Livro: A Sombra do Vento



Uma das minhas leitoras havia me recomendado ler O Jogo do Anjo e, como sou curiosa, lhe disse que daria um jeito de lê-lo. Pedi de presente de Natal para minha mãe o livro, e a mulher me comprou mais A Sombra do Vento (que são do mesmo autor, Carlos Ruiz Zafón). Mas eis que chego em casa, e me dou conta que eu já tinha A Sombra do Vento. ¬¬ Já contei sobre minha mania de ir em livraria, gostar da capa e levá-lo para casa, né? Tenho pilhas de livros aqui sem ter lido, mas toda vez que passo no shopping e vejo uma boa capa, levo assim mesmo. E não leio! ¬¬ Bom, agora estou com dois livros iguais em casa. Vou tentar trocar um deles em algum sebo (estou louca para pôs as mãos no Fantasma da Ópera, Madame Bovary, e em qualquer um da Mariam Keyes). Mas enfim... Terminei meu 2º livro do ano! :D E posso dizer que comecei muito bem, com ótimos livros.

A Gaiola foi ótimo, Marcia Willett tem uma maneira particular de escrever, que nos transmite com muita clareza os sentimentos das suas personagens, sem dizer explicitamente o que elas sentem. Já o Carlos Zafón, é quase um poeta filósofo. Mas ao contrário dos livros dessa natureza, é totalmente de fácil entendimento. Eles escreve com palavras simples, ótimas sentenças.

Vou deixar aqui uma dica aos aspirantes a escritores: uma estória para ser considerada realmente literatura, deve conter uma maneira diferente de ser contada. A escrita do escritor é fundamental para classificá-los como verdadeiros escritores. Esses dias, perguntei a um colega mais entendedor de literatura do que eu porquê de a maioria desses livros infanto-juvenis não poderem ser considerados literatura. Então, ele me explicou além do conteúdo comercial deles, a maneira do escritor também classifica. A falta de estilo literário empobrece muito o conteúdo. E vamos combinar, esses livros não possuem muita distinção de um para o outro, realmente. Estou lendo a série os Imortais (meio em hiatus, na verdade) li Crepúsculo, e estou aguardando a continuação da série House of the Night, Strange Angels, Fallen, Hush Hush, Os Instrumentos Mortais e Interligados... todos esses autores escrevem suas estórias da mesma forma, com o mesmo tipo de escrita (a narração em primeira ou terceira pessoa, mas que sempre relatam a perspectiva da personagem adolescente com seus probleminhas). Sem comentar sobre o conteúdo, que é sempre o mesmo — o amor adolescente entre algumas aventuras, e pronto! Tá feita a estória.

Se vocês pegarem Marcia Willett e o Carlos Zafón, por exemplo, irão notar claramente a diferença na escrita de ambos.

Claro, nem por isso vou deixar de ler todos aqueles livros que citei lá em cima! :D Comentei isso aqui, por que acho interessante abrir os olhos. Esse tipo de leitura meio que nos deixa débeis mentais, por inibir nosso pensamento. Eles jogam tudo na nossas mãos, sem que haja necessidade de refletir sobre o que estamos lendo.

Mas vamos ao que interessa. A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, é uma obra completa; há romance, suspense, mistério e drama. Além da prosa, ainda há um ótimo toque de ironia. Possui um enredo bastante complexo — não no sentido de leitura, pois ela flui perfeitamente bem, mas ao que diz respeito à trama. Começa contando sobre um menino, que nasceu em meados do século XX (1940, mais ou menos) que faz uma visita ao "Cemitério dos livros esquecidos" com seu pai, quando tinha dez anos. Lá, ele "adota" um livro. Um livro que, segundo Daniel (o menino), estava ali naquela estante em que o encontrou esperando por ele. Esse livro, simplesmente se chama A Sombra do Vento, de Julián Carax (personagem fictício). Daniel se deslumbra com o livro, no qual descobre ser edição única em todo o mundo, e saí atrás do seu autor, mergulhando de cabeça em uma estória de intrigas, amor, ódio, mentiras, e tudo muito bem recheado de mistério. Nisso, Zafón faz emendas entre o passado e o presente (mas de maneira bem diferente da Marcia Willett, que também faz uso desse recurso em A Gaiola), sempre nos revelando um pedaço do tal mistério sobre o tal autor. Além disso, há um paralelo bastante intrínseco e interessante entre as várias personagens que aparecem na narrativa.

Outro ponto importante, que acho válido comentar, é a quantidade de referência que ele nos dá. Afinal, Daniel vive entre livreiros, trabalha na livraria do pai, e tem amigos com ótimos conhecimentos literários. Nada mais justo do que mencionar gigantes da literatura. Mas não se deixem intimidar com isso, pois não afeta em quase nada a leitura. Não é preciso ser um grande leitor para conseguir entender o que ele diz. ;)

Bom, como todo bom livro, que nos arrastamos um pouco no início até conseguirmos pegar o fio da meada e nos acostumarmos com a narrativa, esse também assim o foi. Mas olha, comecei a ler o livro na terça e terminei hoje, quinta-feira, pela manhã. Para verem o quanto gostei da estória. Esse, sem dúvidas, é um daqueles que começamos a ler e não paramos até chegar ao final.

Então, SUUUUUUPER recomendo ele!!! :) Eu anotei duas frases que gostei bastante no livro, e me arrependi de não ter feito isso desde o início. Vou tentar pegar esse hábito de agora em diante, até para deixar aqui, como um aperitivo aos que resolverem se aventurar na leitura. ;)

"Falar é para os bobos; calar é para os covardes; escutar é para os sábios" — a frase foi dita por Braulio Recolons, citada por uma das personagens no livro.

"A relação paterno-filial está baseada em milhares de mentiras. Os reis magos, a fadinha do dente, papai noel, coelho da páscoa (...)" — essa é uma paráfrase minha, de uma das falas do Fermín, uma personagem do livro.

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