segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Mais algumas infos sobre direitos autorais


Olá! O ano está acabando, mas não pude deixar de vir aqui para um último post do ano. E trago um assunto que, penso eu, é um tema inesgotável mesmo, considerando que vivemos numa sociedade que está em constante transformação... Nada mais natural que as concepções sobre direitos autorais e autoria também se modifiquem... Enfim, dia 13/12/2017 assisti a um seminário no prédio do direito da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) sobre direitos autorais nas artes. Quando vi o evento no facebook, corri para me inscrever. E foi bem bom, fiz várias anotações que achei interessantes, e resolvi compartilhar aqui, porque acredito que tais informações não devam circular apenas dentro da academia, como os próprios palestrantes disseram.

Para mim, a melhor palestra foi a da professora Cláudia Lima Marques, que falou bem sobre concepções sobre autoria, que tenho estudado bastante com a minha profa. orientadora ♥ que tem desenvolvido um belo trabalhado sobre o assunto.

Voltando ao seminário, resumidamente, a profa. Marques foi explicando como a sociedade contemporânea vive num pluralismo do indivíduo (ou talvez seja melhor falar em fragmentação do indivíduo), e isso acontece por causa do consumo desenfreado (que está hoje vinculado a uma rede, ou cadeia de consumo) e ao mesmo tempo uma sociedade de produção em que o individuo é consumidor e ao mesmo tempo produtor. Então, esse paradoxo tem mudado as concepções sobre autoria, pois antes se tinha os direitos autorais voltados a um direito de personalidade, e agora o que se tem é um direito pelo bem móvel.

E aí ela falou na questão da autoria conjunta, porque tanto a autoria quanto a produção são fragmentadas. As pessoas estão produzindo mais materiais em conjunto, e isso modifica aquela ideia clássica de que a autoria pertence a um único indivíduo. A autoria agora pertence a muitas pessoas.

Dai por essas questões, ela coloca a necessidade que há por se repensar novas noções sobre autoria, dentro da área do direito, porque está havendo transformações das artes tradicionais por conta das ferramentas tecnológicas que estão possibilitando essas novas formas de criações. Não só isso, a tecnologia está gerando novas formas e relações de consumo. Mas é interessante pensar que não são as ferramentas em si que transformam essas concepções...elas estão acontecendo porque já existia uma vontade intrínseca por parte do ser humano, né — afinal, a máquina não gera nada por si só. Ainda (até onde sei).

Também falou no consumidor como um intérprete, que também é um autor — que modifica a obra e produz ou redefine o sentido das obras. E dai ela entrou na questão da cópia, afirmando que é preciso pensar em uma ética da cópia (ou seja, essa questão ainda não está bem clara dento da área) porque vivemos numa sociedade que necessita da cópia, e que é a partir da cópia que o consumidor hoje tem criado coisas originais. E dai ela justificou dizendo que essa coisa do consumo não vai acabar, e que pode até se tornar algo desenfreado se não se criar normas contra isso. Porque se tem muito a questão da "propriedade que não é propriedade, mas parece propriedade" (que seria a cópia reproduzida), e que gera um grande problema dentro do direito autoral.

Além disso, hoje a arte virou um bem de consumo, que serve às massas (vide Romero Britto — sem entrar no mérito de como a elite intelectual classifique ele). O fato é que temos hoje uma arte popular massificada, em que até mesmo obras clássicas são produzidas em massa para estampar objetos comuns para consumo.

E ela falou que o indivíduo hoje é intérprete e fonte (da obra) e ao mesmo tempo consumidor e autor. E isso acontece porque há uma "autonomia da vontade" em que se foi permitido aos sujeitos que se tornassem consumidores e autores.

Bom ademais, das outras palestras que aconteceram, consegui apenas me ater às várias definições sobre arte de direitos autorais que foram mencionados, porque foram entrando em questões mais técnicas do direito mesmo.

Achei interessante a colocação do prof. Paulo Jorge Fonseca Ferreira da Cunha (Professor da Universidade do Porto) que falou sobre a questão do estranhamento, como um efeito da arte. "A arte que surpreende de alguma forma, e traz em si a ousadia da transgressão". Me lembrei automaticamente da exposição cancelada no Santander Cultural, aqui em Poa, que me parecia cair bem na definição. Sei que existe uma bronca do pessoal com as definições dadas pelo meio acadêmico. Como não me formei em artes, não me sinto no direito de comentar muito a respeito, porque vejo que, de um lado, tem a academia sempre encaixotando (e isso eu sei com propriedade que ela faz mesmo , pois o mesmo acontece na literatura), mas por outro lado, tenho a impressão de que há um movimento sendo criado aí contra a academia, querendo desestruturá-la, e até mesmo reduzí-la. O que acho um tanto extremo. Ainda mais no momento político e ideológico complicado em que vivemos hoje, em que pessoas más intencionadas andam criando informações falsas e distorcendo noções. Mas enfim, gostei da outra definição dada pelo prof. "arte como expressão etnográfica e cultural — e da individualidade". Me parece uma definição mais comportada, na verdade.

Também foi falado em arte como instrumento de transformação e resignificação; de despertar das consciências (esqueci de anotar o nome do professor que disse isso). Que me parece retomar um pouco a primeira ideia dada pelo prof. Paulo, porque me parece que a arte está tomando para si esse papel mesmo — o que de fato acho importante pelo não esvaziamento do seu sentido. Porque sei que há quem defenda a arte pela arte, o que, particularmente, acho bonito, mas, talvez hoje em dia nós necessitamos mesmo da arte que carregue ideologia, que traga em si um movimento de resistência pelo momento em que vivemos. Mas como eu disse, não tenho muito embasamento para entrar na discussão, se alguém tiver outros argumentos, sinta-se livre nos comentários.

Outra coisa que achei interessante, que foi dito, é que os direitos autorais se tornaram um direito patrimonial, moral e de sequência — que diz respeito à massificação de obras em que o artista deve deter o direito de reprodução e de lucros das vendas após a primeira venda (e 79 países garantem esse direito, e o Brasil está incluso). o/

Bom, só pra compartilhar as minhas anotações, né. hehe. Na verdade, tudo o que foi dito nesse Seminário será posto num livro que os professores já devem estar produzindo, então, ficarei de olho. Assim que eu tiver mais notícias sobre o livro, aviso por aqui. :)

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sábado, 4 de novembro de 2017

Debates sobre Quadrinhos e artes



Olá!
Continuo ocupada até o pescoço com as disciplinas do mestrado, tanto que mal tenho conseguido encostar num papel para desenhar. T_T Mas resolvi me enforcar um pouco mais vindo aqui para escrever esse post, porque ele é relevante até para a minha própria dissertação, e formação (acredito que desenvolvo o meu pensamento na medida em que escrevo sobre ele).

Está tendo, aqui em Porto Alegre, a 63º Feira do Livro, e hoje teve uma tenda oferecendo diversos debates sobre os quadrinhos, entre eles, “Negros nas HQs” e “A Mulher e as HQs”. Na verdade, estou estudando os quadrinhos para a minha dissertação, que, embora não seja propriamente o objeto de estudo, fará parte da composição dele, por isso fui lá. Assisti somente a esses dois debates, pois a questão da representatividade me interessa, e felizmente fui feliz indo até lá, pois surgiram questões bastante pertinentes. 

Uma das questões foi em relação ao senso comum que se tem de qualidade. Um dos palestrantes questionou porque não se vê tantos quadrinistas negros no mercado (assim como não há muitos negros na literatura, ou em qualquer outra forma de arte, diga-se de passagem) e disse que geralmente há um discurso deslegitimado, e deslegitimador de que é por falta de pessoas negras produzindo, o que, obviamente, é uma grande falácia. Além disso, costuma-se dizer que a qualidade é outro fator determinante para que as minorias entrem no mercado, entretanto, afinal, o que é qualidade se não um juízo de valor subjetivo? Achei ótimo que essa questão tenha entrado em discussão, porque ontem mesmo estava lendo um texto para uma disciplina do mestrado que falava sobre a construção dos Cânones literários, como e quem institui o que é literatura e o que não é. Essa é uma questão bastante complicada de se abordar dentro da acadêmia, visto que já se sabe que, de fato, é a própria academia quem, na verdade, instituiu (e ainda o institui, pois tive professores na graduação dizendo que Paulo Coelho não é bom por isso ou aquilo) o que é boa literatura e o que não é. Também tive professores que, com um pouco mais de consciência, tentaram modalizar isso, mas dentro do seu discurso em aula, se percebia os preconceitos, com falas do tipo "nada contra os bestsellers, MAS eu prefiro histórias que possuem uma construção frasal mais complexa". Tipo, né? Ignorando que a construção frasal dos bestsellers são consequência dos tempos em que vivemos, e reforçando o preconceito linguístico, que, diga-se de passagem, também é abordado nas disciplinas. Claro que a pessoa está em seu direito  de gostar mais disso do que daquilo, mas no momento em que essa pessoa está na posição de professor, na frente de alunos, formando cidadãos, esse tipo de colocação pesa, e não faz sentido (na verdade só está reforçando o preconceito). Contradições da academia. 

Não há absolutamente nada na obra, em si, que diga o que é bom e o que não é. Claro que há alguns fatores de composição e estilo que por um lado tem sua relevância dentro do âmbito das artes, mas que, no entanto, não deixam de ser regras ditas pela academia, também. 

Enfim, é complicado falar sobre a academia em tempos obscuros como o que vivemos hoje, com tanta gente querendo deslegitimar a academia (e não é essa minha intensão ao trazer essas questões para cá), e acabar com disciplinas escolares que são fundamental para o desenvolvimento do senso crítico, por que, de fato, ela ocupa um espaço de privilégio na sociedade,  e tem suas muitas falhas, porque é importante ter consciência de que a academia também é um espaço político, onde  muitas revoluções começaram, e onde, de fato, a ciência se situa. No meu ponto de vista, e como um dos palestrantes afirmou também,  o importante é levar essas diversas obras para o público e analisá-las do ponto de vista dos questionamentos que elas podem suscitar... Eu tenho uma colega que levanta bandeira contra esse tipo de coisa, por que ela acredita na arte pela arte, literatura pela literatura, apenas. Ela não gosta do discurso de que a arte deva servir para alguma coisa, e concordo até certo ponto com ela, pelo menos, por enquanto (até que alguém venha com algum argumento mais forte), mas acredito que justamente pelos tempos nebulosos em que vivemos (tenho outra colega que diz que estamos numa Neo-idade-média, e concordo com ela) a questão do senso crítico é importante,  e utilizar os recursos que temos ao alcance para desenvolver esse senso é fundamental, porque, afinal de contas, a arte tem um autor, mas é o leitor/consumidor/público quem decide o que fazer com ela, no sentido de que é da responsabilidade dele a interpretação que faz do mundo que o cerca. E acredito que a arte seja uma forma de discurso, também. Até porque há artistas que fazem questão de "transmitir" mensagens por meio de suas obras e produções. 

Outra questão interessante que surgiu no debate foi a questão das editoras, o quanto elas contribuem com o estigma que as HQ ainda se encalcaram como literatura. Por que as escolas ainda veem os quadrinhos como literatura, quando os quadrinhos, na verdade, são pura e simplesmente quadrinhos. Assim como o cinema é cinema, teatro é teatro, literatura é literatura, e quadrinhos deveria ser visto como quadrinhos. Sei que houve uma discussão, há pouco tempo, de pessoas querendo que os quadrinhos fossem vistos como literatura, numa tentativa de elevar o status que os quadrinhos ocupavam dentro das hierarquias das artes (que, infelizmente, a gente sabe que existe). Aliás, até hoje os quadrinhos ainda são vistos como subproduto. E eu mesma me questionava, irritada por os quadrinhos não serem considerados como literatura, mas hoje já penso diferente. Quadrinhos é quadrinhos, ponto final.  Mas voltando a questão das editoras, foi mencionado que elas ainda impõem aos quadrinistas como os quadrinhos devem ser, sempre levando para o lado didático da coisa. E isso sempre desvirtua a obra e o próprio artista, porque no momento em que é imposto a forma e conteúdo, ele já deixa de ser arte, além de tirar do artista a autoridade pela sua própria autoria (o que é outra questão bem complicada, por que de um lado o artista tem contas para pagar, e por isso responde a essas imposições, por outro, até onde fica a autoria dele).  Então, como um movimento de resistência, uma das palestrantes afirmou que por opção mesmo ela desistiu de publicar em editoras, pois, como justificado, elas matam a potencialidade dos artistas. :/ 

O último ponto que anotei foi em relação a formação dos quadrinistas. Há cursos de formação em cinema, teatro, artes plásticas, literatura, dança e canto (na europa e eua). Mas não há nada em quadrinhos. Claro que, os quadrinhos, como os conhecemos hoje, é uma criação recente, vinda depois da segunda guerra, e sabemos que conceber espaços em (relativamente) tão pouco tempo, é complicado. Mas creio que já está na hora disso acontecer. Foi mencionado na discussão que os quadrinhos deveria ser abordado nos estudos das artes, mas, assim como a literatura toma para si os quadrinhos, e acho isso um equivoco, discordo delas nesse ponto, pois, como eu disse, quadrinhos é quadrinhos. É um gênero único, com suas particularidades. Não é só porque se utiliza imagens que as HQs devam ser abordadas no campo das artes, pois o cinema também utiliza imagens, jogos digitais utilizam imagens, e nem por isso estão lá. Também não é porque os quadrinhos utiliza a escrita que deva estar na literatura, porque o cinema e o teatro e a música utilizam escrita, e nem por isso estão nos cursos de letras e literatura. Quadrinhos é linguagem? É, sim, senhor! Mas teatro, cinema, música e artes plásticas também o são. Então, gostaria de deixar marcado aqui, que, a partir de hoje, levanto a bandeira em prol à liberdade dos quadrinhos, contra qualquer estigma que possam querer incutir a eles. o/

Em relação ao evento, tenho uma crítica a fazer: infelizmente, colocaram a tenda, em que os debates sobre quadrinhos ocorreriam, ao lado da seção de bancas de livros infantis, né, reforçando a ideia de que quadrinhos é coisa de criança. Sem falar que colocaram um branco para mediar a seção que tratava da colocação dos negros nos quadrinhos. Acho que isso ainda demonstra o quanto ainda há o que se fazer em relação a essas questões.

Bom, não vou entrar na questão das representações das mulheres e dos negros nos quadrinhos, porque, apesar de concordar com o que foi dito (que é preciso falar disso! - infelizmente), o meu tempo está curto, e sei que todos já ouviram algo a respeito. Vou deixar para elaborar mais essa questão quando eu terminar o meu trabalho no mestrado. ;) Mas sintam-se livres para fazerem suas colocações, que responderei a todos, sim. Cedo ou tarde, juro que responderei! T_T


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sábado, 9 de setembro de 2017

Beco dos Artistas



Olá!
Estou passando rapidamente aqui para fazer um convite especial! ♥
Dia 30 de Setembro estarei no Beco dos Artistas, junto com outros artistas incríveis, aqui em Porto Alegre. Vai acontecer na Casa de Cultura Mário Quintana (no centro), das 13h às 19h. Vou levar prints, adesivos, marcadores de página, e alguns originais. ♥♥♥ Quem puder passar lá, nem que seja pra dar um oi, ficarei bem feliz! 

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domingo, 18 de junho de 2017

Ausente, mas seguindo em frente...


Já estamos em Junho, e este é o meu primeiro post do ano. Só para dar uma breve noção do que aconteceu nesse meio tempo, resolvi voltar aqui. E também por sentir falta de escrever algo que não fosse científico/técnico. Vou explicar...

No final do ano passado, resolvi me focar nos estudos para passar na prova de mestrado, o que, felizmente, consegui! Fiquei em segundo lugar! o/ Os dois últimos meses de leituras e resenhas valeram a dor (sim, foi uma dor, mas que se tornou em prazer (bendito Freud!) quando vi minha classificação). Fora isso, também estive preparando o meu lattes (participando de oficinas, palestras, eventos acadêmicos) para a seleção... E aí, quando me dei conta, já estava frequentando as aulas. Para mim, a fase de transição da graduação para o mestrado foi doloroso. Também. Na primeira semana de aula, eu cheguei a passar dois dias com as mãos tremulas, a ponto de não conseguir segurar uma xícara de chá. Meu pescoço trincava em tensão, e eu não conseguia mover a cabeça para os lados, tão nervosa fiquei (e isso nunca tinha me acontecido antes). Foi terrível mesmo. O rigor do que o mestrado tinha se apresentado para mim, foi uma coisa assim, assustadora mesmo, porque, vejam só, nos primeiros dias de aula, a coordenação do curso fez terrorismo conosco dizendo que a turma deveria (preparem-se para a lista): 

*submeter dois artigos por ano; 
*participar de eventos acadêmicos; 
*frequentar aulas;
*ler dois livros por semana; 
*escrever resenhas; 
*escrever relatórios a cada semestre; 
*entregar um artigo para cada disciplina (e não pode tirar menos que conceito B); 
*ler outros artigos e livros para fazer esses artigos; 
*fazer parte de grupos de estudos,
*e fazer as atividades propostas; 
*apresentar trabalhos em aula;
*planejar sua dissertação, 
*e ler artigos e livros relacionados a ela; 
*assistir palestras onde tiver, 
*e se lembrar de que precisa respirar e dar conta de tudo... 

A impressão que tive foi de que eles estavam querendo criar monstros com titulação de mestre, só. Além disso, aguentar a pressão psicológica (subliminar, mas que existe) de que, se você desistir, é porque é fraco, não está preparado para o mundo acadêmico, intelectual (uhum). E se não fizer um bom trabalho, não tecer bons comentários durantes as aulas e ainda apresentar resenhas meia boca, você também está fadado ao fracasso intelectual. Sim. Então, a impressão que eu tinha era de que havia dois olhinhos me perseguindo, me observando, me avaliando. O. Tempo. Todo.
Passei várias noites mal dormidas, entre crises de enxaquecas, que há anos não tinha...

Não sei se isso se aplica a todos os cursos de mestrado (o namorado disse que não sentiu isso quando fez mestrado em ciência da computação), talvez por eu estar num mestrado em letras, em que temos aulas de nível filosófico (tipo #hardcore — passando de Cassirer, à Platão, Walter Benjamin, e Zumthor — e fora isso, você já deveria ter lido algo de Foucault, Derrida, Barthes, Kant, Eco...) e psicanalítico (Freud, Vigotski, Piaget, Bahktim...), a coisa é super tensa. Principalmente para quem nunca tinha lido nada, ou quase nada, desses defuntos. Então, eu lia aqueles textos, e eles não me diziam quase nada. E eu ia ficando desesperada, lamentando a minha própria condição de ignorante, iletrada. Fui me sentindo um peixinho minúsculo, cada vez menor, no meio de tubarões (colegas e professores) que conseguiam acompanhar o raciocínio desses autores... Resisti em admitir isso, mas pensei em desistir várias vezes, sim... T_T Pensei muito sobre o motivo de estar fazendo mestrado, e tentei colocar algumas coisas na balança, para ver o que valia e o que não valia à pena... E resolvi me deixar levar, pelo bem de planos futuros.

E aí o sufoco foi passando, conforme as aulas foram acontecendo. E fui vendo que a coisa não era tão terrível quanto imaginei que seria. Percebi que muita coisa era só imaginação minha, aquela coisa de quem se autocritica demais, de quem se compara com os outros demais. Pois eu tinha caído nessa cilada, sim. Ainda sinto um pouco daquilo tudo,  na verdade, mas em um nível bem mais ameno. Acho que consegui me colocar num nível mais realista da coisa... Graças aos depoimentos dos colegas que relataram sentir o mesmo, também... Então, fiquei mais tranquila em saber que eu não era a única. Mas certas posições sobre certas coisas e pessoas permanecem, é claro. Algumas percepções minhas não mudaram, mas agora já não me importo tanto.

Não sei quem mais aqui conhece a dor e sofrimento que é fazer um mestrado, mas aprendi que fazemos parte de uma academia, propriamente dita, apenas com a pós-graduação mesmo. Pelo menos, essa é a impressão que estou tendo, conhecendo um pouco os bastidores da coordenação dos curso, conhecemos melhor os professores... E os colegas também, aos poucos vão se mostrando mais... Talvez por estamos num grupo menor e mais fechado, os conflitos emergem mais do que na graduação. Na graduação, tudo era bonito e maravilhoso, a galera (a maioria) só queria pegar seu canudo, e pronto. Agora, no mestrado, não. A coisa é mais séria! Você está lá para um propósito maior, com um foco maior...

Mas olha só... Porém, contudo, entretanto, todavia, não posso dizer que tudo foram dores. Aprendi muita coisa, e passar por tudo isso tem sido um grande aprendizado também, e, no fim das contas, estou conseguindo curtir o mestrado agora. :) 

Sobre a minha dissertação, como tenho especialização em estudos da tradução, planejo seguir pela linha da adaptação, e trabalhar com a tradução de algum quadrinho, mesmo (e não fugir tanto de outra área de interesse que é a ilustração). Ainda preciso discutir mais o assunto com a minha orientadora, de modo que não posso dar muitos detalhes a respeito ainda. Mas se tudo der certo, vai dar certo! hehe.

Apesar disso tudo que contei aqui, sempre que consigo uma folguinha, eu volto a desenhar e aquarelar. Sigo postando no instagram, de vez em quando. Até mesmo porque, né, ninguém sobrevive só pensando no mestrado. É preciso uma válvula de escape para descarregar o estresse. Tenho praticado corridas, também, o que tem me ajudado muito...

Bom, era isso. Não quero abandonar o blog, não vou desistir dele, que fique claro. Só estou em hiatos, por um ou dois anos... T_T o que significa que a minha velocidade estará bem reduzida nas mídias sociais. Mas eu precisava desabafar um pouco mesmo. Segundo Freud (olha só como aprendi - assim espero t.t), o ser humano precisa mesmo desabafar para se aliviar, e escrever é uma das melhores maneiras. Não é à toa que o se humano escreve o que pensa. :) Para não nos afogarmos em nossas próprias angústias, o ser humano precisa expor o que pensa e o que sente, de alguma forma. É meio óbvio isso, mas às vezes a gente esquece de desabafar, e acabamos guardando muita coisa... :/ Então, desabafem, desabafem, desabafem. Desejo muitos desabafos a todos! xD


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Lojinha da iluria

Olá!
Estou passando rapidamente aqui para registrar a abertura da minha nova lojinha do iluria. Eu gosto muito da plataforma deles, bem simples e prática, espero que me ajude a manter as coisas em ordem. 
Como eu comentei nas redes, por enquanto só cadastrei prints e aquarelas, mas em breve pretendo colocar imãs, adesivos, marcadores de página, bottons e postais... estou louca pra ver minhas meninas estampando essas outras mídias também. *_* Mas enfim, coloquei aqui uma préviazinha de como ficou o site, mas vocês podem acessá-lo pelo link biareys.iluria.com

Lembrando que estou aberta a sugestões e pedidos. Se quiserem que eu coloque alguma outra arte ali, é só enviar um emailzito para blreys@gmail.com :)







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