê, mais misteriosa, sombria... se foi pelo ralo. As personagens se tornaram óbvias, algumas meio sem sentido — me pareceu que estavam ali só para encher linguiça. Os fatos que aconteceram, as cenas, foram bem toscas, no meu ponto de vista. Probleminhas na escola, em casa... festinha de aniversário, confusão em ginásio... nada inovador. 


Mas há uma coisa que posso elogiar sim. AMEI o Macon Ravenwood. Ele foi minha personagem favorita. Tem uma cena que tive vontade de dar um beijo nele, mais para o final, quando ele faz aquela aparição dramática, no meio da tempestade, para salvar a donzela. Mega clichê, mas o diálogo que se sucedeu foi muito bom mesmo. Aliás, falando em diálogos, outra personagem que gostei bastante foi a Marian (não lembro o sobrenome dela), melhor amiga da mãe do Ethan. Ela é escritora, e praticamente fala citando versos e frases de grandes escritores. Há muita coisa interessante da parte dela. Esses dois, foram as personagens mais bem elaborados do livro. A Lena, tinha tudo para ser muito mais... mas ela me decepcionou muito mesmo. Teve partes em que tive a sensação de que ela se transformava numa mosca morta, uma barata tonta, ou uma coitadinha... Acho que faltou mais personalidade nela. No Ethan mais ainda, que parecia um boboca apaixonado... E o pior é que comprei o segundo volume. Vou ler, né... talvez as autoras ainda me surpreendam.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Filme: As Virgens Suicidas


Sinopse: Durante a década de 70, o filme enfoca os Lisbon, uma família saudável e próspera que vive num bairro de classe média de Michigan. O sr. Lisbon (James Woods) um professor de matemática e sua esposa uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região. Porém, quando Cecília (Hanna R. Hall), de apenas 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo a um crescente isolamento e superproteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes. Mas a proibição apenas atiça ainda mais as garotas a arranjarem meios de burlar as rígidas regras de sua mãe.

Fonte: Adoro Cinema

Lançamento: 1999
Duração: 1h 37min
Diretor: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, James Woods, Kathleen Turner
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Pela sinopse, agente acha que o filme é uma chatice só, e que já vimos 2.165.496.786.123.163 filmes parecidos. Mas ele é MUITO mais do que apenas um filme sobre uma família religiosa, com problemas. Além das belíssimas fotografias que o filme trás, a estoria aborda um tema que ainda se mantém atual, apesar de se passar nos anos 70. A fascinação pela beleza feminina e juventude. São cinco belas irmãs que vivem com um pai submisso, professor de matemática da escola em que elas estudam, e uma mãe muito religiosa. A família, então, se abala com a morte da filha mais nova, e para piorar a situação deles, são obrigados a ouvir as coisas mais absurdas dos vizinhos que começam a criar teorias da conspiração contra a família. A fim de proteger as outras meninas, a mãe resolve mantê-las presas dentro de casa.

A película ainda consegue manter um ar de mistério durante todo o filme, em relação às meninas. "O há com elas?", pensamos o tempo todo. Por que elas instigam todo esse deslumbre? Elas são lindas, sim, mas ainda há algo mais nelas. Elas são misteriosas, sedutoras (estão no auge dos hormônios), e ainda andam sempre juntas, como se constituíssem um clube próprio fechado. Sem perceberem, quatro meninos, vizinhos delas, as espionam e tentam desvendar o mistério das irmãs. Senti no ar um pensamento: porque é tão terrível ser bela? É um fardo carregar todas as expectativas da ala masculina nas costas, para quando as conhecessem realmente, não os decepcionar?

O que eu vejo hoje em dia, é exatamente isso o que acontece. Você encontra uma menina (também vale para os meninos) muito bonita, mas basta alguns minutos de conversa com ela, e percebemos que ela não é tão bonita assim. O contrário também é válido, é claro. Mas talvez essa expectativa possa pesar demais para algumas pessoas. Não sei. O que quero dizer é que esse culto a beleza, além de obsessivo da parte de uns, é inconsciente da parte de outros. Inconscientemente, julgamos as pessoas pela beleza. Mas o filme não fala sobre a preocupação com a beleza. Ele vai além. O filme deixa o espectador envolvido pelo óbvio desejo carnal que a beleza instiga, o vazio que ele deixa no indivíduo que não consegue ir além (que não consegue enxergar além), e a melancolia das irmãs Lesbon no mundo fechado delas. Agente fica imaginando se elas são realmente loucas, ou se apenas são sonhadoras, desejosas da liberdade. Por que além da família, elas parecem prisioneiras desse mistério em que foram colocadas involuntariamente. Eu diria que é um filme que mexe com nossas emoções. Não do tipo que nos faz chorar, mas aquele que nos faz pensar. Não quero contar o final, mas acho que posso dizer que não poderia ter sido melhor. Elas eternizaram a beleza e juventude, mas deixando no ar o real motivo delas: se pelo sufoco da família, ou da "responsabilidade" que tinham perante os olhos dos vizinhos.

E retomando o que disse anteriormente, o filme traz cenas muito bonitas e reflexivas, cheias de poesia. Não tenho certeza, mas acho que esse foi um dos primeiros filmes da Kirsten Dunst (se não o primeiro). Ela está divina nele. Além dela, temos o maravilhoso Josh Hartnett, que aparece com um cabelinho horrível! uiahauihai. A trilha sonora é muito bacana também, trazendo grandes clássicos. Para quem gosta de filmes cult, vale muito a pena ver esse. :)

livro: Melancia









Fonte: Sinopse do Livro.

Sinopse: Com 29 anos, uma filha recém-nascida nos braços e um marido que acabou de confessar um caso de mais de seis meses com a vizinha também casada, Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e os efeitos colaterais da gravidez, como, digamos, um canal de nascimento dez vezes maior que seu tamanho normal!

Não tendo nada melhor em vista, Claire volta a morar com sua excêntrica família: duas irmãs, uma delas obcecada pelo oculto, e a outra, uma demolidora de corações; uma mãe viciada em telenovelas e com fobia de cozinha; e um pai à beira de um ataque de nervos. Depois de muitos dias em depressão, bebedeira e choro, Claire decide avaliar os prós e contras de um casamento de três anos. E começa a se sentir melhor. Aliás, bem melhor. É justamente nesse momento que James, seu ex-marido, reaparece, para convence-la a assumir a culpa por tê-lo jogado nos braços de outra mulher. Claire irá recebê-lo, mas lhe reservará uma bela surpresa...


Bom, como poderia eu começar a falar do livro? Eu o comprei, primordialmente, pelo fato de ser comédia. Eu precisava, urgentemente, ler alguma comédia, e me indicaram ele (mais de uma pessoa o indicou, inclusive). Bom, comprei a versão de bolso que era MUITO mais barata. Todos os livros da Marian, pelo que andei bisbilhotando, estão na faixa dos 60 pila.... o de bolso, cujo texto está na integra (ou seja, completo), consegui por 18. Vale muito mais em conta. Com 60, compro 3 livros e ainda sobra alguns trocados para mais um livrinho de bolso. T_T

Mas tá, chega de enrolar. Marian tem um jeito muito simples de escrever. Tem uma linguagem bastante coloquial, de facílima compreensão. E ela começa a estoria de uma maneira muito bem planejada. Com o abandono do marido da personagem principal, Claire, no mesmo dia, quase no mesmo instante que eles tem o primeiro bebê. Imaginem que "filho da puta" (ela adora essa expressão)! E é a partir dai que a trama se desenvolve, contando as aflições da jovem e inexperiente mãe (29 anos) abandonada na maternidade, que resolve voltar para a casa dos pais. Lá, ela vivencia toda sua depressão pós parto (mas é algo muito leve, por que, na verdade, ela pensa mais sobre o marido) e tudo com bastante sarcasmo. Aliás, sarcasmo, é a palavra-chave dessa obra. Sinceramente, houve apenas uns três ou quatro momentos em que eu realmente ri. Mas nem todo o sarcasmo é realmente engraçado. O sarcasmo é a maneira sutil de chamar um idiota de estúpido (ou algo assim) — alguém me disse isso, esses dias, e em certos casos concordo plenamente.

Enfim, percebemos que Claire é uma feminista (meio neurótica, mas tudo bem), sempre dando alfinetadas sobre o comportamento masculino. Ela critica todos os homens que passam diante dos olhos dela, inclusive do próprio pai, e jardineiro. E então, aos poucos (e digo que MUITO aos poucos), Claire vai se recuperando do choque inicial que recebeu da noticia do abandono do marido, e resolve sair de casa. Até então, ela havia mergulhado na depressão e ficado submersa nisso por alguns meses (acho que foram dois ou três), que se passa metade do livro! Pois é... essa é uma critica negativa que tenho sobre a obra. Marian enrola DEMAAAAAIIS no drama da personagem. Por mais engraçadinhos que tenham sido todas essas partes, confesso que pulei bastante coisa, principalmente no final, por que não aguentava mais. Pô, quem é que passa duzentas e tantas páginas só choramingando??? Entendemos que a personagem tenha ficado um bom tempo triste, mas não precisava ter nos passado essa noção através da leitura de tanto blablabla...

Mas uma das coisas que mais gostei na estoria, é como a autora conseguiu captar bem a essência feminina, os sentimentos que sentimos com relação a nossas inseguranças e o abandono. Confesso que me identifiquei bastante com a Claire em alguns momentos, sim.

Não se eu fui a única a sentir isso, mas achei que a estoria começou a andar mesmo apenas a partir do aparecimento de Adam. O cara é o sonho de toda a mulher, no mais puro dos clichês. Aliás, esse foi outro ponto bastante positivo para a autora que soube bem como usar o romantismo clichê sem ser repetitiva. Ela faz comentários muito bons sobre isso, inclusive. E a trama deu pico mais frenético, quando o marido da Claire volta. A partir dessa parte, não consegui mais parar de ler. Foi minha parte favorita. Claire, em toda a discussão com o marido fujão, que tentava por a culpa nela pelo que aconteceu. Um baita filho da puta mesmo. Mas também fiquei muito puta com ela quando aceitou, no início, o que ele lhe dizia. Tipo, como pôde uma mulher inteligente como ela aceitar toda aquela asneira que ele lhe disse? Por mais que amasse o cara, acho que jamais teria aceitado uma coisa daquelas. Ok, ela estava mentalmente abalada, e acho que foi esse o critério da autora, mas mesmo assim! Não aceitei. Mas não sei dizer se foi algo sem querer, por parte da autora, ou se foi proposital. Eu vou pelo proposital, por que ela voltou atrás, depois, embora tenha dado uns argumentos que, sinceramente, achei bem fracos. Ela dizia que soltou os cachorros em cima dele, mas se fosse eu, teria soltado os cachorros do inferno, então! Eu sequer teria dado a chance para ele explicar por que mentiu, por que acusou ela de todas aquelas coisas... ¬¬ achei essa parte muito revoltante.

Mas enfim, final feliz. Confesso que eu fiquei com gostinho de quero mais desse final, mas gostei bastante dele sim. Principalmente a parte que toca a Helen, a irmã mais maluca dela. Já me disseram que a Marian tem um livro cada uma das irmãs da Claire (são 5 irmãs, se não me engano). Vou ver ser acho mais livro de bolso dela.

Pra finalizar, eu diria que a estoria, em si, é bem previsível, mas acho que vale muito a pena ler. Acho que ele nos mostra bem o que é ser uma mulher adulta, e que, diferente do que pensamos quando somos pequenas, pouca coisa realmente muda. Eu, por exemplo, tenho 25 anos, mas me sinto com 17/18 anos ainda. Claire mostra um pouco disso. Nós crescemos, envelhecemos, amadurecemos muitas idéias, mas muita coisa continua a mesma... Super recomendo. :)
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Maira Gall